quarta-feira, 23 de maio de 2012

MOOG


Ora bem, precisei de escrever este post depois de ter aberto o Google hoje, e ter deparado com um Minimoog diante dos meus olhos, e tal deve-se ao aniversário do grande Robert Moog (atenção à pronúncia do apelido), o inventor desta coisa que é um dos candidatos a melhor sintetizador de sempre.

O Minimoog apareceu pela primeira vez em 1970, para ser uma alternativa mais barata, mais portátil, e, no geral, mais acessível aos monstruosos sintetizadores modulares que na altura existiam, e nos concertos ao vivo esses mesmos módulos formavam pilhas de vários metros de altura. O Minimoog permanece como um dos sintetizadores electrónicos mais importantes de sempre. Monofónico, altamente versátil, com osciladores poderosos, juntamente com filtros e outros efeitos sonoros que quase que fazem milagres. O Minimoog mudou para sempre a história da  música. Em http://en.wikipedia.org/wiki/Mini_Moog é possível encontrar uma descrição mais detalhada e completa deste instrumento, bem como uma lista de alguns álbuns onde se pode ouvir este fabuloso sintetizador em acção. Posso eu mesmo fazer algumas sugestões: a música do Rick Wakeman dos Yes, ou claro, a do Jean-Michel Jarre, se bem que aqui, para quem não conhece se torna difícil distinguir entre o Minimoog e outros sintetizadores clássicos. E claro, já que somos portugueses, não posso deixar de sugerir o álbum "10000 Anos Depois entre Vénus e Marte", a obra-prima de José Cid, onde o Minimoog desempenha um papel importante juntamente com outros teclados também eles lendários, entre eles, um ao qual talvez um dia dedique um post, o Mellotron.
 
Entretanto podemos experimentar brincar um bocadinho com o Minimoog no Google. É difícil. Quase que é preciso tirar um curso para saber mexer num Minimoog. Mas com algum jeito e alguma "intenção musical" conseguem-se criar coisas muito interessantes. Thanks Mr. Robert Moog!

sábado, 12 de maio de 2012

Wish You Were Here

O álbum dos Pink Floyd que mais tenho ouvido ultimamente é o Wish You Were Here de 1975. A minha aventura no mundo dos Pink Floyd começou há já bastantes anos, e começou com o Dark Side of The Moon. O que de início me fascinou, como creio que já escrevi num certo post de há uns meses atrás, foram os efeitos sonoros. Pouco tempo depois, comecei a ouvir Beatles e comecei a ter capacidade para distinguir, e fazer uma espécie de educação musical sobre as diferenças entre as duas bandas. Isto foi no início deste milénio (ou talvez ainda no anterior, não sei) e durante alguns anos o meu conhecimento do universo Floyd começava e acabava ali. Até que me lembro de que, na rádio (que nunca passava Pink Floyd), ouvir uma sucessão de quatro notas, após as quais surge a música propriamente dita, e percebi logo que aquilo tinha que ser Pink Floyd. Vasculhei em casa e encontrei uma cassette onde estava escrito "Pink Floyd - Wish you Were Here".

Wish you Were Here é o primeiro álbum da banda após o Dark Side of The Moon, o que equivale a dizer que é o primeiro álbum depois da conquista do mundo que a banda empreendeu, quer pela crítica, quer pelas vendas (onde os Pink Floyd finalmente conseguiram vender na América), e o álbum iniciava a sua permanência de 14 anos consecutivos nos tops. Depois surgiu o problema de como se ia dar seguimento ao enorme sucesso de Dark Side. Segundo a banda e a crítica, Wish You Were Here foi um disco que teve um parto difícil. Começam a aparecer as primeiras tensões, que não seriam ainda determinantes, mas que marcam o início da mudança no seio da banda. A concentração e determinação anteriores tinham diminuído, como o Nick Mason disse certa vez. O Dark Side tinha sido o primeiro álbum onde todas as letras estiveram a cargo do Roger Waters, e como álbum conceptual, toda a ideia tinha partido dele, apesar de o álbum, em termos musicais, não ter nascido exclusivamente dele, tal como sucederia com Wish you Were Here. O David Gilmour diz que o Roger Waters era a "pushing force" dos Floyd. Depois do Dark Side era evidente que Waters seria o letrista dos Floyd, e por conseguinte, os próximos capítulos da história seriam altamente dependentes dele, pois não creio que a banda estivesse disposta a abandonar o modelo de álbuns conceptuais e voltar aos terrenos de indefinição que caracterizaram a banda desde 1968 até 1971, quando lançaram Meddle em que já se podia antever algumas das características que iriam protagonizar o Dark Side. E pouco depois do sucesso, já outro conceito para outro álbum surgia na mente dele. E esse conceito reside fundamentalmente no tema da ausência, incluindo a própria ausência da banda, cuja coesão diminuíra após o sucesso. Apesar deste distanciamento entre os membros, tanto o Gilmour como o Richard Wright dizem que este é o álbum preferido deles.

Mas há uma outra ausência que se viria a revelar ainda mais importante neste disco, a do Crazy Diamond, Syd Barrett, que segundo uma famosa história, terá aparecido no estúdio de Abbey Road julgando que ainda fazia parte da banda, um acontecimento que se diz ter devastado completamente os outros membros da banda, principalmente Roger Waters, que inicialmente não o reconheceram. É sobre ele o épico "Shine on You Crazy Diamond", que totaliza mais de 26 minutos de duração, e que abre e fecha o disco. Pelo meio duas músicas onde as letras de Waters atacam a indústria da música, "Welcome to the Machine" e "Have a Cigar", esta última cantada por Roy Harper. E mais a clássica faixa-título "Wish you Were Here".

A ausência de Syd é tema recorrente nos Pink Floyd e em grande parte das letras do Roger Waters, juntamente com a ausência do pai, falecido na WWII. "Nobody knows where you are. How near or how far" canta-se em "Shine on". 30 Anos depois, a formação clássica dos Pink Floyd juntou-se no Live 8 em 2005. Uma das músicas interpretadas foi "Wish you Were Here". E o Roger Waters voltou a referir o Crazy Diamond: "We're doing this for everyone who's not here, but particularly of course, for Syd". Syd morreu em 2006. Rick Wright morreu em 2008. Roger Waters e David Gilmour tocam juntos e abraçam-se em 2011, (em 2005, basta ver os vídeos do Live 8 para se perceber toda a tensão que ainda existia entre ambos, limitando-se a tocar, sem se olharem um ao outro). Se Syd fosse vivo, talvez não fosse capaz de compreender que o diferendo entre eles tinha acabado. Se compreendesse, com certeza que gostaria. "Wish you Were Here" dizem eles, e de cada vez que o dizem pensam no Crazy Diamond. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sticky Fingers

Os Rolling Stones são inequivocamente uma das melhores bandas Rock que alguma vez pisaram esta Terra. Tidos como dinossauros desde há muitos anos, o que é certo é que mesmo depois desse estatuto de lendas vivas lhes ter sido atribuído continuaram a produzir boa música. E não podemos esquecer que aquando do fim da década de 70 e início da de 80, já havia vozes que lhes colocavam esse rótulo, na época em que o Punk ascendia na Europa. O mesmo Punk que tinha sido muitíssimo influenciado pelos Stones. De resto, os Stones influenciaram tudo e todos desde aquela altura, desde os Prog Rockers aos antagonistas destes, os Punk, passando pelos inevitavelmente primeiros Hard Rockers e metaleiros. Acontece que na sua mistura de influências do Rock N' Roll, do Blues, da música negra e de muitas outras inspirações, os Stones são simplesmente inconfundíveis, e em alguns momentos, imbatíveis, basta olhar para a sucessão de álbuns que nos foram dando, principalmente na década de 70, para depois conseguirem literalmente sacar um álbum diferente como o "Some Girls" no fim desta década, no auge do período Punk, e onde já muito boa gente olhava para eles como relíquias do passado.

Pessoalmente incomoda-me ver algumas pseudo-histórias das supostas rivalidades entre os Beatles e os Rolling Stones, na verdade por detrás desses trechos devem de existir alguns interesses obscuros. De resto isto é frequente na história da música pop, tal ocorreu também na década de 80 entre o Michael Jackson e o Prince, que, ao que se diz, eram pessoas que se davam bem. Qualquer indivíduo bem informado pode constatar que o Mick Jagger aparece no vídeo de "All You Need is Love" dos Fab Four, e a dupla Lennon/McCartney canta no disco "Their Satanic Majesties Request" dos Stones. Ainda sobre a comparação das duas bandas, eu costumo dizer algo que sei ser completamente redutor, mas que creio ser o que melhor aproxima a verdade, e que não pretende ser facciosa (não consigo de facto escolher a minha preferida de entre estas duas bandas): Os Beatles são essencialmente uma banda que podemos classificar como Pop, enquanto que aos Stones temos associar a palavra Rock.

Os últimos álbuns com o Brian Jones marcam o início  de uma época brilhante dos Stones, que consistiria de uma série de álbuns obrigatórios e excepcionais que entram pelos anos 70 adentro. Neste contexto irá aparecer o que é possivelmente a magnum opus "Exile On Main Street" de 1972, mas que deixarei para posts futuros. Agora vou falar do predecessor deste, o clássico "Sticky Fingers" de 1971, que tenho ouvido com alguma frequência nos tempos recentes. O disco começa com aquela que é talvez a minha música preferida deles, "Brown Sugar", seguem-se faixas de Rock impregnado de Blues, passando pela gigante "Can't You Hear me Knocking" ou o clássico "Bitch", ou o brilhante "Wild Horses".

Tratando-se de um disco lendário e brilhante, como um verdadeiro clássico do Rock requer que seja ouvido de vez em quando. A visão que alguém possa ter do Rock e da sua história nunca poderá ser completa sem ouvir este disco. E já agora o melhor é tentar no gira-discos e com um bom amplificador (a válvulas, evidentemente, depois de as deixar aquecer convenientemente)!