sábado, 28 de julho de 2012

Calcorrear

O que os nossos olhos vêem pode ter um poderoso healing effect. Já deixei transparecer isto em alguns posts. O Porto pode fornecer-nos essa visão que tem esse tal healing effect. Quando algo não está bem, calcorreia-se a cidade, de preferência com alguém e vai-se olhando. 'Viajar é olhar' dizia Sophia de Mello Breyner ao Miguel Sousa Tavares, conforme este conta num dado livro de viagens cujo título já não recordo, e que não estou com pachorra de ir procurar para encontrar o título. Também se pode ir sozinho. Aliás nunca se está sozinho numa cidade como o Porto, a cidade vai-nos acompanhando, não como acontece noutras cidades, em que é o rebuliço humano que nos acompanha. Mas o que é certo é que a cidade nos acompanha, eu é que não tenho arte poética suficiente para explicar, ou propor, ou sugerir como é que julgo que esse acompanhamento se dá. Indo sozinho é um pouquito estranho e talvez deprimente para quem já está deprimido, mas pronto, deprime-se um bocado. Uma vez ouvi um indivíduo dizer que uma dada janela já empenou o que tinha a empenar, aqui é mais ou menos parecido, já deprimiu o que tinha a deprimir. Mas geralmente, e isto acontece sempre (pelo menos costuma assim ser), ao calcorrear a cidade (gosto da palavra calcorrear), a dada altura, numa dada rua, a luz entra num ângulo certo, nas proporções certas (luz de um dia estival, como foi hoje, ou aquela cor pardacenta bem típica, ambos são bonitos), e faz uma imagem bonita, e então o problema está resolvido.

Este naco de texto está ridiculamente simplista, e porventura cheio de equívocos. Às vezes assim tem de ser...

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