quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mellotron

Há algum tempo atrás escrevi um post em que falei do Minimoog. E remeti para um post futuro falar do Mellotron, um outro teclado clássico. O Minimoog é um sintetizador. Já o Mellotron não o é. O Mellotron é, na verdade, nada menos do que um sampler, uma vez que reproduz sons previamente gravados. O funcionamento é simples: a cada tecla está associada uma fita magnética onde estão gravados sons com a frequência da tecla respectiva. Quando se carrega na tecla, a fita começa a rolar, e ouvimos o registo seleccionado, durante, no máximo 7 segundos, sendo esta a duração das fitas. Ao largar uma dada tecla, a fita é imediatamente rebobinada. Esta limitação dos sete segundos faz com que, para tocar acordes mais prolongados, se tenha que recorrer a técnicas que já foram designadas por 'spider techniques', alternando os dedos de modo a obter um som ininterrupto. É mesmo capaz de ser um dos primeiros samplers da história da música. 

É claro que a melhor maneira de ouvir este instrumento em acção é ir ouvir álbuns, geralmente clássicos, de preferência em estúdio: o Mellotron, dada a sua Natureza 'tape recorder' é altamente instável em performances ao vivo, mesmo mais sensível até, do que os sintetizadores vintage, que desafinam com facilidade ao vivo devido a picos de corrente e coisas similares. Quanto aos sons disponíveis, aí reside a história deste instrumento. Por exemplo: flautas (sugiro a introdução de 'Strawberry Fields Forever' dos Beatles para ouvir este registo em acção); 3 violinos ('Epitaph' dos King Crimson); strings+brass (esta mistura pode ser ouvida na lendária introdução de 'Watcher of the Skies' dos Genesis); coro (na segunda parte de 'Oxygene II' do Jean Michel Jarre). Inicialmente, o meu som preferido era o do coro. Agora confesso que já não consigo escolher. Há muito mais exemplos. O álbum 'In the Court of the Crimson  King' dos King Crimson é todo ele interessante relativamente ao uso deste instrumento. Ou então 'Days of Future Passed', dos Moody Blues, como clássico 'Nights in White Satin', se bem que aqui é preciso ter cuidado para dsitinguir o Mellotron da orquestra verdadeira (o que às vezes não é fácil, já que o Mellotron, é, como disse, um sampler de sons reais de uma verdadeira orquestra). E claro, dois álbuns portugueses, envolvendo a mesma pessoa: '10000 Anos depois entre Vénus e Marte' do José Cid, uma pérola dos sintetizadores e teclados vintage, que até inclui uma faixa chamada 'Mellotron, o Planeta fantástico; 'Onde Quando Como Porquê Cantamos Pessoas Vivas' do Quarteto 1111, publicado 3 anos antes do 10000 e onde o Mellotron tem, a meu ver, ainda mais protagonismo. para não ficar apenas com álbuns clássicos, tenho um outro exemplo: 'Hybris' dos Änglagård, um extraordinário álbum desta banda Sueca de 1992. Para estas e outras sugestões, remeto o leitor para o link: http://www.planetmellotron.com/toptens2.htm

Para quem gostar, tenho uma última sugestão: se tiverem um teclado com ligação MIDI e um computador, façam a ligação, arranjem um software de gravação de áudio que seja compatível com plug-ins do tipo VST, e arranjem um emulador do Mellotron chamado Redtron (free software). Não é igual a um Mellotron claro, mas é muito parecido, já que é um plugin que não sintetiza nada, apenas utiliza sons gravados a partir de um Mellotron verdadeiro. Sendo assim, a única perda que existe é na conversão dos sons analógicos das fitas do Mellotron para o formato digital para ser reproduzido no computador. Se arranjarem umas boas colunas vai ser muito parecido com um Mellotron verdadeiro. Garanto-vos. Há outros emuladores de Mellotron, mas este é o meu preferido. É bastante divertido.