quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Morrison Hotel


Vou neste post revisitar o tema The Doors. De tempos a tempos, tenho esta necessidade de revisitação, fica sempre algo por dizer, e há sempre algo mais para acrescentar. Desta vez o que quero é sugerir o álbum 'Morrison Hotel', de 1970, o penúltimo antes da morte de Jim Morrison. Os Doors produziram diversos álbuns de qualidade excepcional, alguns deles disputam o título de obra-prima, e parece ser muito difícil haver decisão sobre qual é mesmo o melhor. Juntando este punhado de discos, ao ritmo a que foram produzidos (6 álbuns desde 1967 até 1971), à prematura morte do Rei Lagarto, tudo isto contribuiu para a criação de um mito. 'Morrison Hotel' foi o meu primeiro contacto com a banda, há já muitos anos (mais de 10, certamente), e foi via cassette. Uma daquelas de 90 minutos, 45 on each side, o que significava que lá cabiam dois álbuns. Num dos lados estava o 'Morrison Hotel', no outro lado estava o 'Combat Rock' dos Clash. A cassete foi ficando num estado cada vez mais deplorável, até que já não me arrisco a tocá-la mais, da última vez a fita quase se ensarilhou, o que ia fazendo um grande sarilho. Em Julho passado, no Porto, comprei o álbum em versão vinil. No dia seguinte, (que era 3 de Julho), ouvi Doors na rádio, lembraram-se dos 40 anos da morte do Lizard King. E nesse dia de manhã, ouvi o vinil. A experiência foi consideravelmente melhor do que ouvir em fita, já sabemos o que vale o vinil, e na verdade, o vinil vale mais que tudo em termos de qualidade sonora (melhor, só as bobines profissionais, ditas 'Master Tapes'). Estou a ouvir agora e tiro a mesma conclusão: o som purificado do vinil, mais a música que deitaram lá para dentro daquela rodela, WOOOOOOOOWWWWWWWWW.

Antes do 'Morrison Hotel' veio 'The Soft Parade' em 1969, em que eles cooperaram com uma banda sinfónica. Este álbum foi um back to the roots, e essas raízes consistiam, em parte de música Blues. A primeira faixa chama-se Roadhouse Blues, onde o Jim relata '
When I woke up this morning I got myself a beer. O nome podia enganar, mas os primeiros cinco segundos da música esclarecem-nos. E os clássicos seguem-se, 'Waiting for the Sun', o rockeiro 'You make me Real', 'Queen of the Highway', ou 'Maggie McGill', ou o sanguinário 'Peace Frog', cujos versos começam quase todos por blood, e que remetem para a guerra que se travava no Vietname.

O que resulta é um álbum
mais rockeiro (o lado A do disco chama-se Hard Rock Cafe), e fácil de ouvir (barato de ouvir, digamos assim, tal como os quartos anunciados na capa) e LA (que é a cidade americana onde eu mais gostaria de ir), por uns instantes, é já aqui ao lado.
'Blood in my love, in the terrible Summer, bloody red sun of fantastic LA.'

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