segunda-feira, 24 de março de 2014

Coacção e Corrupção

Vou tentar explicar de modo sumário o que conduziu aos últimos anos da história recente do Boavista F.C.. O que contribuiu decisivamente para o castigo aplicado a Boavista e F.C. Porto foram umas escutas de que muito se ouviu falar. Acontece que o crime foi tipificado de maneiras diferentes. Para o F.C. Porto foi tipificado como corrupção. Para o Boavista foi tipificado como coacção. Diferença: Muita, Gigante. A coacção prevê a descida de divisão, ao contrario da retirada de pontos no segundo caso. Acontece, que conforme se sabe pelas ditas escutas, os crimes em questão deveriam ter sido tipificados como corrupção. O do Boavista não o foi e o motivo é simples. Era preciso uma decisão poderosa, do ponto de vista de quem decidia, havia uma maré vermelha de Lisboa que o pretendia. Uma maré vermelha, de onde, diga-se, existem escutas telefónicas, que para a justiça desportiva são praticamente inexistentes, visto nunca terem sido investigadas, à falta de uma apito encarnado. Um branqueamento normal para quem conhece o futebol. Portanto, muito simples, era preciso comutar os crimes de um dos clubes para coacção para que esse mesmo clube pudesse ser mandado para a segunda divisão. O próximo passo é ainda mais simples, qual desses clubes: claro que tinha de ser o Boavista. Tinha que ser, primeiro porque a outra possibilidade era o F.C. Porto. O Boavista, que era (e é) o quarto maior clube da história do futebol português, o quarto clube que mais vezes representou a nação em competições internacionais, isso sim, dignificar o país, com prestações inesquecíveis, e centenário, fundado em 1903, um dos mais antigos clubes portugueses, o mais antigo dos que estavam na primeira divisão, o antigo de entre aqueles que não mudam nem forjam datas de nascimento. As prestações internacionais não eram problema. O problema era o facto do Boavista ser o quarto maior de Portugal, cá dentro. Porque tinha conseguido o praticamente inédito de ser campeão nacional, incomodando, e muito, os grandes (todos eles tiveram dissabores com o Boavista: desde o campeonato ganho ao F.C. Porto, os 30 anos em que o Sporting praticamente conseguiu ganhar uma vez ao Boavista no Bessa, ou o Benfica, cujo pior período da sua história coincidiu com os momentos áureos do Boavista), incomodando também os pequenos, os motivos são ainda mais óbvios, porque ganhávamos mais do que eles todos. Portanto, a escolha era fácil, tinha de ir o Boavista para a segunda divisão. Como? Simples, arranjou-se maneira de um dado árbitro dizer que se sentia coagido quando apitavas jogos do nosso Boavista. Claro que sim, o senhor com certeza que se sentiu coagido como outros se sentem quando são insultados das bancadas, e todos nós que vamos ao futebol muitas vezes sabemos que insultos ao árbitro são exclusivos do estádio do Bessa, e não acontecem em mais lado nenhum. Está explicado o motivo e o modus operandi da cambada de Ricardo Costa, relativamente à severidade do castigo aplicado ao Boavista. Assim se tipificaram crimes em tudo idênticos de modos diferentes, crimes esses que deveriam ter sido, em ambos os casos, tipificados como corrupção, e consequentemente, aplicado ao Boavista castigo de perda de pontos, o mesmo que foi aplicado ao F.C. Porto, e que no caso do Boavista, também não teria efeito nenhum, ficaríamos na primeira divisão. Só falta eu falar do momento da tomada de decisão. A célebre reunião ilegal, onde estas decisões foram tomadas à má fila depois do presidente do órgão ter abandonado a sala, e dado o encontro como encerrado. A razão de Ricardo Costa e o seu bando ter agido assim parece-me óbvia: só com o seu punhado de amigos conseguiria obter o desfecho que conseguiu obter. Com todos os presentes, não o conseguiria muito possivelmente. O processo, conforme se sabe sobejamente, primou pelas falhas: na instrução, prova ilegal, etc.. Portanto, teve de ser assim, à má fila. E quem tinha poder para parar o processo e constatar a ilegalidade de uma reunião, não o fez. Porque será? Assim acaba a história, com o nosso Boavista na segunda divisão e quase a precipitar o fim de uma das maiores instituições desportivas deste país.
Convém eu agora fazer uma espécie de post-scriptum. Sou uma pessoa honesta. Vejamos, em condições normais a severidade das penas deve acompanhar a severidade dos crimes. Desconheço se isto tem algum nome específico em direito. Sem ser em direito, eu chamo-lhe bom senso. Por isso, é óbvio que a corrupção deveria ser punida mais severamente do que a coacção, e não ao contrário, como é o caso, em Portugal. Nesse, caso, haveria menos a reclamar no que diz respeito à descida do Boavista. Mas se assim fossem os regulamentos, também conviria pensar no seguinte: qual dos clubes portugueses que nunca teria incorrido num ilícito criminal deste género? Todos sabemos a resposta. E, por conseguinte, quais seriam aqueles que não deveriam descer de divisão? Nenhum, evidentemente, se bem que nalguns se iria tentar passar uma borracha por cima, e não investigar nada, conforme de facto ocorreu.

domingo, 23 de março de 2014

Coacção esverdeada

O Boavista hoje foi goleado em casa. Estou chateado evidentemente. Juntamente com isso, fomos roubado descaradamente. Talvez perdêssemos na mesma, hoje nenhum dos nossos remates entrava, e os do adversário entravam todos, mas não teríamos sido decerto goleados. O árbitro tem futuro. Consigo imaginá-lo a apitar um jogo do Sporting.
No próximo ano o Boavista jogará, espero eu, espera a minha alma e a de muitos boavisteiros, na primeira Liga. Com estas arbitragens vou-me preparando mentalmente para o próximo ano. O Boavista será o alvo a abater. De praticamente toda a gente: dos adversários directos na manutenção; dos supostos beneméritos da verdade desportiva, que nestes tempos mais recentes equipam de verde, mas cujo disfarce veio abaixo na semana passada; dos órgãos que gerem o futebol em Portugal, que se viram obrigados a absolver o clube que para o apito dourado não acabar em nada, foi condenado à má fila, e corrido à patada; dos árbitros. Estou preparado para roubos no próximo ano. Será necessário um campeonato, na próxima época, tipo 2000-2001, o nosso ano mirabilis, mas desta vez será apenas para não descer de divisão. E com tudo o que me parece que irá acontecer, será muito difícil. 
Esta semana, o F.C. Porto acusou o Sporting Clube de Portugal de coacção. Algumas pessoas desvalorizaram. Têm memória curta. A julgar pelo castigo, coagir é das coisas mais graves. A pena é descida de divisão, e já foi aplicada em Portugal, ao Boavista. E essas campanhas com vista à coacção dos árbitros parecem ter tido resultado. O F.C. Porto levou com um roubo de igreja em Alvalade. Eu acho que essa arbitragem foi resultado da campanha sportinguista durante a semana. Prová-lo é mais difícil, mas acho que foi corolário da coacção verde. Da mesma maneira que também acho que o atraso do no jogo das Antas para a taça da liga foi propositado, mas também difícil de provar. Provar que o Boavista coagiu, inicialmente também se julgava impossível, mas aconteceu, depois de um processo Kafkiano. Quero ver o que acontece com o Sporting. Já agora, e que tal trazer à baila o misterioso caso Cardinal, que na altura se disse que não tinha nada que ver com o Sporting. Na altura perguntei a mim mesmo: Então tem que ver com quem? Talvez tenha que ver com o Boavista e a sua coacção, que nos levou para a segunda. 
Entretanto, espero para ver aonde irá parar esta lenga-lenga. É pena ter-se criado esta parafernália,  até porque o Sporting estava e está a jogar futebol bonito de ver, daquele que eu vivesse em Lisboa, gostaria de poder ver ao vivo em Alvalade, conforme gosto de ver futebol bom em todos os estádios deste país.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Os Verdes

Ora bem vou falar sobre uns verdes. Não sobre grêlos do campo, de que gosto muito, e cuja época está a acabar, mas sobre uns verdes da zona de Alvalade, lá em Lisboa e que ontem derrotaram o F. C. Porto. Julgo ser oportuno manifestar a minha opinião sobre o assunto. Não tenho nada a mover-me pessoalmente contra essa grande instituição do desporto em Portugal que é o Sporting Clube de Portugal. 
Ontem o que eu vi foi um jogo, na minha opinião, para terminar empatado. Não concordo minimamente com a ideia de que o Sporting foi superior. Com alguma maior eficácia e o Porto estaria a vencer ao intervalo. Segunda parte e isto inverteu-se parcialmente. Conclusão, deveria ter terminado empatado.
Mais uma razão a favor do empate, é que nenhuma equipa conseguiu marcar legalmente um golo. E aqui se levanta a discussão. Entre os movimentos 'basta!' e afins, quando vejo responsáveis do clube verde a declarar que houve uma arbitragem positiva, e que o erro não belisca em nada a vitória leonina, compreendemos então a verdadeira acepção do dito movimento, pelo menos entre os mais destacados dirigentes (ou ex-dirigentes que se associaram a esse mesmo movimento): a teoria de que é para fazer bem ao futebol português cai por terra, e compreende-se que o erro do árbitro (erro grave) deixa de ter importância quando o clube verde é directamente beneficiado por ele. Não pretendo generalizar a todos os adeptos e associados leoninos, mas para estes que falaram depois do jogo, é mais que claro: não pretendem isenção, e que ganhe o melhor; pretendem que a não isenção (não isenção conspirativa, mais concretamente, a que eles mesmo pregam) se perpetue, e que eles mesmo passem a ser os donos dela. 
O problema, é que não existe essa mesma não isenção, derivada de uma conspiração. Existe não isenção derivada de incompetência. Existem é árbitros maus. Árbitros muito maus. Árbitro que falham muitas vezes. E o dito melhor do mundo, podendo não ser mau, também falhou ontem.
Concluindo, é claro que não é possível apagar o jogo da semana passada em que o Sporting foi prejudicado. Mas, não se pode também branquear o que se passou ontem, e apelar a uma espécie de vitória moral num jogo em que no único golo, o árbitro dá uma perninha, dizendo que o dito erro não belisca nem põe nada em causa.
Se o objectivo é que esses árbitro maus passem a não abundar nos campos de Portugal, estou completamente de acordo e saúdo a iniciativa. Mas se for baseado em vitimizações, pressões e em alegadas campanhas conspirativas, cujo verdadeiro objectivo foi posto a nu, por alguns sportinguistas ontem depois do jogo...