domingo, 21 de dezembro de 2014

Rivalidades

Este post serve para esclarecer a minha posição sobre a dita rivalidade entre o Boavista Futebol Clube e o Vitória Sport Clube, de Guimarães. Ora bem, não há rivalidade nenhuma. O Boavista é o 4º maior clube de Portugal. O Vitória de Guimarães candidata-se ao lugar todos os anos, e todos os anos é rejeitado, por falta de currículo. Eles gostam muito da dialéctica de serem o 4º grande (pelo número de sócios!). Ora bem, isto dá que pensar. Até parece que o objectivo da existência de um clube de futebol é ter mais apoiantes e sócios que os outros. Este discurso é emprestado, salvo as devidas diferenças de estatura, de um clube da capital, e que equipa de vermelho, que argumenta o mesmo face ao Futebol Clube do Porto. O objectivo do futebol é meter as bolas na baliza do adversário, e meter mais uma do que o adversário dá a vitória. As vitórias por sua vez dão títulos. Tenho pena. Todos os títulos que o Vitória de Guimarães tem o Boavista também tem, e tem mais. E tem um, que o Vitória de Guimarães não tem, já sabemos qual é. Somos um clube de bairro, da maior avenida da minha cidade invicta, a melhor cidade do mundo e que eu tanto adoro! Somos sim senhor! Somos poucos! Somos sim senhor! Mas temos Taças na vitrina. Durante a nossa história fugimos ao domínio dos grandes como nenhum outro clube em Portugal o fez, e como o Vitória nunca conseguiu, apesar de ter uma cidade inteira atrás. Isto é que enfurece esses clubes. Reconheço que deve ser um bocado chato para um clube que tem uma cidade atrás ver que não consegue rivalizar com os troféus de um clube que representa apenas uma zona de uma cidade. O único clube com o qual admito alguma rivalidade é o C.F. Os Belenenses, um clube que muito respeito. A sua história e palmarés é que constroem esta rivalidade. Mesmo assim, o Boavista tem mais títulos oficiais de futebol que o Belenenses. O Vitória de Guimarães demorou 70 e tal anos a ganhar uma Taça de Portugal.  Portanto, creio que até ao fim da minha vida, o Boavista continuará a ser o 4º grande de Portugal. Entretanto, podem continuar com a dialéctica dos adeptos, não faz mal, até me dá gozo, e enquanto a usarem é sinal que o Boavista continua a ser o 4º clube com mais títulos em Portugal, e por conseguinte o 4º grande.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Viagens

Já que se estão a cumprir 20 anos sobre o lançamento de 'Viagens' do Pedro Abrunhosa, aproveito para deixar algumas palavras sobre este álbum. Acho que desde que comecei a ligar a estas coisas que me lembro de ver o álbum por aqui, a capa é bastante espampanante e chamativa e reflecte muito bem o que está lá dentro, música colorida, de um grupo muito colorido também, os Bandemónio, e que, creio, transportam algo da cidade do Porto lá para dentro da música. Acho que a primeira vez que ouvi devia ter à volta de 12 ou 13 anos. Desde aí tem sido um álbum ao qual volto muitas vezes. Um ponto inesquecível na música portuguesa, lançado 14 anos depois da explosão de 1980. Um Funk e um groove inesquecível, e uma estrela, o Maceo Parker, numa das maiores colaborações de sempre de astros estrangeiros com portugueses. Gosto muito deste estilo do Pedro Abrunhosa, mas não sou saudosista ao ponto de rejeitar o que ele fez desde então. Mas este, de facto marcou uma época. Um álbum histórico.

sábado, 29 de novembro de 2014

The Endless River


Desde há alguns anos para cá que meditava um pouco sobre o facto de a última música dos Pink Floyd, 'High Hopes', do álbum 'The Division Bell', que muitos acreditam falar sobre a banda e os seus bons e maus momentos, nomeadamente o conflito Gilmour-Waters, acabar com as derradeiras palavras 'The Endless River, Forever and Ever'.

Com surpresa total em Julho deste ano surgiu a notícia de um inesperado álbum. Passado algum tempo surgiu o título 'The Endless River'. Achei um bom título, possivelmente, eles, o David Gilmour e o Nick Mason devem ter pensado no mesmo que eu pensei a propósito da frase que fecha 'The Division Bell'.

Começo por deitar umas palavras sobre a capa, da responsabilidade de um designer egípcio de 19 anos, Ahmed Emad Eldin. É difícil imaginar os Floyd sem a obra do Storm Thorgerson. Como já disseram, a capa tem uma 'Floydian Resonance'. Um tributo ao grande designer. Se eu não soubesse que ele tinha falecido no ano passado, diria que a capa era da sua responsabilidade. Talvez, estando nós à beira de uma época em que a imagem associada à música parece ganhar de novo uma certa importância, fruto também de um pequeno resurgimento do vinil, estaremos daqui a 50 anos a falar deste designer egípcio como uma dos grandes album cover designers de sempre, como falamos hoje do Storm Thorgerson ou do Roger Dean, entre outros.

Ouvi o álbum na íntegra por duas vezes desde que o comprei no dia 15 de Novembro. A minha opinião, por isso mesmo, ainda não é completa. Mas tenho já a dizer que gostei. Gostei de alguns momentos bastante Ambient, sempre com as ideias do Rick Wright, e da guitarra quase sempre brilhante do David Gilmour. Pareceu-me ter alguns momentos baixos, não é como os álbuns mais clássicos dos anos 70, mas eu, que também aprecio os Floyd sem Waters, também apreciei bastante este 'The Endless River'. Tal como os Floyd de 'Momentary Lapse of Reason' e 'The Division Bell' são claramente Floyd dos anos 80 e 90, respectivamente, este 'The Endless RIver' consegue mesmo ser aquilo a que se propunha ser: um álbum dos Pink Floyd no século XXI. Uma óptima despedida. 

P.S.: Quanto à ausência de Waters, resta-me dizer que talvez a sua presença fosse despropositada. Há uma impossibilidade natural entre ele e o David Gilmour para trabalharem juntos. E atendendo à história do conflito, já é muito de admirar que essa impossibilidade não se tenha estendido até ao campo de um diferendo a nível pessoal e de amizade, de modo irreversível. Felizmente a esse nível a situação não era irreversível, nos últimos anos assistimos a isso nos concerto da Hoping Foundation em 2010, e a célebre aparição de Gilmour no topo da parede num dos concerto da digressão 'The Wall Live' em Maio de 2011, seguindo-se um abraço no fim, e um pequeno discurso emocionado de Waters que mostra que o conflito pessoal foi ultrapassado. Dois Rock Stars que possivelmente, quando morrerem, não estarão de costas voltadas. Mas, pedir que para além disto que ainda houvesse possibilidade de trabalharem juntos, creio que é pedir demais. E, como disse, creio que a presença de Waters seria despropositada e algo embaraçosa, que poderia até degradar o reatamento da relação entre os dois. Sinceramente, e apesar de achar que os grandes Floyds são os da formação clássica, julgo que foi melhor assim.

E as últimas palavras passaram a ser 'Louder than Words'...

sábado, 25 de outubro de 2014

Ser Português - A piada

Acabei de chegar do futebol. O Boavista perdeu, estou um bocado chateado, a equipa não reagiu muito bem, mas valeu o esforço no fim, com mais um pouquinho de sorte ainda empatávamos. Estou chateado como disse, mas já estou pronto, como a maior parte das pessoas enquanto estavam a sair do estádio, de começar a rir, a mandar piadas, inclusivamente sobre a nossa equipa e sobre a derrota. Acho isto saudável, e é algo que não acontece muito nos clubes grandes. O pessoal leva aquilo muito a sério. Nos clubes mais pequenos, e no Boavista, o maior dos pequenos isto acontece sempre. Os portugueses gostam muito de piadas, por vezes a cair para um humor muito negro, mas os portugueses gostam. Ainda agora, somos capazes de fazer piadas sobre o Ébola, ou o que aconteceu no ano passado no Meco. É uma característica nossa. Por vezes, talvez a gente exagere, mas estas são as piadas à portuguesa, e quem as nega a isto geralmente são aqueles indivíduos algo snobs, a pregar uma certa seriedade para não se brincar com estas coisas, que é muito sensível e tal.  É a maneira de ser de um povo, quer eles queiram ou não. Esta é a meu ver uma das principais características do ser português. 
Acho que vou dedicar uma série de posts ao 'Ser Português' e ao 'Ser Portuense'.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A Matemática

Mencionei no post anterior algo a propósito da matemática e da biologia. Gosto de matemática, e em marticular gosto de matemática aplicada, em que cada equação tem o seu sentido matemático, lógico, que todos os objectos matemáticos têm, mas que para além disso tem também o sentido da realidade, da intuição, do bom senso, querendo com isto dizer que tem algo que é uma modelo aproximada da realidade. Esta é a minha definição de matemática aplicada. Na minha curta carreira matemática, fiz uma tese de mestrado sobre matemática aplicada, em particular, matemática financeira. Agora voltei-me para o matemática e a biologia, e esta mistura consegue ser fantástica, bonita, agradável e que me está a dar imenso gozo. A matemática permite-me compreender melhor alguns conceitos biológicos que desconhecia ou não compreendia, isto acontece muitas vezes, ao mesmo tempoque esses conceitos biológicos fornecem espaço vital, de sobrevivência a uma teoria matemática específica, conferindo sentido, utilidade a coisas que parecem ter pouco sentido ou pouca utilidade, para além da muito significativa e importantíssima densidade lógica que os envolve. 
Perdão, este texto pode estar um bocado embrulhado e desajeitado, gosto um bocado de escrever à Kerouac, sempre a eito, por isso pode sair um bocado confuso, e pode não ostentar uma opinião definitiva, mas em compensação tem a pujança, a cadência da oralidade. No entanto, é assim que gosto de escrever. Talvez volte ao assunto matemática no futuro.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

David Brubeck

Tenho passado bastante tempo em casa, principalmente esta semana, a tentar estudar um pouco de biologia com vista a poder compreender mais da parte biológica do artigo que vou começar (ou tentar) a escrever em breve. Para isso necessito de uma banda sonora. E tem sido o David Brubeck, um dos meus músicos de Jazz preferidos. Ora bem, aquilo que eu tenho em casa do David Brubeck é uma caixa com quatro CD's, oito álbuns, comprada há dois ou três anos na loja de discos, não me lembro do nome, que ficava mesmo no fim da Rua de Cedofeita, com a Rua Álvares Cabral. Entretanto já fechou e moveu-se efemeramente para a Rua Passos Manuel mesmo em frente do Coliseu, aonde já fechou também. grande parte do stock, pelo que se ouviu, para a lendária e reaberta Tubitek na praça D. João I, uma loja de outros tempos, que faz parte da mitologia de quem gostava e consumia música na cidade do Porto. Ainda não lá fui. Voltando ao David Brubeck, essa tal caixa foi comprada na Rua de Cedofeita e uma preço reduzidíssimo, 7 euros e meio ou 8 pelo que me lembro, por oito álbuns, aí umas 5 horas de música, dum artista do qual só tinha duas músicas em colectâneas de Jazz, como por exemplo o célebre 'Take Five' que aparece repetido. Um Jazz soft, a que se convencionou chamar de Cool Jazz, relaxado, melodioso, leve, algo estranho, com compassos esquisitos, influências árabes, (sei que o próprio Brubeck e o seu saxofonista de muito tempo, o Paul Desmond confirmaram estas influências, inclusive nos compassos para nós ocidentais, esquisitos, para eles normais), etc.. Distante do frenesim do Bebop e do Hard Bop onde estão o cerne dos meus gostos Jazzísticos, mas um Jazz que imediatamente me convenceu. A escolha dos álbuns é bem feita. Tem dois de piano solo, um ao vivo e os restantes são os de quarteto, incluindo o mais célebre, o 'Time Out' de 1959. E não tendo mais para dizer, concluo, isto é do melhor que se fez na história do Jazz. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Remuntada

Ontem foi dia de ir à Igreja do Bessa, ver o xadrez a jogar. Serve este post para dar conta de um episódio caricato. Fruto de uma enchente na bancada para onde eu ia, e de ter chegado atrasado, juntamente com poucas filas de entrada, estava uma bicha enorme, que me impediu de ver os primeiros 5 minutos do jogo. Entrei, e passados mais ou menos 10 minutos o Boavista marca. Já está 1-0. Ao intervalo, o Petit mete mais um extremo, e recua um dos atacantes para o meio-campo, pouquinho estranho. O Gil Vicente empata, ao que se segue outro do Boavista 2 ou 3 minutos depois. Já estamos a ganhar outra vez, pensei. Entretanto o Petit faz entrar mais outro ponta de lança tirando um do meio-campo, ficamos a jogar com quatro avançados. A equipa bate os livres e os lançamentos de forma rápida, até precipitada para quem está ganhando. A equipa de Barcelos tenta pôr outra velocidade, lenta, no jogo. Estranho porque estaríamos a ganhar. Aos 89 entra o terceiro. Descanso. vamos ganhar. Quando saio do estádio e vou para o carro, o locutor anuncia Boavista 3 Gil Vicente 2. Assim as alterações do Petit já fazem sentido, bem como a velocidade a que cada equipa tentava gerir os tempos mortos. O 1 a 0, não o era, era o empate, o 2º golo era novamente o empate, e o terceiro, que julgava ser o golo da tranquilidade, era na verdade o golo da vitória. Incrível, não vou esquecer este episódio! Na verdade, assim teve um sabor especial, mas de que só tive conhecimento à posteriori, o sabor da remuntada.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

One-Trick Pony

Estou neste momento a escutar em vinil o álbum 'One-Trick Pony' do Paul Simon, de 1980. Ofereceram-me este álbum há pouquíssimo tempo. Esta deve ser a segunda vez que estou a ouvir o álbum, a primeira vez fi-lo sem muita atenção ao que estava a ouvir e não fiquei com nenhuma opinião. O lado A está a acabar, e estou a gostar muito do álbum. Há sempre um lado B que pode alterar a opinião, mas não creio que será o caso. De referir os grandes músicos que tocam neste álbum, desde um bom guitarrista, o Eric Gale, e um baixo que adivinhei (correctamente) que só podia ser do grande Tony Levin. Enfim, um muito bom álbum parece-me.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Coacção e Corrupção

Vou tentar explicar de modo sumário o que conduziu aos últimos anos da história recente do Boavista F.C.. O que contribuiu decisivamente para o castigo aplicado a Boavista e F.C. Porto foram umas escutas de que muito se ouviu falar. Acontece que o crime foi tipificado de maneiras diferentes. Para o F.C. Porto foi tipificado como corrupção. Para o Boavista foi tipificado como coacção. Diferença: Muita, Gigante. A coacção prevê a descida de divisão, ao contrario da retirada de pontos no segundo caso. Acontece, que conforme se sabe pelas ditas escutas, os crimes em questão deveriam ter sido tipificados como corrupção. O do Boavista não o foi e o motivo é simples. Era preciso uma decisão poderosa, do ponto de vista de quem decidia, havia uma maré vermelha de Lisboa que o pretendia. Uma maré vermelha, de onde, diga-se, existem escutas telefónicas, que para a justiça desportiva são praticamente inexistentes, visto nunca terem sido investigadas, à falta de uma apito encarnado. Um branqueamento normal para quem conhece o futebol. Portanto, muito simples, era preciso comutar os crimes de um dos clubes para coacção para que esse mesmo clube pudesse ser mandado para a segunda divisão. O próximo passo é ainda mais simples, qual desses clubes: claro que tinha de ser o Boavista. Tinha que ser, primeiro porque a outra possibilidade era o F.C. Porto. O Boavista, que era (e é) o quarto maior clube da história do futebol português, o quarto clube que mais vezes representou a nação em competições internacionais, isso sim, dignificar o país, com prestações inesquecíveis, e centenário, fundado em 1903, um dos mais antigos clubes portugueses, o mais antigo dos que estavam na primeira divisão, o antigo de entre aqueles que não mudam nem forjam datas de nascimento. As prestações internacionais não eram problema. O problema era o facto do Boavista ser o quarto maior de Portugal, cá dentro. Porque tinha conseguido o praticamente inédito de ser campeão nacional, incomodando, e muito, os grandes (todos eles tiveram dissabores com o Boavista: desde o campeonato ganho ao F.C. Porto, os 30 anos em que o Sporting praticamente conseguiu ganhar uma vez ao Boavista no Bessa, ou o Benfica, cujo pior período da sua história coincidiu com os momentos áureos do Boavista), incomodando também os pequenos, os motivos são ainda mais óbvios, porque ganhávamos mais do que eles todos. Portanto, a escolha era fácil, tinha de ir o Boavista para a segunda divisão. Como? Simples, arranjou-se maneira de um dado árbitro dizer que se sentia coagido quando apitavas jogos do nosso Boavista. Claro que sim, o senhor com certeza que se sentiu coagido como outros se sentem quando são insultados das bancadas, e todos nós que vamos ao futebol muitas vezes sabemos que insultos ao árbitro são exclusivos do estádio do Bessa, e não acontecem em mais lado nenhum. Está explicado o motivo e o modus operandi da cambada de Ricardo Costa, relativamente à severidade do castigo aplicado ao Boavista. Assim se tipificaram crimes em tudo idênticos de modos diferentes, crimes esses que deveriam ter sido, em ambos os casos, tipificados como corrupção, e consequentemente, aplicado ao Boavista castigo de perda de pontos, o mesmo que foi aplicado ao F.C. Porto, e que no caso do Boavista, também não teria efeito nenhum, ficaríamos na primeira divisão. Só falta eu falar do momento da tomada de decisão. A célebre reunião ilegal, onde estas decisões foram tomadas à má fila depois do presidente do órgão ter abandonado a sala, e dado o encontro como encerrado. A razão de Ricardo Costa e o seu bando ter agido assim parece-me óbvia: só com o seu punhado de amigos conseguiria obter o desfecho que conseguiu obter. Com todos os presentes, não o conseguiria muito possivelmente. O processo, conforme se sabe sobejamente, primou pelas falhas: na instrução, prova ilegal, etc.. Portanto, teve de ser assim, à má fila. E quem tinha poder para parar o processo e constatar a ilegalidade de uma reunião, não o fez. Porque será? Assim acaba a história, com o nosso Boavista na segunda divisão e quase a precipitar o fim de uma das maiores instituições desportivas deste país.
Convém eu agora fazer uma espécie de post-scriptum. Sou uma pessoa honesta. Vejamos, em condições normais a severidade das penas deve acompanhar a severidade dos crimes. Desconheço se isto tem algum nome específico em direito. Sem ser em direito, eu chamo-lhe bom senso. Por isso, é óbvio que a corrupção deveria ser punida mais severamente do que a coacção, e não ao contrário, como é o caso, em Portugal. Nesse, caso, haveria menos a reclamar no que diz respeito à descida do Boavista. Mas se assim fossem os regulamentos, também conviria pensar no seguinte: qual dos clubes portugueses que nunca teria incorrido num ilícito criminal deste género? Todos sabemos a resposta. E, por conseguinte, quais seriam aqueles que não deveriam descer de divisão? Nenhum, evidentemente, se bem que nalguns se iria tentar passar uma borracha por cima, e não investigar nada, conforme de facto ocorreu.

domingo, 23 de março de 2014

Coacção esverdeada

O Boavista hoje foi goleado em casa. Estou chateado evidentemente. Juntamente com isso, fomos roubado descaradamente. Talvez perdêssemos na mesma, hoje nenhum dos nossos remates entrava, e os do adversário entravam todos, mas não teríamos sido decerto goleados. O árbitro tem futuro. Consigo imaginá-lo a apitar um jogo do Sporting.
No próximo ano o Boavista jogará, espero eu, espera a minha alma e a de muitos boavisteiros, na primeira Liga. Com estas arbitragens vou-me preparando mentalmente para o próximo ano. O Boavista será o alvo a abater. De praticamente toda a gente: dos adversários directos na manutenção; dos supostos beneméritos da verdade desportiva, que nestes tempos mais recentes equipam de verde, mas cujo disfarce veio abaixo na semana passada; dos órgãos que gerem o futebol em Portugal, que se viram obrigados a absolver o clube que para o apito dourado não acabar em nada, foi condenado à má fila, e corrido à patada; dos árbitros. Estou preparado para roubos no próximo ano. Será necessário um campeonato, na próxima época, tipo 2000-2001, o nosso ano mirabilis, mas desta vez será apenas para não descer de divisão. E com tudo o que me parece que irá acontecer, será muito difícil. 
Esta semana, o F.C. Porto acusou o Sporting Clube de Portugal de coacção. Algumas pessoas desvalorizaram. Têm memória curta. A julgar pelo castigo, coagir é das coisas mais graves. A pena é descida de divisão, e já foi aplicada em Portugal, ao Boavista. E essas campanhas com vista à coacção dos árbitros parecem ter tido resultado. O F.C. Porto levou com um roubo de igreja em Alvalade. Eu acho que essa arbitragem foi resultado da campanha sportinguista durante a semana. Prová-lo é mais difícil, mas acho que foi corolário da coacção verde. Da mesma maneira que também acho que o atraso do no jogo das Antas para a taça da liga foi propositado, mas também difícil de provar. Provar que o Boavista coagiu, inicialmente também se julgava impossível, mas aconteceu, depois de um processo Kafkiano. Quero ver o que acontece com o Sporting. Já agora, e que tal trazer à baila o misterioso caso Cardinal, que na altura se disse que não tinha nada que ver com o Sporting. Na altura perguntei a mim mesmo: Então tem que ver com quem? Talvez tenha que ver com o Boavista e a sua coacção, que nos levou para a segunda. 
Entretanto, espero para ver aonde irá parar esta lenga-lenga. É pena ter-se criado esta parafernália,  até porque o Sporting estava e está a jogar futebol bonito de ver, daquele que eu vivesse em Lisboa, gostaria de poder ver ao vivo em Alvalade, conforme gosto de ver futebol bom em todos os estádios deste país.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Os Verdes

Ora bem vou falar sobre uns verdes. Não sobre grêlos do campo, de que gosto muito, e cuja época está a acabar, mas sobre uns verdes da zona de Alvalade, lá em Lisboa e que ontem derrotaram o F. C. Porto. Julgo ser oportuno manifestar a minha opinião sobre o assunto. Não tenho nada a mover-me pessoalmente contra essa grande instituição do desporto em Portugal que é o Sporting Clube de Portugal. 
Ontem o que eu vi foi um jogo, na minha opinião, para terminar empatado. Não concordo minimamente com a ideia de que o Sporting foi superior. Com alguma maior eficácia e o Porto estaria a vencer ao intervalo. Segunda parte e isto inverteu-se parcialmente. Conclusão, deveria ter terminado empatado.
Mais uma razão a favor do empate, é que nenhuma equipa conseguiu marcar legalmente um golo. E aqui se levanta a discussão. Entre os movimentos 'basta!' e afins, quando vejo responsáveis do clube verde a declarar que houve uma arbitragem positiva, e que o erro não belisca em nada a vitória leonina, compreendemos então a verdadeira acepção do dito movimento, pelo menos entre os mais destacados dirigentes (ou ex-dirigentes que se associaram a esse mesmo movimento): a teoria de que é para fazer bem ao futebol português cai por terra, e compreende-se que o erro do árbitro (erro grave) deixa de ter importância quando o clube verde é directamente beneficiado por ele. Não pretendo generalizar a todos os adeptos e associados leoninos, mas para estes que falaram depois do jogo, é mais que claro: não pretendem isenção, e que ganhe o melhor; pretendem que a não isenção (não isenção conspirativa, mais concretamente, a que eles mesmo pregam) se perpetue, e que eles mesmo passem a ser os donos dela. 
O problema, é que não existe essa mesma não isenção, derivada de uma conspiração. Existe não isenção derivada de incompetência. Existem é árbitros maus. Árbitros muito maus. Árbitro que falham muitas vezes. E o dito melhor do mundo, podendo não ser mau, também falhou ontem.
Concluindo, é claro que não é possível apagar o jogo da semana passada em que o Sporting foi prejudicado. Mas, não se pode também branquear o que se passou ontem, e apelar a uma espécie de vitória moral num jogo em que no único golo, o árbitro dá uma perninha, dizendo que o dito erro não belisca nem põe nada em causa.
Se o objectivo é que esses árbitro maus passem a não abundar nos campos de Portugal, estou completamente de acordo e saúdo a iniciativa. Mas se for baseado em vitimizações, pressões e em alegadas campanhas conspirativas, cujo verdadeiro objectivo foi posto a nu, por alguns sportinguistas ontem depois do jogo...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Paco de Lucía

Faleceu hoje um dos grandes guitarristas de sempre, Paco de Lucía. Conta a história que este nome artístico advém da sua mãe portuguesa de nome Lúcia. Resta-me apenas referir o quão eu aprecio a obra deste génio contemporâneo da guitarra, desde os seus álbuns a solo, como participações memoráveis em outros discos, entre os quais eu destaco o 'Friday Night in San Francisco' de 1981, com mais dois génios, o Al DiMeola e o John McLaughlin

Gosto muito desta, 'Rio Ancho' do álbum Almoraima de 1976, e que deu origem à espectacular e mais conhecida versão presente no citado 'Friday Night', numa versão conjunta denominada 'Mediterranean Sundance/Rio Ancho', onde a primeira é uma célebre música de Al DiMeola editada originalmente no álbum 'Elegant Gypsy' de 1977, já aí contando com a participação do Paco de Lucía, sendo muito provavelmente a primeira colaboração entre os dois.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Jáfumega

Hoje resolvi trazer um álbum dos Jáfumega, uma das grandes bandas da cidade do Porto. Este álbum é de 1981. Tenho-o em cassette, em muito bom estado, apenas ligeiramente abafado nos agudos, conforme às vezes acontece em cassettes antigas, mas que se consegue resolver limpando as cabeças antes de cada audição e ajustando o amplificador convenientemente.

Começo pela capa, tem um design fixe. Quanto à música, recuso-me terminantemente a dizer que os Jáfumega são os Police Portugueses. São muito mais do que isso. São para mim, uma das grandes bandas do Rock Português. Esta designação baseia-se, primeiramente, no facto da música que abre este álbum 'Latin'América' ter essencialmente, a mesma progressão de acordes que 'Message in a Bottle' dos Police. Claro que existem outras semelhanças no estilo entre as duas bandas: a exploração do mix entre jazz e rock (os irmãos Barreiros estavam lá todos, e a influência deles no jazz em Portugal é sobejamente conhecida); os vocalistas, Sting, por um lado e o Luís Portugal pelo outro, ambos com um registo bastante agudo, digamos assim, ainda mais evidente no português, etc.. Mas há diferenças fulcrais. Por exemplo, os Jáfumega contam com o saxofone na sua instrumentação base, tocado pelo José Nogueira (que era praticamente vizinho do meu pai, que morava na Rua do Sol, enquanto que o José Nogueira morava na rua que passava atrás, a Rua de S. Luís), e esse saxofone contribui intensamente para a identidade da banda. E mais importante ainda, os Police tinham algo de Punk, que passava através de uma sofisticação que dependia, por exemplo, de alguma síntese, algo que na altura foi catalogado usando o termo 'New Wave Music'. Isto já não sucede, a meu ver, nos Jáfumega. Devido aos sopros que já referi, temos neste álbum um dos primeiros exemplares de música Funk (ou próximo disso) em Portugal, algo que está presente em quase todo o álbum, mas que se realiza mais plenamente na faixa 'Homem da Rádio', verdadeiramente Funk, um pouco à Kool and the Gang. Um estilo pouco praticado em Portugal e que cerca de 10 anos depois o Pedro Abrunhosa (também com o Mário Barreiros) exploraria de modo memorável no seu 'Viagens'.

Quanto ao álbum, convém também referir algumas das letras, assinadas por Carlos Tê. Não consigo escolher uma música, acho que são todas muito boas. Mas refiro uma delas, bastante portuense, de nome 'Kasbah'. Para além dos três irmãos Barreiros, (um deles, Eugénio Barreiros é o vocalista principal em duas músicas, e podemos dizer que a voz dele, bastante contrastante com o estilo do Luís Portugal, introduz uma boa diversidade no álbum), os já referidos saxofonista José Nogueira, o Luís Portugal, e o Álvaro Marques.

Não vale a pena escreve mais. Agora é só ouvir.