quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Bibliotecário de Babel



Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo. Nascido no dia 24 de Agosto de 1899, ou seja, há 112 anos. Conhecido vulgarmente por Jorge Luis Borges. Pelo nome, poderia ser português. De facto, dizem os biógrafos que ele teve ascendência portuguesa, por parte de um bisavô oriundo da remota localidade transmontana Torre de Moncorvo, antes de emigrar para a Argentina. Borges nasceu em Buenos Aires, um nome muito bonito para se dar a uma cidade, que creio também ser lindíssima, mesmo nunca lá tendo estado. Adorava lá ir, e tenho que lá ir um dia, exijo-o a mim próprio. A cidade do tango, de Gardel que dizia lá ter nascido "aos dois anos e meio de idade", do futebol jogado como se de tango se tratasse como já me referi aquando de um post que dediquei a Maradona.

Borges é talvez o maior de todos os que não ganharam o prémio Nobel. Para muitos, o maior equívoco da longa história da Academia Sueca, juntamente com o James Joyce. Merecia-o. A juntar ao facto de nunca ter ganho, temos o de nunca ter escrito um romance. Ao longo do dia de hoje, o Google enfeitou-se em homenagem ao escritor
com a imagem acima. Um senhor, que pode ser o próprio Borges, ou posso ser eu, ou qualquer pessoa que esteja a ler estas linhas, perscruta um horizonte surrealista, labiríntico (os labirintos são lugares-comuns da sua obra), numa biblioteca potencialmente infinita como a sua idealizada Biblioteca de Babel, da qual eu o imagino como bibliotecário, daí o título que dei ao post. Borges começou a ter sinais de cegueira ainda por altura dos seus 40 anos de idade. Por volta de 1960 estava quase totalmente cego. Mas continuava a ver aqueles mundos fantásticos. Conforme era opinião de Saramago, Borges teria inventado a literatura visual. Conforme disse também o Nobel português no seu magnânimo 'Ensaio Sobre a Cegueira', há cegos que vêem. E agora acrescento eu, creio que Borges era um desses cegos que conseguiam ver.

Termino, para quem nunca leu, com uma sugestão, e agora vou ser conservador e não vou fugir da sugestão óbvia: 'Ficciones' uma colectânea de contos, inicialmente de 1944, uma torrente de histórias envolvendo algumas das estruturas preferidas do autor: sonhos, labirintos, enciclopédias, espelhos, escritores e obras fictícias, bibliotecas, religião, Deus, o tempo e o todo-poderoso infinito. Comprem, ou venham a minha casa e peçam-mo emprestado, arranjem o livro de qualquer maneira, mas por amor de Deus (lá estou a mandar o ateísmo pelo cano abaixo), leiam isto o mais cedo que puderem nas vossas vidas.

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