terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Suck it and See

Neste post refiro-me aos Arctic Monkeys. Ora bem, convém afirmar logo a minha posição à partida: eu não era fã dos Arctic Monkeys. Primeiramente, não conhecia exaustivamente a discografia, e então também não podia dizer que não gostava da banda, pois estaria a dizer algo sobre música que não conhecia, pelo menos exaustivamente. Conhecia algumas músicas, e simpatizava com algumas, mas o certo é que elas também não me tinham chamado à atenção, atenção essa que se iria materializar na audição mais profunda, isto é, ouvir os discos.

Ora bem, isto mudou um pouquito em Junho último, aquando do lançamento de 'Suck it and See'. O facto de estar a sair um álbum novo fez-me pensar que era uma boa oportunidade para ouvir música deles mais a sério, e tentar entrar mesmo na música e compreender do que a banda é feita, foi vamos lá pá, vamos lá ouvir a música deles em condições. Ora bem, antes do disco tocar, olhei para a capa. Hoje em dia ninguém liga a estas merdas, e eu até sou o primeiro a dizer "Não julgues um álbum pela sua capa". Mas o que é certo é que existe uma correlação notável entre bons discos e boas capas. O prisma dos PInk Floyd, os Queen mergulhados na sombra, o monstro dos King Crimson, as paisagens inconfundíveis do Roger Dean, a banana de Andy Warhol, ou a caveira do Oxygène do Jean-Michel Jarre, que tenho dependurada na parede do meu quarto. Experimentem, mas regra geral é difícil dissociar a qualidade da música da qualidade e da permanência na mente da imagem que lhe serve de rosto visual. Ora bem let's roll the tape back. Ao ver a capa do Suck it and See, gostei do que vi. Não tem muito de especial, é certo, não é extraordinária, mas sem sombra de dúvida não é uma das piores de sempre, conforme uma revista qualquer lançou numa daquelas estúpidas listas que volta e meia essas revistas precisam de fazer para que os fãs do número 1 comprem a revista. Devem ter tudo combinado, de tal modo que a cada não sei quantos meses, actualizam a lista e vão trocando os primeiros, assim revezam-se todos na liderança. Roll back again. Instantaneamente lembrou-me a capa daquele que é vulgarmente designado por "The White Album" dos Fab Four. E eu gostei da simplicidade, e tem impacto.

Passamos para o interior do rosto do álbum e vem a música. Acontece que eu adorei o que lá está dentro. 40 minutos de músicas curtas. Ouvi Rock muito bom, com um som vintage, absolutamente clássico, nalgumas harmonias vocais, nos timbres das guitarras. As músicas curtas vão passando com um som que eu gostei bastante. Esse carácter clássico e vintage da música faz-me pensar: se esta treta estiver bem gravada, que maravilha que deveria de ser ouvir isto em LP.

Este álbum foi das coisas que mais gostei de ouvir no ano que recentemente terminou, e assim continua a sê-lo. Já posso dizer que gosto dos Arctic Monkeys, ou então se tal for exagerado, que gosto deste álbum. Passarei aos outros em breve, mas já o sei, cá dentro, que será difícil superar este. Pelo que sei, os críticos não gostaram muito, não deve haver muitas pessoas neste mundo que julguem este álbum como muito bom, e ao que parece ao gostar muito deste álbum, eu estarei a ser um atípico fã dos Arctic Monkeys. Não faz mal, que já estou habituado a ser atípico em questões musicais. Podia ter escolhido outra música, mas optei por esta, "Black Treacle".



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