sábado, 25 de abril de 2009

As conquistas/promessas de Abril

Nós portugueses estamos desiludidos com as promessas inerentes ao 25 de Abril. Mas relativamente às conquistas parece estar tudo bem, principalmente quando essa terra que é Santa Comba Dão conquistou, no dia em que se festeja a liberdade da nossa pátria, um busto para o carrasco dessa liberdade durante quase 40 anos. Talvez fosse esta uma das famosas conquistas do 25. Portugal pode estar a ensinar algo aos outros, talvez o camarada Fidel levante, um dia, um busto em Habana ao Fulgencio Batista, e já agora no dia da revolución.

Voltando-me para a música, um grande disco para ouvir hoje é o "Venham Mais Cinco" do Zeca, gravado em Paris em 1973.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Geração QI ou Herança Inteligente

Uns camaradas do 12º Ano estão a desenvolver um projecto no âmbito da disciplina de Área de Projecto relacionado com os testes de QI.

Aqui fica o link para o blog do projecto, onde se poderá seguir mais de perto o trabalho, bem como responder a um inquérito que ajudará na feitura do mesmo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Roteiro para a Matemática

O presidente da República resolveu dedicar à Matemática um dos seus roteiros para a Ciência, que vai ter lugar durante os dias de hoje e de amanhã. A razão é que a iliteracia evidente neste domínio constitui um "obstáculo ao desenvolvimento" do país, pois o conhecimento matemático cada vez mais abrange uma mais vasta área de aplicações, apesar de estar camuflado e por isso invisível aos olhos de muita gente, e de importância maior para a evolução da humanidade em diversos campos.

Devido a esta importância fundamental, há muito que fazer, e estes roteiros são passos minúsculos, que apenas podem ter impacto, não no avanço em si, mas no despertar para passos maiores e de maior alcance, esses sim que podem mudar alguma coisa. Esperemos que o consigam.

domingo, 12 de abril de 2009

Gran Torino


Mais um grande filme do Clint Eastwood que é indispensável ver, onde, para além de realizar, participa também como actor, algo que já não acontecia desde o grande "Million Dollar Baby" de 2004. Juntamente com o "Changelling", já referido em post anterior, o Clint brinda-nos com outra grande película.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Gostos...discutem-se

Todos nós já travámos conversas que culminam na típica e enfadonha frase: "Gostos não se discutem". Tão típica, que ninguém a questiona. Acontece que é dela que eu discordo, daí que a considere enfadonha.

Esta frase tem, a meu ver, um carácter muito estranho, pois é dogmática, taxativa e anti-humana. Dogmática pois impede a discussão de um tema, que obviamente deveria ser discutido, pois com a inteligência que Deus nos deu (ou não), devemos discutir tudo. Taxativa pois tem o poder assustador de acabar com uma conversa. Mas mais surpreendentemente, é anti-humana, daí a estranheza que eu lhe atribuo, pois quando é invocada, ao acabar com uma saudável tertúlia, está a acabar com uma materialização do maior tesouro da humanidade, a discussão alicerçada na argumentação lógica.

O gosto advém do juízo de valor, e assim, do abstracto, do subjectivo, o que dá azo a uma grande variabilidade, reveladora de riqueza. Acontece que a meu ver, esta riqueza não pode ser ou ficar estática, tem de revelar o dinamismo característico da humanidade, e esse dinamismo tem de ser conseguido através da discussão, do simples acto de falar, não numa perspectiva manipuladora dos gostos de outrem, mas numa perspectiva de apresentação e de confronto dessa rica variabilidade.

É por tudo isto que eu julgo que os gostos se discutem.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Aïda

Parte dos meus gostos musicais situam-se no domínio da música erudita, e foi nesse âmbito, mais precisamente no da ópera, que passei uma boa noite, ontem, no grande Coliseu da nossa Invicta.

A ópera foi a Aïda, uma das obras-primas do Giuseppe Verdi, um dos reis da ópera, (fez 37 durante a vida!), estreada no Cairo em 1871. Conta com passagens musicais famosas (no jogo do Porto em Manchester ouviu-se uma dessas passagens a ser entoada pelas claques), para além de ser, talvez, cenicamente, a ópera mais impressionante alguma vez realizada, muito pela temática forte do Antigo Egipto. A meu ver, a performance foi muito boa, mas o que mais me marcou foi a componente visual imponente.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tom Waits

Um vídeo do António Pinho Vargas a tocar a sua fabulosa peça de homenagem ao Tom Waits. Segundo palavras do próprio, conheceu a arte do Tom Waits através dos discos que o Rui Veloso lhe emprestou, fazendo a pirataria da época, a cópia para cassettes, isto por volta de 1981, quando tocou no disco "Fora de Moda". ele diz que ficou impressionada com a música, mas, sobretudo, como quase toda a gente, com a voz: cavernosa, rouca, concerteza com muito tabaco, muito whiskey, e sabe-se lá mais o quê. Mais tarde fez esta música, que diz ser, mais do que um tributo, uma homenagem, e que segundo o Pedro Burmester faria o Pinho Vargas rico, se ele fosse norte-americano. É de realçar que o Tom Waits provavelmente não sabe da existência da música.
Aqui na sua versão piano solo, ainda mais sentida e intimista. Se o Tom Waits soubesse da música, só poderia dizer o mesmo que eu digo - Lindo!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Jazz'n Gaia

O meu dia de ontem foi altamente estranho, começando pelo facto de que se passou quase exclusivamente em Gaia. Grande parte do dia foi passado no Regimento de Artilharia nº 5, da Serra do Pilar, em que fui severamente atacado pelo tédio da futilidade do dia da defesa nacional, tédio digno de lembrar a poesia ortónima de Fernando Pessoa, ou o grande Franz Kafka e o seu cansaço diário face ao acto burocrático e rotineiro, obrigativo, mas desprovido de qualquer sentido no prisma daquela coisa que é a inteligência humana.

Depois do fim desta coisa, estava ciente que precisava de um antídoto do melhor possível, e não havia dúvidas de que só podia ser música. E foi assim que fui assistir ao fabuloso primeiro dia do festival "Jazz'n Gaia". O primeiro artista da noite era da casa, o grande António Pinho Vargas, que nos brindou com as sublimes versões piano solo das suas músicas, agradecendo ao público da sua terra (onde já não tocava desde 1985!) com o encore, "Cantiga para Amigos".

Depois seguiu-se um senhor do outro lado do Mundo, o Italo-norte-americano Al di Meola, tocando em trio, mostrando toda a influência marcadamente flamenga da sua música, (lembrar o disco "Elegant Gypsy", 1977, altamente recomendado), sempre com um virtuosismo inacreditável. Nunca tinha visto ninguém tocar daquela maneira. Já me doíam os dedos só de ver, no fim da performance dele. Tempo ainda para um regresso para um triplo encore, entre os quais o clássico "Spain" do Chick Corea.

Em suma, um concerto fabuloso, do melhor que já vi: 5-stars!