sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ouve, escuta, sente

Hoje é o dia mundial da música. E eu, com a minha dependência compulsiva, acho tal ideia de haver um dia mundial para a música um grande disparate. Todos aqueles para os quais o som é o pão nosso de cada dia, e não conseguem viver sem ele, devem ter uma visão deste dia mais ou menos parecida coma a minha. Considero a música uma coisa tão natural, fascinante, viciante, e mais não sei quantas coisas numa lista quase infindável de qualidades, e considero-a de tal modo necessária para o bom funcionamento do organismo, almost drug-like, pelo menos para mim assim o é, que uns dias sem uns bons momentos de música, de preferência em CD, ou, se possível, no saudoso vinil e fico imediatamente num estado abaixo do aceitável, que só se reergue com uma boa dose da dita substância. Assim, compreendia muito mais a existência de um dia sem música, (se bem que, obviamente, caso houvesse possibilidade esse dia não iria ter adesão, pela parte que me toca), pois a existência de tal dia significaria que se tratava da confirmação da excepção de passar algum tempo sem ouvir música.

Deixo-me destas divagações um pouco forçadas, (esta minha última ideia sobre o dia sem música foi só uma metáfora aparvalhada para forçar a tese pretendida), e aproveitando a estrutura da epígrafe de Ensaio sobre a Cegueira, do grande Saramago, para materializar um encadeamento de acções que há muito tempo se me tinha perfilado no espírito, (na verdade, honestamente, mesmo bastante antes sequer de saber da existência da magnânima obra, e por conseguinte, da sua bela epígrafe), termino esta minha ode à música deixando a única sugestão que poderia fazer:

"Se podes ouvir, escuta. Se podes escutar, sente."

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