sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Crónica

Este post é uma crónica desta semana que se aproxima do fim. Foi uma semana da treta. Foi absolutamente detestável. Correu mal. Felizmente para mim, estes momentos na minha são muito reduzidos, ou quase nulos, por isso me sinto tão mal relativamente a estes últimos dias. Não sendo eu maior fã de Fernando Pessoa, creio compreender completamente a que se refere o tédio de viver. Senti-o. Vivi devagar, e isso para mim não serve. Alguns diziam querer viver depressa e morrer também depressa. Não quero morrer depressa, mas quero definitivamente viver depressa, depressa no sentido de viver em alta rotação. Nestes dias sinto que vivi em baixíssima rotação. Não tive criatividade para encher as horas de modo a aumentar essa rotação. Gosto de andar de autocarro, detestei andar de autocarro, adoro esta cidade, detestei-a e achei-a horrorosa. Nunca a cidade me pareceu mais tenebrosa, mas tenho a certeza que tal se deveu às minhas lentes. Oiço música, e quase paradoxalmente só me apetece ouvir música algo propensa para ambientes melancólicos e deprimentes. É nestas alturas que o "The Wall" soa melhor, é nestas alturas que mais me apetece ouvir Led Zeppelin e Black Sabbath. Fiquei à parte de tudo o que se passava, estive à parte das pessoas que por mim passavam, estive à parte de mim mesmo. FUCK THAT! Ao ouvir a música, ao fechar os olhos e diminuir o ritmo da respiração, acalmo-me, mas o motor passa a rodar mais rápido e a dita rotação aumenta. A loucura de viver vai sendo restaurada e depois da infelicidade da semana lá vou ficando mais feliz se assim se pode dizer. E então vivo mais depressa e melhor. Tinhas razão Kerouac.

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