terça-feira, 28 de março de 2017

Being Portuguese

I have no idea of what being Portuguese is or means. But there a verse in a song that I think gives an answer that I like. 'Lusitana' by Fausto: 'Cuida da nossa alma errante nós só queremos teu consolo.' Quite on spot.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Douro, melancholy and Portugal

I went to Douro. Douro is beautiful of course, as many places in Portugal. It has melancholy. Everything in Portugal has melancholy. I like from time to time. The trip to Douro was good to me. It had and effect. It vanished a bit since then. I feel more or less in the same mood back again. I was wondering if this was something Portuguese. If I could identify something in this as portugueses, aparte from the fact that I am portuguese. I think it can be done. there is a kind of sentimental heritage and profile that I think as portuguese. I think I am an average portuguese in relation with that profile. Perhaps, better than average, I think I fulfill a lot of characteristics in that profile. the main one is melancholy. I have very extended periods of melancholy. going back to Douro puts in me what I think as the good melancholy. When you hear the silence of the countryside. That is the good melancholy. The melnacholy in a city is much more unbearable. And I am under attack by that kind of melancholy and my legendary difficulty in relationships with people. Let's see....

terça-feira, 14 de março de 2017

This short prose will look like a confession. Perhaps it is. In english, I have no guts to write it in Portuguese. The melancholy would be unbearable. I would take three days to write just to choose the right words. Things are not going very well. Not about the Mathematics. My math is going relatively well I would say. Something else. I must confess, in the last few months, I don't feel happy. I feel sad and unhappy, and lonely. I have some flushes of happiness. Yesterday I had one, in football. Or better, three. But I am alienated from something. I don't know what or who. I felt the necessity of bringing an empty paper and a pencil for the football match. Just to have something to do, because I knew I wouldn't be capable of watching the whole match without my mind slipping to somewhere else and not getting into the excitement of the match. It kept me busy. Football wasn't capable of doing it by itself, not very much after we scored three goals, not even when one of our players was struck in the head by the elbow of another player and the ref did nothing. I walked home fast. 3Km in half an hour. During the walk I almost forgot that we've won. Normally, a win uplifts me for the whole day. Not this time. It would be the same if we had lost, I think. I felt empty during that half an hour as I feel for greater periods. The same happens when I read. I've always loved to read. I feel happy when I do it. Then I forget the books very quickly, as if I haven't read them. I can't watch a movie without disconnecting from it in less that 15 minutes because I feel I am somewhere else. It only gets better when I am among friends. It really uplifts me. But our lives are different. They have their jobs and I have mine. I feel solitude and, what I would call disquiet. I think about people I love and are not here anymore. And sometimes, less often, I kind of imagine someone I would love. What I would imagine I almost instantly discard. I was never very good at building a relationship with someone. Any kind of relationship, starting with friendships. Not mentioning girls. I always was very timid and shy. Everytime I meet someone I don't know, I feel this shyness controls my actions. Or better, my inactions. In fact, I clearly feel I am getting more and more shy and timid, and not the opposite. It makes feel worse, and I don't know how to deal with that. My eyes are wet. They don't get into tears so that the eyes don't dry. They just keep wet.

Next weekend we're going to the Douro valley. I know Douro quite well. It can change something in a person's life with just a moment of silence and a panoramic view. Let's see what it brings.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sobre a Economia

Tenho trabalhado em Matemática Aplicada, o que, não inevitavelmente, mas com naturalidade me levou a trabalhar em assuntos de certo modo relacionados com Economia. Claramente que há essencialmente duas maneiras típicas de uma pessoa com formação em Matemática trabalhar em assuntos mais económicos: ou algo de certo modo empírico, que possa envolver alguma estatística, como por exemplo econometria (que lamentavelmente, não poucas vezes é invadida por horrível estatística cuja metodologia é falseada), ou algo que envolva modelos, como por exemplo algo mais de teoria de jogos, equilíbrio geral etc..

Em condições normais, para aprender economia para poder trabalhar nestas coisas uma pessoa estuda esses modelos. A fundamentação e capacidade matemática já a tem da Matemática. É esta a melhor maneira de aprender economia? Tenho sérias dúvidas.

Cada vez mais me convenço, e este convencimento surgiu-me destacadamente nos últimos meses, que há duas coisas porventura muito mais essenciais para aprender economia. A primeira delas é estudar história económica. A segunda parece-me ser o estudo da história do pensamento económico. 

Estas duas coisas devem de ser coadjuvadas por aquilo que geralmente era designado por Economia Política, um termo que de certo modo caiu em desuso. Existe uma relação entre estas três coisas. A economia política é também uma ciência (vamos chamar-lhe ciência por momentos) histórica, cujo objecto de estudo é material histórico, e cujo método também deve algo à historiografia. Assim sendo, a economia política também envolve a história do pensamento económico. Quem estuda a história económica também está a estudar aquilo que fundamenta a economia política, e se a isso juntarmos o pensamento económico num dado período histórico já estamos a entrar naquilo que é a teorização da economia (política nesta caso). Convém neste momento relembrar que até ao século XVIII a economia não era vista como algo independente da filosofia. Isso apenas aconteceu a partir mais ou menos da revolução industrial, com o Adam Smith e outros, o mais relevante talvez seja o David Ricardo. 

É por isso que eu julgo estes pontos são talvez os mais essenciais para uma compreensão daquilo que é a economia, como um todo, e o fundamental da economia no mundo actual. É que estes pontos que citei têm em comum o facto de imporem um carácter altamente crítico a quem estuda e tenta aprender economia através deles. Enquanto a economia se chamou Economia Política, preservou grande parte carácter crítico, que se foi desvanescendo em favor da visão da economia como uma ciência como a matemática ou a física. Continuo a considerar esta visão crítica absolutamente fundamental para compreender a economia no mundo moderno, economia política, claro está, pois os assuntos (quase todos eles com forte componente política) por ela abordados enquanto assim foi designada continuam a ser os mais relevantes e os que operam na esfera mais influente na actualidade. Creio que a história da economia e do pensamento económico são fundamentais para esta visão crítica da economia, que acaba sendo aquela em que aprendemos mais e melhor. E é através dela que ficamos muito mais próximos de atingir aquele que para a Joan Robinson (uma das mais relevantes economistas do século XX) é o propósito, eminentemente crítico, aliás como o são todas as formas de combate à pseudo-ciência, de estudar economia:

"The purpose of studying economics is not to aquire a set of ready-made answers to economic questions, but to learn how to avoid being deceived by economists.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A propósito do jogo de ontem

Ontem assisti finalmente a uma vitória em casa do Boavista, já não ganhávamos em casa desde o tempo do Sánchez, no início de Outubro.
Fiquei contente, jogámos bem, poderíamos ter marcado mais um e decidir o jogo mais cedo. Creio que sinceramente a vitória não tem contestação.
Mas o intento principal deste meu post, tem que ver com o jogador Zé Manuel, que agora representa o Vitória F. C. de Setúbal, por empréstimo do F. C. Porto. A atitude do F. C. Porto é lamentável, como o foi muitas vezes, visando enfraquecer o Boavista, pois, e todos os Boavisteiros o sabiam, o Zé Manuel é um bom jogador para o Boavista, mas dificilmente teria lugar no plantel do F. C. Porto, e assim sendo, o empréstimo seria a solução mais natural. Empréstimo que se consumaria na ida para um rival directo do Boavista F. C.. Quanto ao jogador, foi fortemente assobiado e insultado (inclui-me neste coro) quando entrou no terreno de jogo por volta do minuto 60 e tal. Infelizmente, quando eu vejo um jogo de futebol que envolve uma equipa que geralmente equipa de xadrez preto e branco, eu costumo adorar e exultar pelos que assim estão vestidos, e quase que abomino os que estão com cores diferentes. É uma das minhas irracionalidades, que não consigo superar. Daí de certo modo aprovar o tratamento que foi dado ao Zé Manuel (e de tal modo aprovo que me juntei a ele). Mas, eu pus um infelizmente na frase, porque lamento esta irracionalidade. Se o Zé passasse por mim na rua, provavelmente agradecia-lhe o que fez pelo meu clube, nas três épocas desportivas em que esteve por cá. Mas quando ele entrou em campo, aí é pedir de mais, simplesmente não consigo. Concluo esta espécie de Mea Culpa, com um lamento, que é o seguinte: há uma coisa que não perdoo ao Zé Manuel. Ele podia, e creio até que deveria ter renovado contrato com o Boavista, provavelmente por uma época só (não pretendo que ele passasse a ser um monge que passasse toda a vida cá, claro), de modo a proporcionar alguma coisa a nível financeiro ao Boavista, que poderia lucrar com a sua transferência (e sabe-se que o Zé Manuel tinha mercado). Convém ele lembrar-se que foi do Cinfães para o Boavista, quando estávamos no terceiro escalão. Se não fosse o Boavista, não sei por onde andaria ele, provavelmente pelas ruas da amargura. Lamento esta falta de gratidão, apesar de, como disse, se tivesse com ele, agradecia-lhe. Mas quando se está dentro de campo, não consigo...

domingo, 11 de dezembro de 2016

Ponto de Situação

1º - O Boavista tem claramente um plantel limitado, para não mais do que meio da tabela;
2º - O Boavista tem claramente o melhor plantel desde que voltou à primeira liga;
3º - Miguel Leal é um bom treinador. Mas não se pode cair na exageração em que se caiu e que levou à saída do Sánchez, parecendo que tudo a seguir iria ser totalmente oposto. Não o é pois não há milagres, devido ao ponto 1;
4º - Ainda relativamente ao ponto anterior, tenho a certeza que os primeiros a mandar lenços brancos ao Miguel Leal foram aqueles que mais se babaram aquando da sua chegada, e os que mandaram lenços brancos ao Sánchez e tanto fizeram para que ele saísse. Cuidado. Voltarão a fazer o mesmo ao Miguel Leal, tenho a certeza disso. Vozes de burro não devem chegar (mas às vezes chegam), ao céu;
5º -  Tenho confiança no treinador actual. E até acho que pode fazer melhor que o Sánchez;
6º - Já vi melhor do que o que estou a ver agora. O Boavista estava em crescendo até ao roubo da Taça de Portugal. Espero ver melhorias, e rápidas. o objectivo este ano não é a manutenção, só. É mais do que isso. Mais do que no ano passado, e se possível melhor do que na primeira época, em que até a conseguimos com relativa tranquilidade com 3 jogos por jogar.
Conclusão: É para ir em frente. Principalmente devido ao ponto 2. O treinador disse que acha que vamos fazer melhor nas duas épocas anteriores. De acordo com o ponto 2 também eu esperava isso. Actualmente, tenho muitas, muitas dúvidas, pois o progresso que se estava vendo andou para trás claramente. Fiquei contente por ele ter essa ambição, porque significa que sabe aquilo para que foi contratado. Mas tem de faer mais.
P.S.: Quanto às cavalgaduras do apito e da comissão de arbitragem, não se pode esperar melhor. Qualquer dia, mais cedo do que tarde, vamos de novo ser roubados escandalosamente, ou até nos põem o paneleiro do Jorge Sousa a apitar um jogo nosso outra vez. A mesma coisa se vai passar ali para os lados do mercado abastecedor, o clube daqueles gajos dali anda a jogar melhor dizem, mas não tarda vai levar outra vez com uma arbitragem vergonhosa, tal como se tem visto contra as equipas da cidade do Porto. Não sei o que se passa com o Salgueiros...

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Su Majestad el Rey de España e o 1º de Dezembro.

Achei de muito mau gosto, a atitude do bloco de esquerda ao ficar sentado perante o chefe de estado de Espanha. Compreendo a posição do Partido Comunista Português, ao levantar-se. Não segui o discurso, portanto não sei se a atitude do PCP deveria ter sido algo mais, e aplaudir. Isso depende da substância do discurso do Rei. Quanto ao bloco, acho lamentável. Esta é mais uma das coisas que cada vez mais me coloca longe do bloco, do qual nunca estive propriamente perto, mas no qual já votei, creio que numas eleições europeias.

Quanto ao 1º de Dezembro. É uma data importante. No que se refere à Portugalidade, para mim, o feriado mais importante é o 10 de Junho. Por aquilo que é, e por ter a imensa felicidade de ser a data de falecimento de Camões. Acho imensamente singular e feliz o facto de o dia de Portugal ser também o dia de Camões. Camões continua para mim a ser um pouco de Portugal. Quanto ao 1º de Dezembro, talvez fosse ainda mais feliz celebrar o 5 de Outubro de 1143. Mas, por azar, a história tem destas coisas, também calhou, setecentos e tal anos depois, outra coisa no dia 5 de Outubro.

O Xadrez

Ontem, não gostei do que vi. Se o objectivo é o que é, conseguir a manutenção com alguma folga, principalmente para evitar a situação em que caímos no final da primeira volta da época transacta, que na nossa primeira época até nos safámos bem e a manutenção ficou garantida ainda com alguma tranquilidade com três ou quatro jogos por jogar, temos de fazer muito mais. Tenho confiança no Miguel Leal, tal como também tinha no Sánchez, no futebol não há milagreiros, para além da convicção que tenho de que os que mais fizeram para que o Sánchez saísse, com atitudes lamentáveis, serão também os primeiros a dizer que o Miguel Leal deve sair. A ponderação e a inteligência, sobretudo a ponderação para ver o futebol e perceber que as coisas não são assim, não é tirar um para por um milagreiro, onde só os cândidos conseguem ver milagres, mas sim tirar um para pôr outro, provavelmente bom, mas que não é, claro, milagreiro. Só tem de se exigir trabalho. Continuo a achar que esta época tem tudo para ser uma em que cumprimos completamente os objectivos. Haja apoio dos adeptos, haja ponderação da parte destes, inteligência. E haja trabalho de quem manda. Temos de melhorar, e podemos melhorar. Aliás, até prova em contrário, estamos a melhorar há já alguns anos.
P.S.: Nunca é demais lembrar que o Boavista merece respeito, e temos de exigir este respeito. É inacreditável como em Portugal se respeita mais o totó que nunca ganhou nada do que aqueles que de facto se afirmaram como mais relevantes dos pequenos, o Boavista, e claro, o Belenenses. A razão é sempre a mesma, pois o Boavista chateou tanto os grandes, por razões óbvias, como os outros pequenos, que no fundo da sua mediocridade e incapacidade para fazer alguma coisa de relevante, detestam quem o conseguiu (a inveja que o Camões já tinha referenciado), o Boavista.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A propósito da Invicta e de Lisboa

Ora bem. Passei os últimos dias em Lisboa. Gosto de ir a Lisboa. Adoro lá passar uns dias. E, pensando, bem, julgo que não me importaria de por lá passar mais do que uns dias. Em Lisboa, mais do que ser a capital e um bocado maior do que o Porto (apesar de que engana, porque eu não considero, por exemplo, Matosinhos, como sendo diferente do Porto, e ninguém dá por isso quando se passa a rotunda da anémona, que na verdade teve que ver com o facto de o concelho do Porto não se ter estendido às localidades vizinhas, algo que aconteceu um pouco mais em Lisboa), mais do que a população (o dobro da do concelho do Porto, e uma área metropolitana de dois milhões e oitocentos mil habitantes, a do Porto tem um milhão e setecentos mil), é o Portugal diferente, e para mim, neste caso, diferente, significa o Portugal mediterrânico. O Porto é uma cidade atlântica. Havia uma música dos BAN chamada 'Dias Atlânticos', onde aqueles dias eram claramente no Porto. O tempo é melhor do que cá. Um pouco mais quente, mas mais relevante ainda, uma quantidade de chuva relativamente mais baixa. A juntar a isso, eu, que já raramente ando com guarda-chuva no Porto, e também não o faço em Lisboa, tenho sempre a sensação de que a chuva em Lisboa é menos fria, e molha menos do que no Porto. Gosto de caminhar por Lisboa, apesar de isso não ser muito fácil devido à orografia, mas de certo modo, o Porto também já é um pouco assim, e uma pessoa habitua-se, para além de que o esforço vale a pena, porque é andando a pé que melhor se é possuído pela cidade. Lisboa tem mesmo muitos turistas. Não me importo minimamente de andar por sítios onde está muita gente. Incomoda-me bastante, por exemplo, ser difícil arranjar uma esplanada onde se possa estar a sentir o barulho da cidade, barulho que não o ruído, onde não se consegue estar confortável. No Porto consegue-se arranjar, em Lisboa, pelo menos nas proximidades do centro, não. Por exemplo, na Brasileira... Mas isso tem já que ver com a minha maneira de ser. Não tenho qualquer prazer em estar num local onde só há ruído, a absorção daquilo que é a cidade é nula, por onde passam milhares de pessoas por hora. E isto, é por mim, e seria assim em qualquer cidade, não por ser em Lisboa. Prefiro estar num café, ou numa esplanada numa viela. Aí sente-se muito mais a cidade. De resto, é o que eu faço no Porto. Evito os locais como os primeiros que mencionei, e prefiro os segundo, mesmo que sejam aqueles sítios desconhecidos e esconsos. 
Prefiro o Porto a Lisboa, isso é óbvio, e acho que sempre preferirei. Sou um portuense, um tripeiro. Não porque nasci cá, isso foi apenas um feliz acaso que me deixa contente, um sítio bom para nascer. Mas sou portuense porque o Porto será sempre a minha casa. Se um dia também chamar a Lisboa uma minha casa, então também serei lisboeta, ou melhor, lisbonense, gosto muito mais desta segunda palavra. Quem chamar ao Porto a sua casa, será também portuense como eu. Apesar disto, muito provavelmente, sempre me sentirei mais portuense do que qualquer outra coisa. Há coisas que nunca mudam. O Porto também tem mais turistas. Mas não atingiu os níveis de Lisboa, e possivelmente não os atingirá. O Porto mudou um pouco, melhorou nalgumas coisas. O seu nível geral está, julgo eu, um pouco melhor. O Porto é, e sempre será, uma cidade interessantíssima. Agora, o que acontece é que está mais interessante para algumas camadas às quais não interessava tanto. Eu nasci em 1990. Tenho memória quase fotográfica desde a minha infância no que diz respeito a locais onde estive. O Porto sempre foi interessante, porque sempre foi 'O PORTO'. Quem se diz boquiaberto com o Porto de agora é um bocado totó, e geralmente são os mais provincianos em relação ao estrangeiro, e muito provavelmente, nunca conheceu bem o Porto. É claro que houve progressos e também retrocessos. O futuro nem sempre vai na melhor direcção. Vai na direcção que vai. O Porto vai por aí, e a meu ver, vai muito bem. Se continuar a ser Porto, e acho que continuará, não há nada a temer. Lisboa tem a meu ver um risco maior de perder a sua 'Lisboa'. E esse risco vem do facto de ser uma capital, de ser maior, de ter mais população, de ser mais central em Portugal (que é imensamente e excessivamente centralizado, vale a pena repetir). Há um risco maior, e algumas coisas creio que já se perderam, como aquilo que descrevi genericamente acima. Portugal é um país contemplativo, do silêncio, da poesia, da composição e apreciação das imagens. Em Lisboa há alguns sítios onde isto é já um pouco difícil. Pá, podíamos tentar fazer com que os turistas tivessem também um pouco disto, da contemplação, da poesia portuguesa, um país de quadros vivos. Fazia-lhes bem, principalmente aos do norte da Europa. Na calçada do Combro, que subia devagar, por causa da inclinação, mas também devido ao respirar de Lisboa naquela rua, fui empurrado por um indivíduo que me disse três vezes 'Excuse, me'. Claro que a minha reacção não foi rápida, não o poderia ser num passeio com um metro de largo. A terceira vez que me falou foi um grito. Não tenho nada contra turistas. Mas este era um turista mal educado, e tenho coisas contra pessoas mal educadas sejam turistas ou não. O George Steiner dizia que chegou a acreditar que o Turismo poderia ser uma grande revolução da educação, e creio que ele o dizia no sentido de uma maior compreensão entre os povos, por exemplo o Norte da Europa compreender o Sul da Europa como mais do que um lugar quase idílico e solarengo, onde se produz vinho e se rega a culinária toda com azeite, mas antes como um sítio em que se vive diferentemente, em que se contempla, em que existe o poetar ou o vadiar, o ser poeta à solta como dizia o Agostinho da Silva. Mas o Steiner disse também que já não acredita nisso. Pensado bem, eu sinceramente também não acredito. Mas talvez ainda se consiga alguma coisa a este respeito, quem sabe. Concluindo, se Lisboa perder a Lisboa que a torna naquilo que é, será lamentável, para Lisboa, para Portugal, e para mim, que como disse, gosto de Lisboa. Há um certo risco, mas espero e creio que tal não acontecerá. Lisboa será sempre Lisboa, o que é óptimo. O Porto será sempre o Porto, o que é maravilhoso!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Eleições nos Estados Unidos

Amanhã é a terça-feira imediatamente a seguir à primeira segunda feira do mês de Novembro. Como tal, isto significa que é dia de eleições nos Estados Unidos da América. Num ano em que uma dessas eleições é a de presidente do país. Há algum tempo atrás, escrevi um post sobre as eleições, onde disse que me seria difícil votar Hillary. Continuo a pensar o mesmo. Penso que se votasse amanhã, provavelmente iria votar num candidato menor. Evidentemente que é muito melhor ganhar Hillary em vez de Trump, e creio que graças a deus, é isso que acontecerá. Mas votar nela exigiria um pouco mais de mim, algo que não me parece que eu estaria disposto a dar. Assim, espero que amanhã o pesadelo Trump desapareça, e com isso virá Hillary à presidência. Eu seria daqueles que ou não votaria ou então, daria o meu voto a um outro candidato...

sábado, 29 de outubro de 2016

Bob Dylan e o Nobel

Ora bem, vou tentar, digamos assim, por um pouco os pontos nos is naquilo que é a minha opinião relativamente à atribuição do prémio Nobel da Literatura deste ano de 2016 ao grande Bob Dylan. 

Eu tento fazer aquilo que acho fundamental, que julgo ser pôr o foco nos méritos literários do candidato, e não na estéril discussão a que tenho assistido repetidamente sobre a alta ou baixa, gorda ou magra cultura. 
Primeiro faço um aparte, que julgo necessário. Ainda ontem, estava numa livraria Bertrand, e nuns escaparates bem colocados estavam livros do Bob Dylan. Eram livros com as letras das canções por ele editadas. Um edição bilingue, bonita. É óbvio que as livrarias não deverão fazer muito dinheiro com o Nobel deste ano. Principalmente porque, quem estiver em dúvida se compra ou não o Bob Dylan, que possa não conhecer, e pondo-me eu nessa situação, preferiria comprar um disco em vez de comprar um livro. Isto porque eu acho sempre que ler as letras naqueles dois volumes de letras de canções pode ser muito interessante para ter um compêndio mais fácil de consultar do que os livretes dos discos, mas, para mim, e admitido que possa haver quem não esteja de acordo, ler aquilo é apenas ver metade do génio do Bob Dylan. O Bob Dylan completo é aquilo com a música, é os discos. Tentando ser mais explícito, o primeiro verso, espectacular diga-se, de 'All Along the Watchtower' diz: 'There must some kind of way outta here'. Acho que este verso tem qualidades imensas, mas quando por exemplo há algum tempo atrás fiz um post com ele na minha página no Facebook, de certo modo, quando o publiquei, queria dizer mais do que apenas estas palavras. Isto porque, para mim, estas palavras não são apenas isso, mas ressoam na minha cabeça cantadas naquela música soberba (de facto, ressoam-me até mais da maneira como o Hendrix as cantou, numa versão ainda mais genial que a de Dylan (é raro a versão ser melhor do que o original, e o próprio Dylan concorda que a versão Hendrix é genial!)). O mesmo poderia dizer de outros versos como por exemplo 'With no Direction Home', também do Dylan, ou de 'The World on you Depends, our life will never end', um verso Riders on the Storm do Doors, letra do Jim Morrison. 
Isto faz-me olhar para Dylan como um cantor, e dificulta-me olhá-lo como escritor e homem da literatura. Ou, doutro modo, dificulta-me e tolda-me aquilo que deveria de ser uma análise puramente literária da sua obra (principalmente das suas canções, que foram o que lhe valeu o prémio, o resto da sua obra desconheço). Por causa disto, tenho de o admitir, a minha opinião pode ser um pouco suspeita.

Já deu para descortinar um pouco o local para onde me dirijo com esta prosa. Criou-se nestes tempos desde o dia da atribuição do prémio a noção de que quem criticou essa atribuição o fazia por defender (e nalguns casos pertencer) a uma elite cultural que classifica a música popular como baixa cultura, ou cultura popular, contrariamente à cultura de verdade, a alta cultura. E também se ouvia dizerem que alguns destes elitistas tentavam até esconder esse elitismo dizendo que gostavam do Dylan. Não concordo com estas acusações pois este elitismo e a baixeza ou não da música popular nada tem que ver com a natureza deste prémio. O suposto elitista que achar que é mesmo baixa cultura e nada mais disser não está, claro, a discutir este prémio, que é um prémio de literatura, mas sim a discutir outra coisa qualquer. Ainda para mais, é difícil de que se trate de elitistas encapotados, que não devem ser muitos depois de na segunda metade do século XX a música dita popular ou ligeira, como o Rock por exemplo, ter assumido um papel de tal relevância e influência nas vidas de tanta gente que não tem de se preocupar minimamente com o facto de ser alta ou baixa cultura. E como eu acredito que as pessoas dizem o que pensam, julgo mesmo que quem não concorda com a atribuição do prémio e diz gostar do Dylan está a ser completamente verdadeiro, não se tratando de um elitista escondido. E outra coisa que me faz julgar isto é que eu próprio tenho uma opinião que vai neste sentido. Gosto, e muito do Dylan, que considero um fantástico cantautor e um genial expoente da arte a que comummente podemos chamar de música popular. Uma arte que, para mim, e quem me conhece sabe muito bem que assim penso, é tão alta cultura como qualquer outra, e que até desempenhou e desempenha na minha vida um papel de maior destaque do que outras formas de cultura. Mais frequente do que outras geralmente tidas como alta cultura como o teatro, ou a pintura da qual pouco ou nada percebo, a ópera que me é largamente desconhecida, tudo coisas que aprecio de vez em quando, mas não tão ardentemente como a música dita popular. O que pode rivalizar com a importância da música ligeira na minha vida é o cinema e a literatura, e em menor proporção a música clássica, também chamada de 'erudita' (um termo que detesto, pois é totalmente absurdo) e dentro desta, em ainda menor proporção, a ópera. Nisto o Dylan é genial. Mas, mesmo considerando as dificuldades e enviesamentos que a minha opinião pode ter (conforme descrevi atrás), julgo que os seus méritos literários não são tais que lhe deva ser atribuído o prémio Nobel, ainda para mais considerando a raridade com que poetas são galardoados com o prémio Nobel (devo também reconhecer os meus limitadíssimos conhecimentos de poesia). Se tivermos uma perspectiva um pouco mais global e analisarmos os méritos de Dylan comparativamente a literatura que não só poesia, ainda se torna mais difícil para mim concordar com este prémio.

Resta-me terminar com duas pequenas notas. A primeira tem que ver que esta é a minha análise literária ao Bob Dylan, a Academia Sueca tem obviamente mais capacidade do que eu para fazer esta análise (e mau seria se não a tivesse). Isto não me impede de pensar e repetir que este prémio foi mal entregue e que a academia se equivocou. A segunda tem que ver com o aquilo que eu acho do grande Bob Dylan. Acho o mesmo de sempre, o genial Bob Dylan continuará a acompanhar-me e a tocar no meu sistema de som. E sublinho porque isto é importante, não tem ponta de cinismo, e quem me conhece sabe-o muito bem: Gosto mesmo muito do Bob Dylan!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A Propósito de Erwin Sánchez

A propósito da saída do Erwin Sánchez do cargo de treinador do Boavista F. C., tenho a dizer o seguinte. Não concordo com a saída. Acho que essa mesma saída resulta de uma situação que, apesar de poder ser melhor do que aquilo que é, não é dramática, e a meu ver não justifica a saída do treinador. Quanto às declarações, foram infelizes, mas não mais do que isso. É óbvio, contudo, que existia uma total falta de empatia relativamente a Erwin Sánchez, tal como parece haver empatia relativa ao nosso novo treinador o Miguel Leal, que é, agora, o treinador de todos os boavisteiros. Lamento imenso que essa falta de empatia, que pode sempre ocorrer, se bem que a meu ver, exagerada e injustificada neste caso, tenha por vezes parecido mais do que isso, parecendo mesmo um ódio de alguns indivíduos (dos quais tenho dúvidas quanto a se são mesmo boavisteiros, e ainda mais dúvidas quanto às capacidades dos seus neurónios) a essa figura mítica que é o Erwin Sánchez. E isto preocupa-me, pois Erwin Sánchez é uma lenda do Boavista F. C., e como tal, tenho-lhe uma gratidão enorme, juntamente com a gratidão que julgo que ele também tem face aos boavisteiros e face a este clube que também é o clube dele. Espero, com toda a sinceridade, que ele não guarde rancor face ao que se passou nas últimas semanas. E julgo que isso não irá acontecer, pois acho que ele é mesmo boavisteiro como eu sou. Gostava de o encontrar na rua um dia destes e dizer-lhe aquilo que é verdade, que ele é o maior, e que os grandes boavisteiros, como ele sabe bem, lhe guardam uma gratidão imensa e uma amizade profunda por alguém que ficará nas páginas da historia deste grande clube para sempre. Erwin Platini Sánchez!