sábado, 29 de novembro de 2014

The Endless River


Desde há alguns anos para cá que meditava um pouco sobre o facto de a última música dos Pink Floyd, 'High Hopes', do álbum 'The Division Bell', que muitos acreditam falar sobre a banda e os seus bons e maus momentos, nomeadamente o conflito Gilmour-Waters, acabar com as derradeiras palavras 'The Endless River, Forever and Ever'.

Com surpresa total em Julho deste ano surgiu a notícia de um inesperado álbum. Passado algum tempo surgiu o título 'The Endless River'. Achei um bom título, possivelmente, eles, o David Gilmour e o Nick Mason devem ter pensado no mesmo que eu pensei a propósito da frase que fecha 'The Division Bell'.

Começo por deitar umas palavras sobre a capa, da responsabilidade de um designer egípcio de 19 anos, Ahmed Emad Eldin. É difícil imaginar os Floyd sem a obra do Storm Thorgerson. Como já disseram, a capa tem uma 'Floydian Resonance'. Um tributo ao grande designer. Se eu não soubesse que ele tinha falecido no ano passado, diria que a capa era da sua responsabilidade. Talvez, estando nós à beira de uma época em que a imagem associada à música parece ganhar de novo uma certa importância, fruto também de um pequeno resurgimento do vinil, estaremos daqui a 50 anos a falar deste designer egípcio como uma dos grandes album cover designers de sempre, como falamos hoje do Storm Thorgerson ou do Roger Dean, entre outros.

Ouvi o álbum na íntegra por duas vezes desde que o comprei no dia 15 de Novembro. A minha opinião, por isso mesmo, ainda não é completa. Mas tenho já a dizer que gostei. Gostei de alguns momentos bastante Ambient, sempre com as ideias do Rick Wright, e da guitarra quase sempre brilhante do David Gilmour. Pareceu-me ter alguns momentos baixos, não é como os álbuns mais clássicos dos anos 70, mas eu, que também aprecio os Floyd sem Waters, também apreciei bastante este 'The Endless River'. Tal como os Floyd de 'Momentary Lapse of Reason' e 'The Division Bell' são claramente Floyd dos anos 80 e 90, respectivamente, este 'The Endless RIver' consegue mesmo ser aquilo a que se propunha ser: um álbum dos Pink Floyd no século XXI. Uma óptima despedida. 

P.S.: Quanto à ausência de Waters, resta-me dizer que talvez a sua presença fosse despropositada. Há uma impossibilidade natural entre ele e o David Gilmour para trabalharem juntos. E atendendo à história do conflito, já é muito de admirar que essa impossibilidade não se tenha estendido até ao campo de um diferendo a nível pessoal e de amizade, de modo irreversível. Felizmente a esse nível a situação não era irreversível, nos últimos anos assistimos a isso nos concerto da Hoping Foundation em 2010, e a célebre aparição de Gilmour no topo da parede num dos concerto da digressão 'The Wall Live' em Maio de 2011, seguindo-se um abraço no fim, e um pequeno discurso emocionado de Waters que mostra que o conflito pessoal foi ultrapassado. Dois Rock Stars que possivelmente, quando morrerem, não estarão de costas voltadas. Mas, pedir que para além disto que ainda houvesse possibilidade de trabalharem juntos, creio que é pedir demais. E, como disse, creio que a presença de Waters seria despropositada e algo embaraçosa, que poderia até degradar o reatamento da relação entre os dois. Sinceramente, e apesar de achar que os grandes Floyds são os da formação clássica, julgo que foi melhor assim.

E as últimas palavras passaram a ser 'Louder than Words'...

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