terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Su Majestad el Rey de España e o 1º de Dezembro.

Achei de muito mau gosto, a atitude do bloco de esquerda ao ficar sentado perante o chefe de estado de Espanha. Compreendo a posição do Partido Comunista Português, ao levantar-se. Não segui o discurso, portanto não sei se a atitude do PCP deveria ter sido algo mais, e aplaudir. Isso depende da substância do discurso do Rei. Quanto ao bloco, acho lamentável. Esta é mais uma das coisas que cada vez mais me coloca longe do bloco, do qual nunca estive propriamente perto, mas no qual já votei, creio que numas eleições europeias.

Quanto ao 1º de Dezembro. É uma data importante. No que se refere à Portugalidade, para mim, o feriado mais importante é o 10 de Junho. Por aquilo que é, e por ter a imensa felicidade de ser a data de falecimento de Camões. Acho imensamente singular e feliz o facto de o dia de Portugal ser também o dia de Camões. Camões continua para mim a ser um pouco de Portugal. Quanto ao 1º de Dezembro, talvez fosse ainda mais feliz celebrar o 5 de Outubro de 1143. Mas, por azar, a história tem destas coisas, também calhou, setecentos e tal anos depois, outra coisa no dia 5 de Outubro.

O Xadrez

Ontem, não gostei do que vi. Se o objectivo é o que é, conseguir a manutenção com alguma folga, principalmente para evitar a situação em que caímos no final da primeira volta da época transacta, que na nossa primeira época até nos safámos bem e a manutenção ficou garantida ainda com alguma tranquilidade com três ou quatro jogos por jogar, temos de fazer muito mais. Tenho confiança no Miguel Leal, tal como também tinha no Sánchez, no futebol não há milagreiros, para além da convicção que tenho de que os que mais fizeram para que o Sánchez saísse, com atitudes lamentáveis, serão também os primeiros a dizer que o Miguel Leal deve sair. A ponderação e a inteligência, sobretudo a ponderação para ver o futebol e perceber que as coisas não são assim, não é tirar um para por um milagreiro, onde só os cândidos conseguem ver milagres, mas sim tirar um para pôr outro, provavelmente bom, mas que não é, claro, milagreiro. Só tem de se exigir trabalho. Continuo a achar que esta época tem tudo para ser uma em que cumprimos completamente os objectivos. Haja apoio dos adeptos, haja ponderação da parte destes, inteligência. E haja trabalho de quem manda. Temos de melhorar, e podemos melhorar. Aliás, até prova em contrário, estamos a melhorar há já alguns anos.
P.S.: Nunca é demais lembrar que o Boavista merece respeito, e temos de exigir este respeito. É inacreditável como em Portugal se respeita mais o totó que nunca ganhou nada do que aqueles que de facto se afirmaram como mais relevantes dos pequenos, o Boavista, e claro, o Belenenses. A razão é sempre a mesma, pois o Boavista chateou tanto os grandes, por razões óbvias, como os outros pequenos, que no fundo da sua mediocridade e incapacidade para fazer alguma coisa de relevante, detestam quem o conseguiu (a inveja que o Camões já tinha referenciado), o Boavista.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A propósito da Invicta e de Lisboa

Ora bem. Passei os últimos dias em Lisboa. Gosto de ir a Lisboa. Adoro lá passar uns dias. E, pensando, bem, julgo que não me importaria de por lá passar mais do que uns dias. Em Lisboa, mais do que ser a capital e um bocado maior do que o Porto (apesar de que engana, porque eu não considero, por exemplo, Matosinhos, como sendo diferente do Porto, e ninguém dá por isso quando se passa a rotunda da anémona, que na verdade teve que ver com o facto de o concelho do Porto não se ter estendido às localidades vizinhas, algo que aconteceu um pouco mais em Lisboa), mais do que a população (o dobro da do concelho do Porto, e uma área metropolitana de dois milhões e oitocentos mil habitantes, a do Porto tem um milhão e setecentos mil), é o Portugal diferente, e para mim, neste caso, diferente, significa o Portugal mediterrânico. O Porto é uma cidade atlântica. Havia uma música dos BAN chamada 'Dias Atlânticos', onde aqueles dias eram claramente no Porto. O tempo é melhor do que cá. Um pouco mais quente, mas mais relevante ainda, uma quantidade de chuva relativamente mais baixa. A juntar a isso, eu, que já raramente ando com guarda-chuva no Porto, e também não o faço em Lisboa, tenho sempre a sensação de que a chuva em Lisboa é menos fria, e molha menos do que no Porto. Gosto de caminhar por Lisboa, apesar de isso não ser muito fácil devido à orografia, mas de certo modo, o Porto também já é um pouco assim, e uma pessoa habitua-se, para além de que o esforço vale a pena, porque é andando a pé que melhor se é possuído pela cidade. Lisboa tem mesmo muitos turistas. Não me importo minimamente de andar por sítios onde está muita gente. Incomoda-me bastante, por exemplo, ser difícil arranjar uma esplanada onde se possa estar a sentir o barulho da cidade, barulho que não o ruído, onde não se consegue estar confortável. No Porto consegue-se arranjar, em Lisboa, pelo menos nas proximidades do centro, não. Por exemplo, na Brasileira... Mas isso tem já que ver com a minha maneira de ser. Não tenho qualquer prazer em estar num local onde só há ruído, a absorção daquilo que é a cidade é nula, por onde passam milhares de pessoas por hora. E isto, é por mim, e seria assim em qualquer cidade, não por ser em Lisboa. Prefiro estar num café, ou numa esplanada numa viela. Aí sente-se muito mais a cidade. De resto, é o que eu faço no Porto. Evito os locais como os primeiros que mencionei, e prefiro os segundo, mesmo que sejam aqueles sítios desconhecidos e esconsos. 
Prefiro o Porto a Lisboa, isso é óbvio, e acho que sempre preferirei. Sou um portuense, um tripeiro. Não porque nasci cá, isso foi apenas um feliz acaso que me deixa contente, um sítio bom para nascer. Mas sou portuense porque o Porto será sempre a minha casa. Se um dia também chamar a Lisboa uma minha casa, então também serei lisboeta, ou melhor, lisbonense, gosto muito mais desta segunda palavra. Quem chamar ao Porto a sua casa, será também portuense como eu. Apesar disto, muito provavelmente, sempre me sentirei mais portuense do que qualquer outra coisa. Há coisas que nunca mudam. O Porto também tem mais turistas. Mas não atingiu os níveis de Lisboa, e possivelmente não os atingirá. O Porto mudou um pouco, melhorou nalgumas coisas. O seu nível geral está, julgo eu, um pouco melhor. O Porto é, e sempre será, uma cidade interessantíssima. Agora, o que acontece é que está mais interessante para algumas camadas às quais não interessava tanto. Eu nasci em 1990. Tenho memória quase fotográfica desde a minha infância no que diz respeito a locais onde estive. O Porto sempre foi interessante, porque sempre foi 'O PORTO'. Quem se diz boquiaberto com o Porto de agora é um bocado totó, e geralmente são os mais provincianos em relação ao estrangeiro, e muito provavelmente, nunca conheceu bem o Porto. É claro que houve progressos e também retrocessos. O futuro nem sempre vai na melhor direcção. Vai na direcção que vai. O Porto vai por aí, e a meu ver, vai muito bem. Se continuar a ser Porto, e acho que continuará, não há nada a temer. Lisboa tem a meu ver um risco maior de perder a sua 'Lisboa'. E esse risco vem do facto de ser uma capital, de ser maior, de ter mais população, de ser mais central em Portugal (que é imensamente e excessivamente centralizado, vale a pena repetir). Há um risco maior, e algumas coisas creio que já se perderam, como aquilo que descrevi genericamente acima. Portugal é um país contemplativo, do silêncio, da poesia, da composição e apreciação das imagens. Em Lisboa há alguns sítios onde isto é já um pouco difícil. Pá, podíamos tentar fazer com que os turistas tivessem também um pouco disto, da contemplação, da poesia portuguesa, um país de quadros vivos. Fazia-lhes bem, principalmente aos do norte da Europa. Na calçada do Combro, que subia devagar, por causa da inclinação, mas também devido ao respirar de Lisboa naquela rua, fui empurrado por um indivíduo que me disse três vezes 'Excuse, me'. Claro que a minha reacção não foi rápida, não o poderia ser num passeio com um metro de largo. A terceira vez que me falou foi um grito. Não tenho nada contra turistas. Mas este era um turista mal educado, e tenho coisas contra pessoas mal educadas sejam turistas ou não. O George Steiner dizia que chegou a acreditar que o Turismo poderia ser uma grande revolução da educação, e creio que ele o dizia no sentido de uma maior compreensão entre os povos, por exemplo o Norte da Europa compreender o Sul da Europa como mais do que um lugar quase idílico e solarengo, onde se produz vinho e se rega a culinária toda com azeite, mas antes como um sítio em que se vive diferentemente, em que se contempla, em que existe o poetar ou o vadiar, o ser poeta à solta como dizia o Agostinho da Silva. Mas o Steiner disse também que já não acredita nisso. Pensado bem, eu sinceramente também não acredito. Mas talvez ainda se consiga alguma coisa a este respeito, quem sabe. Concluindo, se Lisboa perder a Lisboa que a torna naquilo que é, será lamentável, para Lisboa, para Portugal, e para mim, que como disse, gosto de Lisboa. Há um certo risco, mas espero e creio que tal não acontecerá. Lisboa será sempre Lisboa, o que é óptimo. O Porto será sempre o Porto, o que é maravilhoso!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Eleições nos Estados Unidos

Amanhã é a terça-feira imediatamente a seguir à primeira segunda feira do mês de Novembro. Como tal, isto significa que é dia de eleições nos Estados Unidos da América. Num ano em que uma dessas eleições é a de presidente do país. Há algum tempo atrás, escrevi um post sobre as eleições, onde disse que me seria difícil votar Hillary. Continuo a pensar o mesmo. Penso que se votasse amanhã, provavelmente iria votar num candidato menor. Evidentemente que é muito melhor ganhar Hillary em vez de Trump, e creio que graças a deus, é isso que acontecerá. Mas votar nela exigiria um pouco mais de mim, algo que não me parece que eu estaria disposto a dar. Assim, espero que amanhã o pesadelo Trump desapareça, e com isso virá Hillary à presidência. Eu seria daqueles que ou não votaria ou então, daria o meu voto a um outro candidato...

sábado, 29 de outubro de 2016

Bob Dylan e o Nobel

Ora bem, vou tentar, digamos assim, por um pouco os pontos nos is naquilo que é a minha opinião relativamente à atribuição do prémio Nobel da Literatura deste ano de 2016 ao grande Bob Dylan. 

Eu tento fazer aquilo que acho fundamental, que julgo ser pôr o foco nos méritos literários do candidato, e não na estéril discussão a que tenho assistido repetidamente sobre a alta ou baixa, gorda ou magra cultura. 
Primeiro faço um aparte, que julgo necessário. Ainda ontem, estava numa livraria Bertrand, e nuns escaparates bem colocados estavam livros do Bob Dylan. Eram livros com as letras das canções por ele editadas. Um edição bilingue, bonita. É óbvio que as livrarias não deverão fazer muito dinheiro com o Nobel deste ano. Principalmente porque, quem estiver em dúvida se compra ou não o Bob Dylan, que possa não conhecer, e pondo-me eu nessa situação, preferiria comprar um disco em vez de comprar um livro. Isto porque eu acho sempre que ler as letras naqueles dois volumes de letras de canções pode ser muito interessante para ter um compêndio mais fácil de consultar do que os livretes dos discos, mas, para mim, e admitido que possa haver quem não esteja de acordo, ler aquilo é apenas ver metade do génio do Bob Dylan. O Bob Dylan completo é aquilo com a música, é os discos. Tentando ser mais explícito, o primeiro verso, espectacular diga-se, de 'All Along the Watchtower' diz: 'There must some kind of way outta here'. Acho que este verso tem qualidades imensas, mas quando por exemplo há algum tempo atrás fiz um post com ele na minha página no Facebook, de certo modo, quando o publiquei, queria dizer mais do que apenas estas palavras. Isto porque, para mim, estas palavras não são apenas isso, mas ressoam na minha cabeça cantadas naquela música soberba (de facto, ressoam-me até mais da maneira como o Hendrix as cantou, numa versão ainda mais genial que a de Dylan (é raro a versão ser melhor do que o original, e o próprio Dylan concorda que a versão Hendrix é genial!)). O mesmo poderia dizer de outros versos como por exemplo 'With no Direction Home', também do Dylan, ou de 'The World on you Depends, our life will never end', um verso Riders on the Storm do Doors, letra do Jim Morrison. 
Isto faz-me olhar para Dylan como um cantor, e dificulta-me olhá-lo como escritor e homem da literatura. Ou, doutro modo, dificulta-me e tolda-me aquilo que deveria de ser uma análise puramente literária da sua obra (principalmente das suas canções, que foram o que lhe valeu o prémio, o resto da sua obra desconheço). Por causa disto, tenho de o admitir, a minha opinião pode ser um pouco suspeita.

Já deu para descortinar um pouco o local para onde me dirijo com esta prosa. Criou-se nestes tempos desde o dia da atribuição do prémio a noção de que quem criticou essa atribuição o fazia por defender (e nalguns casos pertencer) a uma elite cultural que classifica a música popular como baixa cultura, ou cultura popular, contrariamente à cultura de verdade, a alta cultura. E também se ouvia dizerem que alguns destes elitistas tentavam até esconder esse elitismo dizendo que gostavam do Dylan. Não concordo com estas acusações pois este elitismo e a baixeza ou não da música popular nada tem que ver com a natureza deste prémio. O suposto elitista que achar que é mesmo baixa cultura e nada mais disser não está, claro, a discutir este prémio, que é um prémio de literatura, mas sim a discutir outra coisa qualquer. Ainda para mais, é difícil de que se trate de elitistas encapotados, que não devem ser muitos depois de na segunda metade do século XX a música dita popular ou ligeira, como o Rock por exemplo, ter assumido um papel de tal relevância e influência nas vidas de tanta gente que não tem de se preocupar minimamente com o facto de ser alta ou baixa cultura. E como eu acredito que as pessoas dizem o que pensam, julgo mesmo que quem não concorda com a atribuição do prémio e diz gostar do Dylan está a ser completamente verdadeiro, não se tratando de um elitista escondido. E outra coisa que me faz julgar isto é que eu próprio tenho uma opinião que vai neste sentido. Gosto, e muito do Dylan, que considero um fantástico cantautor e um genial expoente da arte a que comummente podemos chamar de música popular. Uma arte que, para mim, e quem me conhece sabe muito bem que assim penso, é tão alta cultura como qualquer outra, e que até desempenhou e desempenha na minha vida um papel de maior destaque do que outras formas de cultura. Mais frequente do que outras geralmente tidas como alta cultura como o teatro, ou a pintura da qual pouco ou nada percebo, a ópera que me é largamente desconhecida, tudo coisas que aprecio de vez em quando, mas não tão ardentemente como a música dita popular. O que pode rivalizar com a importância da música ligeira na minha vida é o cinema e a literatura, e em menor proporção a música clássica, também chamada de 'erudita' (um termo que detesto, pois é totalmente absurdo) e dentro desta, em ainda menor proporção, a ópera. Nisto o Dylan é genial. Mas, mesmo considerando as dificuldades e enviesamentos que a minha opinião pode ter (conforme descrevi atrás), julgo que os seus méritos literários não são tais que lhe deva ser atribuído o prémio Nobel, ainda para mais considerando a raridade com que poetas são galardoados com o prémio Nobel (devo também reconhecer os meus limitadíssimos conhecimentos de poesia). Se tivermos uma perspectiva um pouco mais global e analisarmos os méritos de Dylan comparativamente a literatura que não só poesia, ainda se torna mais difícil para mim concordar com este prémio.

Resta-me terminar com duas pequenas notas. A primeira tem que ver que esta é a minha análise literária ao Bob Dylan, a Academia Sueca tem obviamente mais capacidade do que eu para fazer esta análise (e mau seria se não a tivesse). Isto não me impede de pensar e repetir que este prémio foi mal entregue e que a academia se equivocou. A segunda tem que ver com o aquilo que eu acho do grande Bob Dylan. Acho o mesmo de sempre, o genial Bob Dylan continuará a acompanhar-me e a tocar no meu sistema de som. E sublinho porque isto é importante, não tem ponta de cinismo, e quem me conhece sabe-o muito bem: Gosto mesmo muito do Bob Dylan!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A Propósito de Erwin Sánchez

A propósito da saída do Erwin Sánchez do cargo de treinador do Boavista F. C., tenho a dizer o seguinte. Não concordo com a saída. Acho que essa mesma saída resulta de uma situação que, apesar de poder ser melhor do que aquilo que é, não é dramática, e a meu ver não justifica a saída do treinador. Quanto às declarações, foram infelizes, mas não mais do que isso. É óbvio, contudo, que existia uma total falta de empatia relativamente a Erwin Sánchez, tal como parece haver empatia relativa ao nosso novo treinador o Miguel Leal, que é, agora, o treinador de todos os boavisteiros. Lamento imenso que essa falta de empatia, que pode sempre ocorrer, se bem que a meu ver, exagerada e injustificada neste caso, tenha por vezes parecido mais do que isso, parecendo mesmo um ódio de alguns indivíduos (dos quais tenho dúvidas quanto a se são mesmo boavisteiros, e ainda mais dúvidas quanto às capacidades dos seus neurónios) a essa figura mítica que é o Erwin Sánchez. E isto preocupa-me, pois Erwin Sánchez é uma lenda do Boavista F. C., e como tal, tenho-lhe uma gratidão enorme, juntamente com a gratidão que julgo que ele também tem face aos boavisteiros e face a este clube que também é o clube dele. Espero, com toda a sinceridade, que ele não guarde rancor face ao que se passou nas últimas semanas. E julgo que isso não irá acontecer, pois acho que ele é mesmo boavisteiro como eu sou. Gostava de o encontrar na rua um dia destes e dizer-lhe aquilo que é verdade, que ele é o maior, e que os grandes boavisteiros, como ele sabe bem, lhe guardam uma gratidão imensa e uma amizade profunda por alguém que ficará nas páginas da historia deste grande clube para sempre. Erwin Platini Sánchez!

sábado, 24 de setembro de 2016

Câmara Municipal do Porto

Estamos a cerca de um ano das eleições autárquicas em Portugal. Convém eu declarar, desde já, o seguinte: nas últimas eleições, que decorreram em 2013, votei na lista de Rui Moreira para Presidente da Câmara Municipal do Porto. Para a Assembleia Municipal e Junta de Freguesia (União o Centro Histórico) votei na lista do Partido Comunista. Já passaram três anos desde então. Não digo que estou desiludido, mas claramente que o mandato Rui Moreira foi e está a ser abaixo das expectativas. Houve, a meu ver, apesar dos muitos defeitos, um avanço muito mais estruturante e significativo durante os mandatos do Rui Rio, apesar das imensas críticas que deixo e sempre deixei à muitas vezes (demasiadas vezes) prepotente e com tiques de autoritarismo do antigo presidente da Câmara Municipal do Porto. Sendo assim, apesar de não existir aquilo que designaria por desilusão, julgo que não houve grande evolução na cidade do Porto naquilo que é da directa responsabilidade da Câmara. Também me preocupa o tom, por vezes também com alguns tiques autoritários do Rui Moreira (sem bem que pouquíssimo frequentes quando comparadas com as tiradas do seu antecessor). Houve uma cidade em progresso, sim, mas na maior parte dessas coisas em que vi progresso, não me parece que se deva totalmente a Rui Moreira, mas sim à onda positiva em que o Porto caminha há vários anos. E ele, e bem claro, aproveitou. Mas noutras coisas que são necessárias, tem ficado, na minha opinião aquém. O problema do Aleixo está por resolver. Boa parte dos problemas do centro histórico estão ainda por resolver. Entre outros... Claro que há pontos positivos, como o reaproveitamento de algumas infra-estruturas da cidade que estavam completamente decadentes. 
Em suma, e acreditando eu que Rui Moreira será, muito provavelmente eleito por mais um mandato, espero que esse segundo mandato seja melhor que o primeiro. Da minha parte, não tenho arrependimento, nem desilusão. Apenas algum desapontamento e uma consciência de que esperava mais, e que esse mais poderia ter sido realizado. Ainda não sei nem faço ideia em quem votarei, depende muito de como as coisas se apresentarem aos eleitores. Mas posto o que expus atrás, creio que posso já afirmar com alguma segurança que dificilmente votarei para a sua re-eleição, apesar de ainda poder mudar de opinião durante o próximo ano. Espero, por isso, ver mais neste último ano de mandato, e, no caso da mais que provável re-eleição, aguardo com expectativa uns quatro anos mais positivos que os primeiros quatro, sendo que neste momento me parece que essa re-eleição não contará com o meu voto.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Cristiano Ronaldo

Já começou o lobby catalão para Cristiano Ronaldo não ganhar a bola de ouro este ano. E é sempre da mesma maneira: quem sabe de futebol sabe que Messi é melhor que Cristiano. Uma alarvidade claro, conforme é bem sabido. É claro que existe uma subjectividade inerente a dizer quem é melhor. Para mim é o Cristiano Ronaldo, e acho que percebo alguma coisa de futebol. A história também é sempre a mesma, que Cristiano só tem golo. Tenho memória, ainda me 'alembro' de quando se dizia que o Cristiano só driblava e cruzava, e metia poucos golos. Agora mete golos a mais! E depois o célebre argumento de que Cristiano tem pouco futebol. Que eu me lembre, marcar golos ainda é o objectivo do futebol, e é por isso que eu gosto. Não aprecio ver números de circo com bolo, gosto mais de ver indivíduos a tentar meter golo na baliza. Claro que há e houveram grandes jogadores, com muito futebol que não marcavam muitos golos... Isto significa apenas que para se ter futebol não é necessário ter golo, tal como para existirem nuvens não tem de estar a chover. Contudo, se chover, têm de existir nuvens, diríamos matematicamente que chover é condição suficiente para haver nuvens. Tal se passa com o golo, que factura e tem golo, tem de ter futebol. E a justificação disto é simples, conforme disse atrás, e deve-se apenas ao facto de que o objectivo do futebol é o golo. Como é então possível conceber que alguém que cumpre integralmente o objectivo do futebol de meter a bola na baliza não tem futebol?? Contudo, neste ano, não há subjectividade naquilo que se pretende saber, isto é, quem deve ganhar a bola de ouro. Cristiano foi o melhor marcador da liga dos campeões, competição que ganhou, juntamente com o glorioso título do nosso país do Euro 2016. O resto é letra!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Artur Soares Dias e o Boavista

Ontem, o jogo acabou com um erro execrável do árbitro. Não sei se conseguiríamos empatar, mas depois da atitude do senhor Soares Dias tornou-se impossível. De resto, mesmo antes do jogo, alguns Boavisteiros não gostaram da nomeação. Confesso que não me pronunciei sobre o assunto. Esperava que ele ia fazer o melhor possível. Lembro-me bem de uma arbitragem muito parecida num jogo em Guimarães que aconteceu há duas épocas atrás. O jogo esteve em aberto, até ao momento em que deixou de estar devido a uma penalidade ridícula marcada pelo mesmo árbitro. Ontem assistimos a uma fotocópia desse jogo. Se ele voltar a apitar um jogo do Boavista (espero que não o faça esta época) terei de voltar a esperar o melhor possível da parte dele. Mas infelizmente o melhor possível é aquilo que se viu no domingo, não dá mais. Os árbitros portugueses são maus, muito fracos, por isso este último europeu não teve árbitros portugueses, mas teve romenos, eslovacos, etc., muitos árbitros de países com futebol decididamente inferior ao nosso. Nas competições europeias de clubes os árbitros portugueses apitam geralmente jogos de baixo gabarito. Não têm nível para mais. É aí que está o senhor Soares Dias, uma cavalgadura incompetente, tal como muitos outros árbitros portugueses. Por amor de deus, peço aos senhores da associação de árbitros para em vez de estarem constantemente a defender os árbitros incompetentes, tratem de ver como podem melhorar a arbitragem portuguesa. Somos campeões da europa de futebol, não merecemos ter uma arbitragem que nem sequer se qualifica para o europeu. Quanto ao Braga, ficou todo contente. Ainda bem! Têm de se contentar com alguma coisa, e ganhar ao Boavista chega-lhes. Não é todos os dias que se ganha, ainda para mais com serviço do bobo da corte Dias, a um campeão nacional, coisa que não parece estar próxima para aqueles lados... O Braga será sempre o Braga, o clube que ganhou dois jogos ao Boavista em 2001, mas que mesmo assim não impediu o xadrez campeão. Essas ainda devem estar atravessadas, pá. Ganha-se-lhes e não serve de nada pá, são campeões na mesma, pá. Quanto ao Boavista, será sempre um campeão nacional. Juntem-se a nós pá, sejam campeões e juntem-se ao Boavista e Belenenses pá. É difícil não é, pá? Não têm cabedal, já tinha reparado. Entretanto continuem em fantasias à vontade pá, serve para compensar as taças que faltam no museu.

P.S.1: Podem transmitir a mensagem aos senhores de Guimarães, no fundo, estão bem uns para os outros.
P.S.2: Mais uma vez, e não é demais, destaco o imenso respeito que tenho pela instituição C.F. Os Belenenses, um clube que já foi, de facto, campeão nacional, não se tratando de cantigas como nos outros que citei acima.
P.S.3: Este pode doer! Não estou interessado na retórica do 4º grande ou similares. Gosto mais dos factos, o clube com mais títulos a seguir aos grandes é o Boavista. E isto, para alguns pá, é uma chatice!

domingo, 21 de agosto de 2016

A Disputa Americana

Tenho pensado nisto nos últimos tempos. Há algum tempo atrás, em que já se via o espectro Trump a assolar os Estados Unidos, tinha dentro de mim que se votasse nas eleições americanas, votaria Hillary Clinton para evitar a vitóriade Trump. Actualmente, confesso, é-me impossível dizer e pensar tal coisa. Não votaria em Hillary Clinton. Ela é mesmo muito má, e concentra algo nela de perigoso para o futuro do mundo, apesar de não chegar ao nível de Donald Trump. Isto acontece pois na política americana, o Partido Democrata (do Republicano nem vale a pena falar) experimenta um degradação terrível, sendo aliás por isso que um indivíduo como Donald Trump tem hipótese de ganhar. Posso até se calhar dizer que essa degradação é tão catastrófica, ou até mais do que aquela que acontece no partido Republicano. Pelo menos para mim é isso que parece. Portanto, aqui afirmo, se fosse americano, provavelmente não votaria, ou então votaria nalgum candidato dito menor, que dadas as circunstâncias, se calhar seria maior.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Meu Euro 2016

Cumpre-se amanhã um mês sobre a data em que Portugal conquistou o campeonato da Europa de Futebol. Agora que regressei do Brasil, onde estive durante um mês, faço o relato do que foi o meu Euro.
O meu Euro começou em Madrid. Foi lá, num pequeno restaurante tipicamente espanhol, onde assisti ao primeiro jogo de Portugal contra a Islândia. Fiquei um pouco desiludido, esperava mais, principalmente depois de estarmos na frente do resultado. O segundo jogo foi no dia em que regressei a Portugal. Assisti um bocado da primeira parte na recolha de bagagens do aeroporto do Porto, e à segunda parte em casa. Deu para ver que as coisas estavam difíceis. Seguiu-se o imensamente nervoso jogo contra a Hungria. Assisti em casa. Este sim foi emocionante, e ficou a ideia de que para um Portugal fraco, já tinha sido quase um milagre conseguir recuperar três vezes. Seguiu-se o jogo contra a Croácia, o tal que parecia estar a durar cinco horas. A Croácia era melhor, ou então estava claramente melhor que nós, mas julgo que conseguimos anular o jogo deles, e no final do prolongamento, chegou a nossa hora. O jogo dos quarto foi o último que assisti em Portugal. Vi o jogo numa esplanada da rua de Ceuta abaixo do Infante de Sagres. Cheguei ligeiramente atrasado, por isso falhei o golo da Polónia, que aconteceu quanto estava a virar da rua de Avis mesmo à porta do Infante de Sagres. Convenci-me que estávamos praticamente eliminados. Mas o miúdo empatou, e o nervosismo cresceu. Fiquei bastante mais nervoso depois de empatarmos do que antes, enquanto perdíamos. Havia a ideia de que aquilo podia ser nosso. E foi, nos penalties. A seguir houve uma viagem para o Brasil, no dia 5. Dia 6 era dia de meia final. Copacabana, Rio de Janeiro. Estava imensamente confiante, achava que não íamos falhar a final. Primeira parte com alguma tremideira, segunda parte entrada fortíssima, dois golos em cinco minutos, e de seguida um sábio controlo do jogo, em que até podíamos ter marcado mais. No dia seguinte, ficámos a saber que o adversário seria a França, depois daquela meia final contra a Alemanha, a que assisti no auditório número 3 do IMPA, no Rio de Janeiro. Dia 10, dia da final. Sol no Rio de Janeiro. Um botecozito em Ipanema foi o local escolhido para ver se era desta que éramos campeões, contra o carrasco a quem não ganhávamos há 40 e tal anos, e todas as vezes que tal acontecera, sempre a feijões. Tínhamos assistido aos típicos dias franceses, dias de muita letra, muita gabarolice. Tinha dúvidas se seríamos campeões, mas da maneira que Portugal jogava, parecia-me que não era lá muito boa ideia da parte deles encher o peito de gabarolices. Podíamos ter dificuldade em marcar, mas parecia-me ser ainda mais difícil alguém ganhar a Portugal. Só a Polónia nos tinha metido um golo na fase a sério da competição. Aos 20 minutos parecia que a coisa não ia correr lá muito bem, com a lesão do Cristiano, uns anos depois da lesão o Ronaldo fenómeno no mesmo estádio também numa final. Aos 90, acreditei, depois do remate do Gignac ir ao poste. A seguir veio o prolongamento, e aí fomos claramente superiores aos franceses. O engenheiro leu bem o jogo e resolveu meter o Éder, jogou uma cartada táctica e ganhou, pois a partir daí Portugal melhorou e tomou conta do jogo, pelo prolongamento adentro. E a seguir veio o remate, à Eusébio. Para o Golo. Olhe o Gol! Olhe o Gol! Olhe o Gol! gritavam os comentadores brasileiros, ao que se seguir um arranjo calypso, à brasileira, do hino Português. Aguardar, aguardar, até podíamos ter marcado o segundo. Mas um já chegou. Campeões! Hora de festejar em Ipanema!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Pet Sounds

Não sou o que se pode chamar de grande fã dos Beach Boys. Mas sou um grande fã de Pet Sounds. A propósito do concerto do Brian Wilson revisitando o lendário álbum no festival Primavera Sound que decorreu no Porto no passado fim-de-semana, ouvi repetidamente o álbum na passada semana. Não vi o concerto pois não estive no Porto. Mas tenho que confirmar que este é, de facto, um grane álbum pop. Uma das coisas que mais me agrada no álbum é o estilo de produção 'Wall of Sound', à la Phil Spector, algo que o Brian Wilson sempre destacou com sendo verdadeiro. Sempre gostei e sempre me intrigou bastante este estilo de som que sai do álbum Pet Sounds. Ouça-se por exemplo a primeira faixa, 'Wouldn't It Be Nice'. Põe-se o álbum a tocar e parece que estamos a ouvir uma banda a tocar a pista de fundo numa sala ao lado e nós a ouvir do outro lado da porta o resultado muito reverberado a ecoar para o sítio adonde estamos. Parece que o solista que canta está mesmo ao nosso lado e que o coro com as vozes de fundo à la Beach Boys estão connosco nessa sala onde nós estamos a cantar por cima da faixa instrumental que pusemos a tocar. Concluindo, um álbum fixe.