sexta-feira, 3 de abril de 2009

Jazz'n Gaia

O meu dia de ontem foi altamente estranho, começando pelo facto de que se passou quase exclusivamente em Gaia. Grande parte do dia foi passado no Regimento de Artilharia nº 5, da Serra do Pilar, em que fui severamente atacado pelo tédio da futilidade do dia da defesa nacional, tédio digno de lembrar a poesia ortónima de Fernando Pessoa, ou o grande Franz Kafka e o seu cansaço diário face ao acto burocrático e rotineiro, obrigativo, mas desprovido de qualquer sentido no prisma daquela coisa que é a inteligência humana.

Depois do fim desta coisa, estava ciente que precisava de um antídoto do melhor possível, e não havia dúvidas de que só podia ser música. E foi assim que fui assistir ao fabuloso primeiro dia do festival "Jazz'n Gaia". O primeiro artista da noite era da casa, o grande António Pinho Vargas, que nos brindou com as sublimes versões piano solo das suas músicas, agradecendo ao público da sua terra (onde já não tocava desde 1985!) com o encore, "Cantiga para Amigos".

Depois seguiu-se um senhor do outro lado do Mundo, o Italo-norte-americano Al di Meola, tocando em trio, mostrando toda a influência marcadamente flamenga da sua música, (lembrar o disco "Elegant Gypsy", 1977, altamente recomendado), sempre com um virtuosismo inacreditável. Nunca tinha visto ninguém tocar daquela maneira. Já me doíam os dedos só de ver, no fim da performance dele. Tempo ainda para um regresso para um triplo encore, entre os quais o clássico "Spain" do Chick Corea.

Em suma, um concerto fabuloso, do melhor que já vi: 5-stars!

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