terça-feira, 20 de setembro de 2011

Morte por omnisciência

No ano de 2666, num local que se chamou de Terra durante séculos, um indivíduo encontra outro, um ancião, de barbas, aspecto de gajo porreiro. Boa tarde, diga-me isto aqui é o quê, pergunta o primeiro. É o que você está a ver, responde-lhe o outro. O primeiro indivíduo não perde tempo com tal resposta fútil, e riposta, Você é deus? Sim sou. O que faz aqui? Nada, era suposto fazer algo só por ser deus? Sabe que há quem diga que sim, mas enfim, porque está aqui? Estou aqui porque morri, responde-lhe deus. E deus morre, inquiriu o transeunte. Porque não, responde-lhe deus. Morreu devido a quê? Morri com uma overdose. Overdose de quê? Overdose de omnipotência. Como assim? Exerci a minha omnipotência e matei-me, simplesmente. E agora? Agora continuo a ser deus. Como é isso possível? Ressuscitei-me de seguida, e não tive problemas com as burocracias. O transeunte continuou a pensar nisto: que omnipotência é esta?, tal pergunta viveu no seu espírito nos anos seguintes, que diga-se, foram muitos, nomeadamente no ano 2666, que, evidentemente, sucede ao ano 2666, que por sua vez sucede o ano 2666 onde principia esta história.

Post-Scriptum de 2666: O uso do número 2666 deve-se a Roberto Bolaño, escritor que passou pela Terra há infinitos anos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Que isto é Bossa Nova, que isto é muito natural....

Hoje ouvi dois discos de Bossa Nova. São eles:

Stan Getz & Charlie Byrd - Jazz Samba (1962, Verve)



Getz/Gilberto (1964, Verve)


Ambos são clássicos, mas creio que o segundo leva vantagem sobre o primeiro: as batidas da guitarra do João Gilberto, o piano do rei Tom Jobim, a angelical voz da Astrud Gilberto, e o Stan Getz com um som ainda mais polido (se é que tal é posível, pois em 'Jazz Samba' já estava soberbo) que no primeiro disco que mencionei.

Fica aqui o "Desafinado" de onde extraí o título deste post!