quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sandinista!

Esta breve prosa foi escrita na passada sexta-feira, dia 18, num banco do departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da UP.

A Santíssima trindade da música Punk, no sentido daqueles que praticamente o 'fundaram' e que mais influência exerceram no estilo e não só, é constituída, a meu ver, por Sex Pistols, Ramones e The Clash.
Desta tríade, os meus preferidos são os Clash, seguidos dos Ramones, apesar de entre as três bandas ser os Clash serem provavelmente aquela que menos representa o estilo. O estilo e a roupagem Clash estendem-se para lá daquilo que comummente se encontra associado à música dita Punk. Os Sex Pistols tiveram o tempo de vida mais curto, mas muito possivelmente são a que mais caracteriza o estilo, são talvez a ultimate Punk band. E os Ramones têm, se a assim se pode dizer a paternidade do género, pois são geralmente tidos como a primeira banda punk, apesar de já existirem antes bandas que anunciavam a vinda do estilo, como os Stooges, com o Iggy Pop, ou os MC5 e o seu lendário álbum "Kick Out the Jams"
, e, claro, os New York Dolls. Esta ideia de ver os Sex Pistols como o mais puro punk deve-se creio, ao facto de serem a que teve o tal tempo de vida mais curto. Apenas lançaram um álbum e o tempo foi muito curto para que na música ocorressem mutações sónicas, algo que inevitavelmente teria de ocorrer caso a banda durasse mais tempo e a matriz original caminhasse para a saturação. A juntar a isso, também há o facto de os Clash os Clash e os Ramones serem musicalmente, claramente superiores aos Sex Pistols.
Sob este prisma, os Clash são aqueles que se calhar, deste grupo até menos representam o universo Punk, de modo análogo ao que, muitos anos despois, se verificaria com os Pearl Jam, que já referi em post anterior, que sendo oriundos do Grunge, se diversificaram musicalmente, e também não são os mais representativos deste estilo a partir do qual começaram, (aqui o título de mais representativo fica muito possivelmente com os Nirvana, que também duraram pouco tempo).

Voltando aos Clash, creio que esta minha visão das coisas se torna evidente quando se escuta a obra-prima da banda "London Calling", ou quando se ouve, e aqui vou-me focar mais neste disco, o álbum triplo da banda, "Sandinista!" de 1980. Logo pela primeira faixa, "The Magnificent Seven" ouvem-se sintetizadores, pianos eléctricos, um swing diferente, laivos de raggae e rap and other things. A mesma coisa se vai notando nas outras músicas, desde o hit single "The Call Up", com os efeitos sonoros a aparecerem, em contraste com o punk original, geralmente muito low-tec, ou pior do que isso (a qualidade dos músicos dos Sex Pistols, por exemplo é mais do que duvidável, os Clash eram indubitavelmente muito melhores músicos), ou os xilofones de "Washington Bullets". A instrumentação mudou, o estilo idem.
Por isso, "Sandinista!" é uma mescla de correntes, desde o ska, a coisas oriundas de outros pontos do globo. O título esse também o foram buscar ao outro lado do Atlântico, o nome de um grupo revolucionários da Nicarágua, os lendários Sandinistas.

Conclusão a tirar: os Clash saíram de Londres, quer no título dos álbuns, quer no conteúdo. E só para acabar caso ainda não tenham reparado, gosto muito de Clash, gosto muito do "London Calling", e claro, se me perguntarem se sou Sandinista, sou sim senhor, mesmo não tendo nascido em Manágua, este álbum tratou de me tornar num Sandinista. Oiçam também.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Achtung!

Não devia ter deixado passar. Há dois dias atrás, no sábado, dia 19, passaram vinte anos sobre o lançamento de um dos maiores álbuns de sempre, o 'Achtung Baby!' dos U2. Este álbum marca um antes e um depois na vida dos U2, e na música moderna. Não estou com paciência para estar a falar sobre o álbum em maior detalhe. Apenas sugiro que o ouçam, caso nunca o tenham feito, ou o oiçam outra vez, porque vinte anos depois, continua com a mesma ou maior frescura do que da primeira vez que o ouvi, e isto é o que costuma acontecer com aqueles álbuns que perduram no tempo e que são imortais.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Une Liste

Ora bem, vou fazer uma lista. Costumo dizer que gosto de listas, mas das feitas por mim. Num certo sentido é verdade, noutro é mentira, pois eu de facto, às vezes, também gosto de listas feitas pelos outros. Gosto do making da coisa e da síntese e de ver certas coisas associadas. As listas favorecem a comparação entre coisas, desde que não hajam assim muitas omissões. Só costumo detestar as listas da Rolling Stone, mas enfim, isso lá nos dá mais um tema de conversa para estar a malhar nas escolhas dos redactores da lendária e saudosa revista. Só me recuso terminantemente a listar o melhor de todos os tempos, seja esse melhor um filme, um álbum ou outra coisa qualquer. Mas gosto de listar aqueles que para mim são os melhores.

Neste post listo os álbuns que mais me satisfizeram nesta primeira década do novo século. Vão com certeza existir omissões que, caso sejam detectadas por mim, serão corrigidas em posts futuros.
Notas: As minhas listas são sempre corpos não ordenados, isto para formular a coisa matematicamente.

Belle Chase Hotel - La Toilette des Étoiles (2000 - que se lixem aqueles que dizem que o primeiro ano da década é 2001)
Radiohead - Kid A (2000)
Fausto - A Ópera Mágica do Cantor Maldito (2003)
Dream Theater - Octavarium (2002)
Amy Winehouse - Back to Black (2007)
Arcade Fire - Funeral (2004)
Kate Bush - Aerial (2005)
Jethro Tull - The Jethro Tull Christmas Album (2003)
Sufjan Stevens - Illinois (2005)
Muse - Origin of Symmetry (2003)
Muse - Black Holes and Revelations (2006)
Portishead - Third (2008)
Buena Vista Social Club - Live at Carneggie Hall (2008)
Peter Gabriel - Up (2002)

António Pinho Vargas - Solo (2008)

Crónica

Este post é uma crónica desta semana que se aproxima do fim. Foi uma semana da treta. Foi absolutamente detestável. Correu mal. Felizmente para mim, estes momentos na minha são muito reduzidos, ou quase nulos, por isso me sinto tão mal relativamente a estes últimos dias. Não sendo eu maior fã de Fernando Pessoa, creio compreender completamente a que se refere o tédio de viver. Senti-o. Vivi devagar, e isso para mim não serve. Alguns diziam querer viver depressa e morrer também depressa. Não quero morrer depressa, mas quero definitivamente viver depressa, depressa no sentido de viver em alta rotação. Nestes dias sinto que vivi em baixíssima rotação. Não tive criatividade para encher as horas de modo a aumentar essa rotação. Gosto de andar de autocarro, detestei andar de autocarro, adoro esta cidade, detestei-a e achei-a horrorosa. Nunca a cidade me pareceu mais tenebrosa, mas tenho a certeza que tal se deveu às minhas lentes. Oiço música, e quase paradoxalmente só me apetece ouvir música algo propensa para ambientes melancólicos e deprimentes. É nestas alturas que o "The Wall" soa melhor, é nestas alturas que mais me apetece ouvir Led Zeppelin e Black Sabbath. Fiquei à parte de tudo o que se passava, estive à parte das pessoas que por mim passavam, estive à parte de mim mesmo. FUCK THAT! Ao ouvir a música, ao fechar os olhos e diminuir o ritmo da respiração, acalmo-me, mas o motor passa a rodar mais rápido e a dita rotação aumenta. A loucura de viver vai sendo restaurada e depois da infelicidade da semana lá vou ficando mais feliz se assim se pode dizer. E então vivo mais depressa e melhor. Tinhas razão Kerouac.