domingo, 31 de outubro de 2010

Maradona & Gardel

Pela primeira vez no historial deste meu blog, vou falar de futebol. A razão é só uma, Diego Armando Maradona. Será ele o melhor de sempre?, pergunta recorrente em conversas sobre a bola. Não sei responder, este tipo de questões sobre o melhor, ou o maior, sempre foram para mim um bocado problemáticas. Prefiro sempre falar dos maiores de sempre. Aí, sem dúvida o nome dele irá figurar. Não o vi jogar, não é do meu tempo. Quando comecei a ver futebol foi exactamente na fase decadente da carreira dele. Tenho pena. Assim, tenho de me contentar com os relatos de quem viu e com os vídeos. Esquecendo la mano de Diós, vou ao Youtube e vejo-o fintar meia equipa e concluir aquele que eu não sei se será o golo do século, (mais uma vez a tal história do melhor), mas certamente um dos melhores. Vejo-o levar o Nápoles ao topo do mundo, com o Vesúvio em background, a assistir passivamente à contínua erupção do futebol de um gigante de 1,65m. Ao mesmo tempo, e eu tenho uma visão um tanto poética disto, oiço Gardel. Creio que se ele tivesse visto aquele modo de jogar, teria achado que era a mais directa equivalência entre os seus tangos e o futebol. A dança da bola e dos pés, a agressividade, a raça, que encontramos quer no tango quer no jogo. Ainda às vezes me parece que Maradona era o Tango aplicado ao futebol. Gardel, ou Piazzolla, mas certamente era tango.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

All things Must Pass

I don't know why I'm here, and I don't know why I am like this. I just know it is and feels horribly inside, and mainly, I don't want to feel it, but I do: I feel anger, the Dark Side I feel as Yoda would say. Right now, the teacher is impersonating Euclid, and I can imagine him happy writing his great Elements. Unfortunately, as a math would say, the converse is not true, i'm not happy listening to them. I look left, i feel pain, i'm rancorous. I turn right, it will make me feel better, i breathe, i'm pushed to look left again, till I reach the limit and I must take another rest, with a deep breath. My turntable is surrounded by hard and harsh stuff, i see myself behind "The Wall" like Pink, I'm listening to "Comfortably Numb", and crying to the guitar solo, i'm asking for help and for somebody to ocupy my brain, and to break my shy shell. I don't like to blame people, but this is your fault. Nevermind, tomorrow is another day, and that day I'll look left in full time, not with interruptions, with a smile, feeling and enjoying the beauty of all things in this life and of all people on it. It will happen someday, because you're right George, "All Things Must Pass".

deus vs Deus

Mais ou menos um mês atrás, quando arrotei o post em que me referi ao (des)acordo pornográfico, perdão, ortográfico, se bem que o primeiro adjectivo também encaixava bem devido ao carácter perverso do dito documento, escrevi intencionalmente deus conforme o fiz agora, ou seja, com letra minúscula, e estou certo que tal não ofenderá nenhum crente, e, principalmente, creio que do mesmo modo não ofenderá aquele que seria o principal queixoso, digo seria pois parece-me que uma condição primeira para algo ou alguém se apresentar como queixoso é, antes de mais, existir, o que neste caso não está nem estará nunca provado. Bem, confesso que fiquei um pouco estupefacto quando o corrector ortográfico automático me apontou um erro na dita palavra, e mais ainda quando "corrigi" para letra maiúscula para ver o efeito e o dito erro desapareceu. Que é isto, pá, pensei, esta treta está a gozar comigo pá. O poder desse tal senhor é tanto que até consegue gerar erros em computadores, vejam bem!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

October

Já que não os fui ver a Coimbra aqui fica uma sugestão para este mês de Outubro: October, 1981, e que contém uma das minhas música preferidas de sempre da obra deles, "Gloria".


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ouve, escuta, sente

Hoje é o dia mundial da música. E eu, com a minha dependência compulsiva, acho tal ideia de haver um dia mundial para a música um grande disparate. Todos aqueles para os quais o som é o pão nosso de cada dia, e não conseguem viver sem ele, devem ter uma visão deste dia mais ou menos parecida coma a minha. Considero a música uma coisa tão natural, fascinante, viciante, e mais não sei quantas coisas numa lista quase infindável de qualidades, e considero-a de tal modo necessária para o bom funcionamento do organismo, almost drug-like, pelo menos para mim assim o é, que uns dias sem uns bons momentos de música, de preferência em CD, ou, se possível, no saudoso vinil e fico imediatamente num estado abaixo do aceitável, que só se reergue com uma boa dose da dita substância. Assim, compreendia muito mais a existência de um dia sem música, (se bem que, obviamente, caso houvesse possibilidade esse dia não iria ter adesão, pela parte que me toca), pois a existência de tal dia significaria que se tratava da confirmação da excepção de passar algum tempo sem ouvir música.

Deixo-me destas divagações um pouco forçadas, (esta minha última ideia sobre o dia sem música foi só uma metáfora aparvalhada para forçar a tese pretendida), e aproveitando a estrutura da epígrafe de Ensaio sobre a Cegueira, do grande Saramago, para materializar um encadeamento de acções que há muito tempo se me tinha perfilado no espírito, (na verdade, honestamente, mesmo bastante antes sequer de saber da existência da magnânima obra, e por conseguinte, da sua bela epígrafe), termino esta minha ode à música deixando a única sugestão que poderia fazer:

"Se podes ouvir, escuta. Se podes escutar, sente."