sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nacionalize-se

Sem querer entrar em muitas políticas, partilho uma opinião que tenho tido nos últimos tempos. Em discussão com alguns amigos, dei a minha ideia relativamente à fórmula reinante do capitalismo destes dias: nacionalizar prejuízos e privatizar lucros. Sob este prisma deu-se a nacionalização do BPN. E o exmo. Cavaco que abençoou esta aquisição de prejuízos, veio agora dizer que a actual administração não deu conta do recado. Enfim, está a tentar mandar para o mecânico um carro estragado que pertencia aos seus compinchas, little droogies, "brothers in arms" de outros tempos e que estes estragaram, e em última instância, atirar a culpa para o mecânico. A amizade já não é o que era: tanta ingratidão para os seus amigos de peito.

E mais não digo, bom 2011 para todos.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal

Hoje estou numa de Jethro Tull. Já contava, mais logo, por o grande "Jethro Tull Christmas Album", ao qual já fiz uma "crítica" há um par de anos, a rodar no leitor. Mas o certo é que hoje a única coisa que me apetece ouvir é música dos Jethro. Comecei com o "Thick as a Brick", e em breve terei de passar para o "Aqualung", e este ritmo vou percorrer toda a discografia.
Seja o que for vindo dos Jethro, é bom, e para um bom Natal é sempre preciso música boa.

Feliz Natal a todos, e parabéns ao Newton, que faz anos amanhã.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

(H)Ar de Rock

This is the one that started it all. Antes de 1980, e do Ar de Rock do Rui Veloso, havia algum Rock em Portugal. Depois, passou a haver muito e bom. Este foi, sem dúvida, o catalisador do "boom" do ROck Português nos anos 80. Foi a partir daqui que começaram a chover grandes rockalhadas, todos os anos, para todos os gostos: o mais puro, diríamos, com os Xutos e os UHF, a sofisticação pós-moderna, underground, dos GNR, o jazz-rock dos Jáfumega, o rock à moda do Porto dos Trabalhadores do Comércio, and many more. Carlos Tê mostra pela primeira vez o seu génio como um dos grandes letristas de sempre.
Em suma, talvez não seja o melhor disco dele, dez anos depois sairia o marcante" Mingos & os Samurais", mas este, a meu ver é o mais cool.
30 anos depois, o Rock português deve muito a este álbum.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

IMAGINE

My homage to John Lennon, in a single word, which I think that is enough: IMAGINE




segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Chuva de Novembro

Enquanto escrevo estas linhas, chove lá fora. É a chuva de Novembro. Na verdade são duas chuvas fazendo músicas diferentes. Lá fora, uma destas faz a sua melodia batendo no vidro, a outra sai do sistema de som, a tocar o "Use Your Illusion I" dos Guns N' Roses. Gosto dos Guns ( os Guns destes tempos idos, claro). No meio da década de 1980, depois da decadência do Punk, alguns dos clássicos, como os Queen, a passar por momentos, a meu ver, menos produtivos e inspirados, os Guns resolveram então partir para um reedição de um passado não muito distante. Por um lado, Rolling Stones, claro, sempre eles. Pelo outro, e que eu acho o principal, a concepção musical que apostava num regresso às origens, ao rock mais clássico, mais puro, chamemos-lhe assim, abandonando a tendência de uma década de som demasiado produzido por vezes, algo distante, para outro som mais tradicional, e, a meu ver, muito mais enjoyable e cool, e, pela autenticidade, mais rockeiro, com o Slash, com toda a sua influência blues, a fazer lembrar o som dos bons e velhos Led Zeppelin, ou Deep Purple, etc..

Para mim o "Use Your Illusion I" não é o melhor álbum da banda, nem esta música é a minha preferida deles. Continuo a preferir o "Appetite for Destruction". Mas já que estamos em Novembro, a sugestão é a clássica balada "November Rain" do referido álbum. Rock it.



iNIGMA

Aproveito para fazer uma pequena publicidade ao:

domingo, 31 de outubro de 2010

Maradona & Gardel

Pela primeira vez no historial deste meu blog, vou falar de futebol. A razão é só uma, Diego Armando Maradona. Será ele o melhor de sempre?, pergunta recorrente em conversas sobre a bola. Não sei responder, este tipo de questões sobre o melhor, ou o maior, sempre foram para mim um bocado problemáticas. Prefiro sempre falar dos maiores de sempre. Aí, sem dúvida o nome dele irá figurar. Não o vi jogar, não é do meu tempo. Quando comecei a ver futebol foi exactamente na fase decadente da carreira dele. Tenho pena. Assim, tenho de me contentar com os relatos de quem viu e com os vídeos. Esquecendo la mano de Diós, vou ao Youtube e vejo-o fintar meia equipa e concluir aquele que eu não sei se será o golo do século, (mais uma vez a tal história do melhor), mas certamente um dos melhores. Vejo-o levar o Nápoles ao topo do mundo, com o Vesúvio em background, a assistir passivamente à contínua erupção do futebol de um gigante de 1,65m. Ao mesmo tempo, e eu tenho uma visão um tanto poética disto, oiço Gardel. Creio que se ele tivesse visto aquele modo de jogar, teria achado que era a mais directa equivalência entre os seus tangos e o futebol. A dança da bola e dos pés, a agressividade, a raça, que encontramos quer no tango quer no jogo. Ainda às vezes me parece que Maradona era o Tango aplicado ao futebol. Gardel, ou Piazzolla, mas certamente era tango.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

All things Must Pass

I don't know why I'm here, and I don't know why I am like this. I just know it is and feels horribly inside, and mainly, I don't want to feel it, but I do: I feel anger, the Dark Side I feel as Yoda would say. Right now, the teacher is impersonating Euclid, and I can imagine him happy writing his great Elements. Unfortunately, as a math would say, the converse is not true, i'm not happy listening to them. I look left, i feel pain, i'm rancorous. I turn right, it will make me feel better, i breathe, i'm pushed to look left again, till I reach the limit and I must take another rest, with a deep breath. My turntable is surrounded by hard and harsh stuff, i see myself behind "The Wall" like Pink, I'm listening to "Comfortably Numb", and crying to the guitar solo, i'm asking for help and for somebody to ocupy my brain, and to break my shy shell. I don't like to blame people, but this is your fault. Nevermind, tomorrow is another day, and that day I'll look left in full time, not with interruptions, with a smile, feeling and enjoying the beauty of all things in this life and of all people on it. It will happen someday, because you're right George, "All Things Must Pass".

deus vs Deus

Mais ou menos um mês atrás, quando arrotei o post em que me referi ao (des)acordo pornográfico, perdão, ortográfico, se bem que o primeiro adjectivo também encaixava bem devido ao carácter perverso do dito documento, escrevi intencionalmente deus conforme o fiz agora, ou seja, com letra minúscula, e estou certo que tal não ofenderá nenhum crente, e, principalmente, creio que do mesmo modo não ofenderá aquele que seria o principal queixoso, digo seria pois parece-me que uma condição primeira para algo ou alguém se apresentar como queixoso é, antes de mais, existir, o que neste caso não está nem estará nunca provado. Bem, confesso que fiquei um pouco estupefacto quando o corrector ortográfico automático me apontou um erro na dita palavra, e mais ainda quando "corrigi" para letra maiúscula para ver o efeito e o dito erro desapareceu. Que é isto, pá, pensei, esta treta está a gozar comigo pá. O poder desse tal senhor é tanto que até consegue gerar erros em computadores, vejam bem!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

October

Já que não os fui ver a Coimbra aqui fica uma sugestão para este mês de Outubro: October, 1981, e que contém uma das minhas música preferidas de sempre da obra deles, "Gloria".


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ouve, escuta, sente

Hoje é o dia mundial da música. E eu, com a minha dependência compulsiva, acho tal ideia de haver um dia mundial para a música um grande disparate. Todos aqueles para os quais o som é o pão nosso de cada dia, e não conseguem viver sem ele, devem ter uma visão deste dia mais ou menos parecida coma a minha. Considero a música uma coisa tão natural, fascinante, viciante, e mais não sei quantas coisas numa lista quase infindável de qualidades, e considero-a de tal modo necessária para o bom funcionamento do organismo, almost drug-like, pelo menos para mim assim o é, que uns dias sem uns bons momentos de música, de preferência em CD, ou, se possível, no saudoso vinil e fico imediatamente num estado abaixo do aceitável, que só se reergue com uma boa dose da dita substância. Assim, compreendia muito mais a existência de um dia sem música, (se bem que, obviamente, caso houvesse possibilidade esse dia não iria ter adesão, pela parte que me toca), pois a existência de tal dia significaria que se tratava da confirmação da excepção de passar algum tempo sem ouvir música.

Deixo-me destas divagações um pouco forçadas, (esta minha última ideia sobre o dia sem música foi só uma metáfora aparvalhada para forçar a tese pretendida), e aproveitando a estrutura da epígrafe de Ensaio sobre a Cegueira, do grande Saramago, para materializar um encadeamento de acções que há muito tempo se me tinha perfilado no espírito, (na verdade, honestamente, mesmo bastante antes sequer de saber da existência da magnânima obra, e por conseguinte, da sua bela epígrafe), termino esta minha ode à música deixando a única sugestão que poderia fazer:

"Se podes ouvir, escuta. Se podes escutar, sente."

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Équinoxe


Hoje é dia de Equinócio, e por isso deixo esta recomendação que creio vir a calhar, o álbum Équinoxe, Jean Michel Jarre, 1978. Na mesma linha do predecessor, o grande "Oxygène", talvez um pouco mais sofisticado a nível dos instrumentos electrónicos, mas mantendo o carácter muito orgânico e essencialmente melódico típico da música dele, que o distinguia dos seus contemporâneos,
como os Kraftwerk com um estilo mais futurista, mais robótico e pesado, ou o mais cósmico, se é que podemos chamar assim, dos Tangerine Dream, mantendo também a estrutura, que eu, num certo sentido, gosto de ver como sendo uma sinfonia de música electrónica em vários movimentos. É ouvir!

sábado, 18 de setembro de 2010

(Des)acordo

Este post destina-se a revelar a minha posição (que faz algum tempo já deveria ter materializado), relativamente ao novo (bem, devido à minha demora já não é assim tão novo), (des)acordo ortográfico.

A minha posição é obviamente a do não, nunca a esta enorme perversão deste património que é a nossa bela língua portuguesa. Este blog, e este autor (modéstia à parte chamar-me autor, mas o que é certo é que este último precede o primeiro), ao longo dos seus tempos de vida, nunca irão usar esta malfadada e induzida cartilha sobre o uso da língua, curiosamente denominada de "acordo", quando na verdade consagra apenas o desacordo, e esta posição é por uma questão de princípio: o português arcaico assim se tornou pois os tempos passaram e eles mesmos também se tornaram épocas arcaicas. Agora pretende-se mudar o português enfiando-o num colete de forças com a bandeira brasileira por fora, mas com um lema diferente, "Desordem e Progresso", e este último, a existir, a dar-se no sentido errado.

Assim, mesmo daqui a 50 anos, se este blog ainda estiver de pé, isto se a internet, por essas alturas não for já transcendente e tiver ocupado o lugar de deus, se ele existir, e por princípio de agnosticismo terei de encerrar o blog, o nosso português continuará a imperar nesta parcela de terreno que possuo na internet.

P.S.: O grosso desta breve prosa foi escrito numa aula de álgebra computacional da passada semana, na verdade, foi a aula, e num certo sentido, A Aula em que a Terra Parou.

domingo, 12 de setembro de 2010

Claude Chabrol

Faleceu hoje com 80 anos de idade o realizador francês Claude Chabrol, um dos principais nomes da Novelle Vague francesa dos anos 60. Anteriormente à carreira de realizador foi crítico de cinema na prestigiada revista, ainda hoje existente, Cahiers du Cinéma, na qual também escreviam os futuros gigantes do movimento, François Truffaut e o grande, e a meu ver expoente máximo, Jean-Luc Godard, onde construiram teorias defendendo o dito cinema de autor e defendendo que o realizador devia assumir esse papel. Tal como estes fariam futuramente, deixou-se de faladura, (no sentido positivo da palavra, claro) e resolveu passar à acção e fazer filmes.

Le Beau Serge, (Nas Garras do Vício), 1958, de Chabrol é geralmente considerado como o primeiro filme da Nouvelle Vague. Aqui são já visíveis alguns brilhantes traços estilísticos, moldados num, ainda nos dias de hoje, (e cada vez mais, ao que parece, nos caminhos que vemos o cinema a percorrer actualmente) desconcertante vanguardismo, integrado num sentimento progressista, algo rebelde e iconoclasta contra o sistema, que já na altura se encontrava concentrado no império de Hollywood. Deixo então este filme como recomendação em homenagem ao autor. Abordarei a Nouvelle Vague futuramente.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

The Ghost Writer


Fui ver "The Ghost Writer" de Roman Polánski. Embora não sendo uma proverbial obra-prima do cinema, (esse status, já ele o conseguiu obter com "The Pianist", 2002), julgo que se trata de um filme que vale muito a pena ver, e analisando em retrospectiva, um dos filmes que vi este ano de que mais gostei. Forte a nível estilístico e artístico, (marca claríssima da parte do realizador), um bom thriller, que explora de forma convincente os terrenos arenosos da política e afins.

Destaque para uma performance bastante consistente do Ewan McGregor no papel de escritor fantasma. É um dos actores que mais aprecio em tempos recentes. Uma menção para uma participação especial de Eli Wallach, que aos 95 anos de idade, faz o pequeno papel de um velhote, que tal como o de Hemigway, viver perto do mar, ele que será, para sempre, "O Vilão".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Serralves em Festa

Tem lugar no próximo fim de semana mais uma edição, a sétima, do festival "Serralves em Festa". Música, arte, etc., num dos locais mais aprazíveis da cidade do Porto, num grande evento, a não perder.


domingo, 25 de abril de 2010

Mudam-se os tempos...

Uma sugestão musical para hoje, que vem mesmo a calhar com o dia: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", José Mário Branco, 1971.

The Hurt Locker

Fui um destes dias ver o vencedor da edição deste ano dos Óscares, The Hurt Locker - Estado de Guerra. Fiquei um pouco desiludido. Mentira, muito, o filme foi uma valente.... A qualidade do filme não consta, a meu ver, da lista de atributos que o fizeram ganhar o Óscar, nomeadamente do argumento, que também ganhou o respectivo prémio, algo que eu considero completamente absurdo. Comparando agora com outro filme que era candidato, "Inglourious Basterds" de Quentin Tarantino, prefiro este último por uma grande margem, sem dúvida. Quanto a dizer que este é o melhor filme sobre a história recente do Iraque, também discordo. Já há bastante tempo atrás, dediquei um post ao filme "Body of Lies" de Ridley Scott. Até ao momento este é o que eu acho melhor relativamente a essa temática terrorismo/Iraque. Assim escolheu a academia, e não pretendendo eu incitar a teorias da conspiração, creio que aproveitou uma boa ocasião para dar o prémio a uma realizadora, pela primeira vez na história.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Uma questão de semântica

Ontem descobri uma coisa da qual já suspeitava havia bastante tempo. Acontece que quando essas suspeitas nos influem mais directamente, passam antes a ser certezas, tal como me ocorreu ontem.

Se querem aprender matemática, antes disso aprendam português, ou a vossa língua materna, antes de qualquer outra coisa. Existe na Faculdade de Ciências do Porto, no início do 1º semestre, um dito curso de pré-cálculo, destinado a lançar alguns fundamentos aos alunos de matemática recém-chegados. Sublevo-me agora para a criação de um curso de pré-português na mesma faculdade. Para já ainda estou numa maré de grande indecisão sobre o público-alvo. Serão mesmo os alunos os que mais precisam de tal coisa? Não sou o proverbial mestre desse artifício que é o domínio da nossa língua, e não me arrogo de tal coisa. Mas considero-me minimamente capaz nessa faculdade.

Acabo endereçando um sentido pedido de desculpas a quem tiver lido este texto e aturado até ao fim estas muito pessoais divagações, e as acharem, com alguma legitimidade, dignas de um mitómano.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Shutter Island - by Scorcese


Estreou hoje o último filme do Martin Scorcese. E eu já fui ver.

Vindo de quem vem, estava com bastantes expectativas para este filme. Não fiquei desiludido, gostei bastante. Estava à espera que fosse desta que ele fizesse um filme melhor que alguns dos seus mais recentes que me tinham desapontado (uma excepção para The Departed, 2006). Estava à espera que fizesse algo mais perto do nível do Scorcese do Taxi Driver, do Raging Bull ou do Goodfellas. Não chega bem lá, ao nível destes gigantes, principalmente o inesquecível Taxi Driver com o seu icónico "You Talkin' to me?", e que é um dos meus favoritos de todos os tempos. Mas ele fez um filme mesmo muito bom, com o Leonardo DiCaprio a tentar ser para Scorcese o que o De Niro já tinha sido muitos anos antes. Desta vez o filme é um thriller/terror psicológico, com várias partes a lembrar o suspense de Hitchcock, mas também com claras influências expressionistas, e das atmosferas fantasmagóricas, enubladas, very smoky do film noir, que me fez lembrar Fritz Lang, bem como do terror dos Giallo Italianos.

Gostei, e por isso, este filme é altamente recomendado da minha parte. Não hesitem, vejam!

Invictus


Mais um filme do Clint Eastwood. Na generalidade achei que é um filme bom, mas claramente inferior a alguns anteriores como o excelente Gran Torino, por exemplo. O principal destaque vai, a meu ver, para excelente performances dos actores, quer do Matt Damon, mas, principalmente, do Morgan Freeman, que conseguiu encarnar de modo soberbo a grande personalidade que é o Nelson Mandela. Filme muito agradável, que não sendo obra-prima, proporciona momentos bastante bons.