domingo, 16 de outubro de 2011

Indignação

Ontem teve lugar um pouco por todo o planeta uma manifestação que foi baptizada como a manifestação dos indignados. Eu estive na que ocorreu na invicta e que mobilizou cerca de 20 mil pessoas. O único problema da manifestação do Porto foi que primou por um pouco de silêncio a mais. Lá se animou mais p'ra diante com algumas intervenções, bem como algumas tertúlias sobre algumas generalidade relacionadas com a situação actual. A da capital teve mais pontos de interesse pelo que foi descrito na comunicação social. Até não me importava de lá ter estado, isto apesar da minha geral aversão a algumas coisas dessa cidade. O que foi ocorrendo em todo o país é notícia nesses meios de comunicação, e não vou estar a recalcar o assunto. Vou antes falar de uma personagem da praça pública à qual tenho (sinto-me obrigado a tal) a tirar o chapéu (que por acaso não uso, mas esta é uma daquelas frases de catálogo). Essa personagem é o bastonário da Ordem dos Advogados. Marinho Pinto esteve presente no episódio de Coimbra desta manifestação global, ou antes dessa amostra, pois nesta cidade apenas se tratou de algumas centenas de pessoas, algo que me preocupa um pouco, numa cidade que tinha tudo para ser um importante pólo desta acção global, em virtude do seu carácter histórico como a terra da mais antiga universidade de Portugal, e este alheamento de grande parte da população desta saudosa cidade, nomeadamente das camadas mais jovens, pois creio, são elas a génese da sua população, não deixa de me parecer estranhamente paradoxal. O Bastonário dos Advogados a isso se referiu, dizendo que poderia haver facções da população que se sentissem representadas pelos profissionais do protesto. Concordo com ele neste ponto. Mas aquilo que mais quero destacar é a sua presença nesta manifestação, bem como uma quantidade de factos verdadeiros que referiu quando entrevistado. É de saudar que uma pessoa como o Marinho Pinto, que ocupa um cargo importante, se tenha resolvido associar a esta evento que marcou o dia 15 de Outubro, e que esperemos que volte a marcar outros dias. Entretanto, e enquanto esperamos pelo que vem aí, resta-me saudar esta posição do Marinho Pinto, que prima por muitas coisas, algumas delas já aparentes nos últimos anos nas posições que assumiu, mas que ontem, primou essencialmente pela inteligência, e sobretudo, pela coragem.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Morrison Hotel


Vou neste post revisitar o tema The Doors. De tempos a tempos, tenho esta necessidade de revisitação, fica sempre algo por dizer, e há sempre algo mais para acrescentar. Desta vez o que quero é sugerir o álbum 'Morrison Hotel', de 1970, o penúltimo antes da morte de Jim Morrison. Os Doors produziram diversos álbuns de qualidade excepcional, alguns deles disputam o título de obra-prima, e parece ser muito difícil haver decisão sobre qual é mesmo o melhor. Juntando este punhado de discos, ao ritmo a que foram produzidos (6 álbuns desde 1967 até 1971), à prematura morte do Rei Lagarto, tudo isto contribuiu para a criação de um mito. 'Morrison Hotel' foi o meu primeiro contacto com a banda, há já muitos anos (mais de 10, certamente), e foi via cassette. Uma daquelas de 90 minutos, 45 on each side, o que significava que lá cabiam dois álbuns. Num dos lados estava o 'Morrison Hotel', no outro lado estava o 'Combat Rock' dos Clash. A cassete foi ficando num estado cada vez mais deplorável, até que já não me arrisco a tocá-la mais, da última vez a fita quase se ensarilhou, o que ia fazendo um grande sarilho. Em Julho passado, no Porto, comprei o álbum em versão vinil. No dia seguinte, (que era 3 de Julho), ouvi Doors na rádio, lembraram-se dos 40 anos da morte do Lizard King. E nesse dia de manhã, ouvi o vinil. A experiência foi consideravelmente melhor do que ouvir em fita, já sabemos o que vale o vinil, e na verdade, o vinil vale mais que tudo em termos de qualidade sonora (melhor, só as bobines profissionais, ditas 'Master Tapes'). Estou a ouvir agora e tiro a mesma conclusão: o som purificado do vinil, mais a música que deitaram lá para dentro daquela rodela, WOOOOOOOOWWWWWWWWW.

Antes do 'Morrison Hotel' veio 'The Soft Parade' em 1969, em que eles cooperaram com uma banda sinfónica. Este álbum foi um back to the roots, e essas raízes consistiam, em parte de música Blues. A primeira faixa chama-se Roadhouse Blues, onde o Jim relata '
When I woke up this morning I got myself a beer. O nome podia enganar, mas os primeiros cinco segundos da música esclarecem-nos. E os clássicos seguem-se, 'Waiting for the Sun', o rockeiro 'You make me Real', 'Queen of the Highway', ou 'Maggie McGill', ou o sanguinário 'Peace Frog', cujos versos começam quase todos por blood, e que remetem para a guerra que se travava no Vietname.

O que resulta é um álbum
mais rockeiro (o lado A do disco chama-se Hard Rock Cafe), e fácil de ouvir (barato de ouvir, digamos assim, tal como os quartos anunciados na capa) e LA (que é a cidade americana onde eu mais gostaria de ir), por uns instantes, é já aqui ao lado.
'Blood in my love, in the terrible Summer, bloody red sun of fantastic LA.'