terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Mundo da Música Pop


Há alguns anos atrás, creio que em 2007, ao subir a íngreme rua da Fábrica, no Porto, olhando para a montra de um daqueles alfarrabistas típicos vi um livro intitulado 'O Mundo da Música Pop'. A capa era muito sugestiva, com uma imagem estilizada, muitíssimo psicadélica dos Beatles. Comprei-o por 1 €. Quem estiver curioso e for convencido pela minha análise, ainda se pode lá deslocar e comprar, é fazer o esforço de subir a rua e ir olhando para o lado direito a ver se a imagem acima aparece nalgum livro de alguma montra, que ainda há algum tempo me lembro de por lá ver alguns exemplares.

O livro procede a uma análise bastante bem conseguida dos novos adventos musicais pop/rock da década de 60 do século passado, desde os primórdios e origens no Rock and Roll da década anterior, até à música Beat, dos anos 60, passando pelo Folk, Skiffle e pelas novas explorações psicadélicas e oriundas do blues características do fim da mesma década, ainda destacando o rise and fall do movimento hippie. De notar que o autor, uma vez que o livro foi originalmente publicado em 1969, ainda não pôde aquando da sua feitura proceder a uma análise posterior, por exemplo, ao completo 'esvaziamento' do fenómeno hippie, que só ocorreu de facto, já em plenos anos 70. Por isso, as referências a algumas bandas do na altura novo Hard Rock/Heavy Metal, como Led Zeppelin, são efémeras e ainda não muito assertivas devido ao recente surgimento destes novos agrupamentos musicais. Grande destaque é dado aos Beatles, nomeadamente da sua formação e origens musicais, o Rock and Roll e o Skiffle. Uma boa análise do movimento psicadélico, de destacar os Pink Floyd, uma banda da qual o autor tem uma opinião que positiva, essencialmente devido ao underground e ao vanguardismo da banda, que considera ser uma das componentes da dita comuna psicadélica, do mesmo modo que os Beatles eram, a princípio, representantes da comuna Beat (de notar que se refere apenas aos Pink Floyd desde a fase Syd Barrett ao pós 'A Saucerful of Secrets'). Referências aos novos caminhos do Pop/Rock via experimentação, e entrevistas a alguns dos personagens musicais mais relevantes destes novos caminhos, como o beginner Eric Clapton e a fusão Blues/Rock, ou o grande, e que ainda estou a crer que lhe façam justiça um dia, Frank Zappa, artista pelo qual o autor nutre uma grande admiração e que desde o início do livro não passa despercebida, até que o autor, honestamente, fala, mais adiante, abertamente desta sua admiração relativamente ao sempre vanguardista Frank Zappa.


O autor tem uma visão bastante apaixonada pela temática, por vezes um pouco tendenciosa relativamente a algumas facções musicais, mas de tal modo incisiva que capta completamente o leitor. Um documento histórico importante, uma vez que se trata de opinião sobre aquilo relativamente ao qual muita gente tem opinião nos dias de hoje, mas que possui a propriedade ('vantagem') de ter sido escrito in media res relativamente às mutações musicais dos sixties, o que torna mais difícil o papel do autor (que não pôde, assim, maturar as ideias que ostentava baseando-se em factos e eventos muito posteriores que ajudem ao esclarecimento do passado, estrutura na qual se baseia qualquer análise crítica ao assunto que seja efectuada hoje), mas que ao mesmo tempo o favorece, uma vez que lhe permite ir directo ao assunto, não se perdendo em subterfúgios inúteis, e fazendo a tal 'paixão musical' que já referi vir ao de cima.

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