domingo, 18 de novembro de 2012

A Calçada à Portuguesa

Esta semana assistiu-se a uma incremento relativo da violência num dia de greve geral. Por causa disto ninguém se lembra que esta greve geral foi de facto maior do que as que a precederam nos últimos tempos. Isto devido ao poder aterrador que a violência tem de se impor a tudo o resto. Comecemos por aquilo que se viu: um bando de atrasados mentais (possivelmente mariconços) que se puseram a atirar uns calhaus contra a polícia (inda por cima, uma calçada à portuguesa bem bonita, à antiga). Pelo que vejo nas imagens, no início do ocorrido seriam muito possivelmente apenas meia dúzia. Creio que uma actuação policial logo nesse momento, poderia ter, para além de ser muito mais fácil devido à quantidade reduzida de animais envolvidos, cortado o mal pela raiz. Exigia-se uma atitude muito mais rápida. Não se fez nada nesse momento, e o fenómeno avolumou-se, e dado isto, a polícia teve de fazer alguma coisa (e decidiu, e muito bem, fazê-lo), e dado este avolumar, a reacção policial teria de ser, obrigatoriamente, mais forte. Não se pode ter ilusões sobre isto. A ideia de irem lá abaixo buscar um ou dois indivíduos é completamente inexequível, basta visualizar as imagens para compreender isso. Apesar disto, quanto à investida que se viu, julgo que talvez tenha sido um pouco excessiva. E havia alternativas possíveis. Por isso, eu defendo uma teoria que até ao momento ainda não ouvi mais ninguém sugerir. Ora bem filhos, pelo que se costuma ver lá fora, muitas vezes estas coisas resolvem-se à carga de água. Então pá, não chamavam um carro de bombeiros e mandavam uma mija para cima daquele pessoal todo? Não havia bombeiros na capital, pá? Eu ia ali ao quartel da Constituição e dizia-lhes logo: Em direcção à capital rapazes, é sempre em frente, para baixo, façam de conta que é uma espécie de 25 de Abril,  mas desta vez não parem nos semáforos vermelhos (semáforos vermelhos claro, pois ia dizer-lhes para irem pela EN 1, que a auto-estrada está cara). Ou então não chamavam o sôr Gaspar, um dos maiores cobrador de impostos da história, para cobrar um imposto inspirado naqueles jogos de feira de tiro ao meco: 10 tiros, dois euros, Iva não incluído. Ninguém quereria continuar nesta condições, pá. Falando agora mais ou menos a sério, julgo mesmo que a água poderia resultar, a menos de algumas eventuais constipações.  Se não resultasse, o que acho pouco provável, mandava-se gás pimenta aos indivíduos. Não dá o gás, avança-se com porrada. Eles resolveram entrar por esta terceira alternativa nesta espécie de hierarquia de possíveis resoluções que enumerei. É por isso que digo que talvez tenha havido algum excesso, isto porque creio que concordamos que os ditos manifestantes pacíficos (os inocentes envolvidos do episódio) prefeririam levar um banho, ou sentir uma malagueta a picar-lhes nos olhos do que levar uma bastonada. Afinal de contas, (primeira suposição deste meu teorema), devem tomar banho em casa, e utilizar malaguetas na cozinha, já levar bastonadas, não deve ser muito costumeiro (segunda suposição: havia poucos sado-masoquistas).

A violência aumentou em Portugal com este acto, e aumentou em termos de mediatismo ao ponto de eclipsar parcialmente uma greve enorme (cá está mais uma das vertentes do poder de imposição da violência)  e sabemos que a tendência é continuar a aumentar. Se qulquer dia isto correr mal, a partir desse mesmo momento, as coisas mudarão, não sei como, nem para onde, mas mudarão. E muito.