sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Rivolição

Há já uns anos atrás (na verdade, foram anos a mais nesta situação), aquando do processo que culminou na atribuição do Rivoli ao Sr. La Féria, ouviu-se e vislumbrou-se pela cidade a palavra Rivolição. Ainda sobram alguns exemplares dessa palavra pintados algures em paredes do nosso Porto. Depois desse episódio de má memória, "dark times have passed". Acontece que Rivolição é o que está por agora a acontecer nessa mui nobre sala da cidade, depois da saído do citado senhor, nomeadamente no corrente mês, com uma série de concertos que hoje se encerra com o grande José Mário Branco e que nos dá aquilo que faltou durante os últimos anos: variedade de oferta, contrariando o vazio originado pela estratégia adoptada para o Rivoli. Seguir-se-á o já tradicional Fantasporto. E creio ser este o rumo que a Invicta precisa, se bem que ainda tenho as minhas reservas sobre qual será o desfecho. A cidade do Porto e a cultura necessitam-se reciprocamente. Esperemos que, tal como no Casablanca, seja o (re)início de uma bela e frutífera amizade entre as duas.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hereafter

Exerço agora a minha veia de crítico de cinema. A vítima é o último do Clint Eastwood, "Hereafter". Digo eu para o filme, "come on baby....welcome to the Machine". O dito filme passou pela máquina sem dano, e tal deveu-se principalmente, ao facto de se tratar de um bom filme. É interessante constatar que o filme acaba por assentar em histórias de vidas bem reais, e são esses entes reais que pensam, especulam e se submergem na exploração das possibilidades do tema: a existência (ou não) de outras vidas. E tudo isto sem sermos postos com vendas nos olhos, que nos forcem a ir na direcção para a qual nos fomos obrigados a voltar, pois o filme, a meu ver, não nos sugere, em momento algum, que tomemos posição (céptica ou crédula) face ao tema. Ainda há tempo para um pequeno comentário, pouco relevante no contexto da história (ou melhor, das três histórias, encaixadas), mas apelando ao carácter social da questão e a abundância de 'charlatões e charlatonas', como diz o José Mário Branco.

At last, há que dizer que não sendo uma obra de proverbial genialidade, mais o vez o Clint, (que se calhar já consegue ser melhor realizador do que actor), não desilude e presenteou os espectadores com algo que a meu ver é muito bom, e extremamente satisfatório. Watch it!