quinta-feira, 9 de abril de 2009

Gostos...discutem-se

Todos nós já travámos conversas que culminam na típica e enfadonha frase: "Gostos não se discutem". Tão típica, que ninguém a questiona. Acontece que é dela que eu discordo, daí que a considere enfadonha.

Esta frase tem, a meu ver, um carácter muito estranho, pois é dogmática, taxativa e anti-humana. Dogmática pois impede a discussão de um tema, que obviamente deveria ser discutido, pois com a inteligência que Deus nos deu (ou não), devemos discutir tudo. Taxativa pois tem o poder assustador de acabar com uma conversa. Mas mais surpreendentemente, é anti-humana, daí a estranheza que eu lhe atribuo, pois quando é invocada, ao acabar com uma saudável tertúlia, está a acabar com uma materialização do maior tesouro da humanidade, a discussão alicerçada na argumentação lógica.

O gosto advém do juízo de valor, e assim, do abstracto, do subjectivo, o que dá azo a uma grande variabilidade, reveladora de riqueza. Acontece que a meu ver, esta riqueza não pode ser ou ficar estática, tem de revelar o dinamismo característico da humanidade, e esse dinamismo tem de ser conseguido através da discussão, do simples acto de falar, não numa perspectiva manipuladora dos gostos de outrem, mas numa perspectiva de apresentação e de confronto dessa rica variabilidade.

É por tudo isto que eu julgo que os gostos se discutem.

1 comentário:

Anónimo disse...

sim senhor.

tenho um amigo que ainda diz pior...gostos nao se discutem, lamentam-se. mas nesta frase ja é diferente a interpretação, pois ao lamentarmos algo estamos a discutilo do ponto de vista subjectivo e não a refuta-lo na frase que mencionas-te - mais uma futil da nossa sociedade de hoje em dia. Mas assim mesmo é o ser humano - o animal mais inteligente e ao mesmo tempo o mais estupido de todos que habita o planeta Tera. Continua filipe... e vai passando no meu verticeredondo.wordpress.com

Diogo.Leal