terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Não nos pararão

Fomos explicitamente roubados nas últimas duas semanas, num total de três pontos roubados que estão a fazer falta. Mas vamos em frente, por é para aí o caminho. O Boavista não pode descer de divisão, apesar muita gente o desejar: os grandes que o desejam pois sabem que é um clube que, uma vez recuperado, os pode incomodar como já incomodou, os pequenos por uma inveja evidente daquilo que o Boavista já conquistou e que o tornou no clube imediatamente a seguir aos grandes naquilo que verdadeiramente interessa, que são os troféus conquistados. Mas não podemos descer por causa da situação ainda periclitante em que nos encontramos. E estou convicto que o vamos conseguir. Nada nem ninguém nos fará parar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sobre a guerra que se desenrola

Tenho ouvido e lido apologias de uma intervenção militar severa na Síria, contra o Estado Islâmico. Mais do que isso, tenho ouvido apologias do uso da força, toda a que se tenha disponível (e a França é uma país poderoso nesse aspecto), pois todas as guerras têm excessos. Citam os excessos aliados, na 2ª guerra. Um falácia, conforme é fácil compreender. Na segunda guerra visava-se o enfraquecimento dos dispositivos militares adversários (alemães e japonenses), que certamente mataria muitos civis, mas que acabaria como uma guerra tradicional acaba: anexação de parte do território (ocupação soviética da Berlim, culminando com a colocação da bandeira vermelha na varanda do Reichstag, que se transformou numa icónica fotografia), ou capitulação do adversário (os japoneses assinaram a sua capitulação a bordo do navio de guerra americano USS Missouri, momento registado noutra fotografia icónica da guerra). O problema é que agora a guerra não é contra um país como a Alemanha ou o Japão. É contra o terrorismo, que, até ver, não pode ser anexado, porque não é um território. E, sabemo-lo bem, não capitulará. Portanto, qualquer paralelo com a 2ª guerra mundial é absurdo. É claro que o Estado Islâmico pode ser derrotado, e quase forçado a deixar de existir. Significa isso o fim do terrorismo? Claro que não. Pode significar a destruição do Estado Islâmico e fazer com que este se torne uma seita menos relevante no contexto do fundamentalismo Islâmico, tal como a al-Quaeda também se tornou menos relevante nos últimos anos, que coincidiu com um fortalecimento evidente do Estado Islâmico, mas não mais do que isso. Tenho até razões para crer que intervenções militares, de algum modo indiscriminadas relativamente ao uso da força sobre uma dada área do globo, podem contribuir e muito para um aumento da possibilidade de surgimento ou ressurgimento de um movimento que de certo modo tome o lugar do estado Islâmico como a principal organização fundamentalista islâmica terrorista do mundo, um sucedâneo, não no sentido histórico de formação da organização, mas no sentido em que toma o lugar central no terrorismo internacional. Para se acabar com isto só há um modo: as intervenções, a existirem, têm de ser cuidadosas, de modo a não aumentar a intensidade da potencial ameaça terrorista. De resto, este princípio tem de ser transversal, e não apenas relativamente a operações militarizadas, desde bombardeamento, operações terrestres ou os drones, mas também nas atitudes políticas do ocidente que interferem de modo decisivo na economia e relações sociais dos países do Médio Oriente, a começar pelo centro de tudo, a Arábia Saudita. A este propósito, sugiro este artigo que hoje li: http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/aug/31/combat-terror-end-support-saudi-arabia-dictatorships-fundamentalism?CMP=share_btn_fb. Do modo como vejo a questão, acho que é por aqui que devemos de ir, sob pena de o combate ao terrorismo dos dias de hoje (e consequente efectiva e provável diminuição da ameaça hoje) contribua grandemente para o aumento da ameaça amanhã, o que resultará na perpetuação do terrorismo deste tipo enquanto não houver um outro paradigma que veja mais à frente, para reduzir o terrorismo deste tipo à quase inexistência.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Blue Train

Blue Train, de John Coltrane, 1957. Este é o álbum de Jazz de me recordo há mais tempo. Provavelmente, foi o primeiro disco de Jazz que eu ouvi. E por isso mesmo, deve de ser o disco de Jazz que mais vezes ouvi na minha vida. O mesmo se pode dizer da faixa título, que deve de ser a música de Jazz que mais vezes ouvi. Como consequência, acho que sei os solos quase de cor. Este foi o segundo álbum da carreira do Coltrane como líder, e o primeiro (e único) álbum dele na Blue Note. Todas as faixas são composições novas, com excepção do standard 'I'm Old Fashioned'. Quanto aos outros músicos, são soberbos. No trompete, o Lee Morgan, que na altura em que participou neste álbum deveria ter 19 anos de idade, e que viria mais tarde a desenvolver uma carreira, infelizmente curta, que incluiu grandes discos a solo e a participação, por exemplo, nos Jazz Messengers de Art Blakey, participando no também lendário 'Moanin' '. Curtis Fuller no trombone, Kenny Drew no piano, Paul Chambers no baixo (por vezes tocado com arco) e o Philly Joe Jones na bateria. Gosto de imaginar as festas de Jazz dos anos 50, em que se tocavam estas peças quase intermináveis, numa altura em que o Jazz não implicava ficar sentado o mais quietinho possível numa cadeira a escutar. Não digo que não a essa atitude de estar simplesmente a escutar, deleitado. Mas isso do Jazz dançado, ou melhor, abanado (creio que é mais exacto classificar esses serões Jazzísticos dos anos 40 e 50 como abanados, o que para mim não seria mau, pois dançar não é meu forte), tinha uma certa dose de loucura, que eu também sinto que me percorre quando oiço este Jazz do bebop e do hard-bop, de batida forte e velocidade. Essa dose de loucura que tanto inspirou a música futura, o movimento beat, a poesia ritmada e a literatura. Este álbum é um marco no hard-bop. E sempre que se fala em hard-bop esta é uma daquelas obra que me vem logo à cabeça. E sendo o hard-bop o meu estilo preferido dentro do mundo do Jazz, julgo que as repetidas audições deste álbum contribuíram definitivamente para isso. Um álbum grandioso e histórico.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Para Além das Cordilheiras

Desde há muito tempo que sou grande fã do Fausto. A maior parte da minha atenção relativamente à obra dele, recai, como na maior parte dos seus ouvintes, na extraordinária trilogia 'Lusitana Diáspora', inaugurada em 1982 com o magnânimo 'Por Este Rio Acima', passando pelo 'Crónicas da Terra Ardente' de 1994 e culminando no 'Em busca das Montanhas Azúis' de 2011. Mas há obra para além da trilogia. Este é um deles: 'Para Além das Cordilheiras' de 1987. Ao contrário dos álbuns da trilogia é um álbum de um só LP. Não fala das viagens dos portugueses na Ásia, ou em África ou dos naufrágios, mas fala de Portugal e do nosso lugar no mundo, e principalmente na Europa, passando sobre o que é ser lusitano, ao tema da emigração, etc.. Uma das faixas que mais me cativam é a primeira, 'Lusitana' onde se expõe de certo modo o que é ser Lusitano, e que acaba sendo relevante para o resto do álbum: a Musa, o sentimentalismo, a mais africana e mulata das europeias, terra mãe de crioulos, que cuida da nossa alma (portuguesa) errante. A faixa que mais ficou deste álbum é, sem dúvida, Foi Por Ela, ainda tocada com alguma frequência nos concertos, por exemplo no memorável concerto Três Cantos de 2010. Um grande álbum.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Free Hand

Estou a ouvir 'Free Hand' dos Gentle Giant, de 1975. Como grande parte dos álbuns dos Giant é um disco ambicioso, e, por isso, acaba sendo, também uma audição ambiciosa. Este foi o primeiro álbum dos Giant que ouvi, creio que em 2007 e um dos meus preferidos. Praticamente todas as faixas são boas. A primeira, 'Just the Same' usa as habituais poli ritmias da banda, começando com um estalar de dedos que marca o ritmo. A segunda, 'On reflection' é uma fuga a 4 vozes no sentido clássico do termo, que depois progride para uma variação, recuperando de novo a fuga, desta vez com instrumentos a acompanhar as vozes, terminando com um longo interlúdio antes da reexposição instrumental do tema da fuga. A terceira, a faixa título 'Free Hand' é uma das mais rockeiras do disco, contando com os ornamentos barrocos típicos da banda nesta fase. De seguida vem 'Time to Kill' que apresenta algumas parecenças, em termos de instrumentação utilizada com 'Free Hand'. Logo depois 'His Last Voyage', uma das mais medievais do álbum, com uma secção vocal algo gregoriana, Em 'Talybont' marcam presença novamente o cravo, as flautas, etc.. O álbum termina com 'Mobile', uma peça conduzida, na sua fase inicial, pelo violino. Um grande álbum.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Livros em Portugal

Ora bem, isto é para dar conta do seguinte. Tenho dificuldade em entender o mercado livreiro em Portugal. Eu simplesmente não alinho na ideia de que um livro para ser considerado bom tem de passar o teste do tempo. Precisa do tempo para a aclamação, não para ser bom. Por exemplo, 'Os Maias', enxovalhado quando saiu em 1888 (é fácil perceber porquê, era um retrato demasiado brutal do Portugal da época), hoje aclamado como obra-prima. Mas em 1888, no mesmíssimo dia em que o Chardron, da lendária livraria Lello, na época livraria Chardron, no Porto, recebeu o manuscrito, já era uma obra-prima, já era bom. Dito isto, eu não sou um 'leitor' de clássicos, no sentido em que não me restrinjo a eles. Na verdade, não me restrinjo a nada, mas até acho que estou mais próximo de o fazer relativamente a literatura mais recente, que ocupou, até agora, um maior volume das minhas leituras. Julgo que tenho aumentado, aos poucos, o volume dos ditos clássicos nas minhas leituras, e não me arrependo disso. O ideal seria uma divisão bem equitativa, que, pelas razões que acima explicitei, nunca deixe de fora a literatura que se vai editando. De um modo mais brutal poderia dizer que não respeito sacramentalmente os ditos clássicos. Por clássicos entendo a fórmula mais habitual da definição: um livro já com alguns anos que adquiriu aquilo que se chama um lugar na história da literatura.

Voltando ao fulcro, o parágrafo anterior foi só um introito. Comecei mencionando que tinha dificuldade em entender o mercado livreiro em Portugal. Tenho comprado cada vez menos livros em grandes livrarias, como Fnac's, Bertrand's, etc.. Geralmente só o faço com livros novos, que saíram acabaram de sair, portugueses ou estrangeiros. De resto, compra-se mais na internet, usados (geralmente em bom estado), ou então em alfarrabistas. Mesmo livros relativamente recentes podem ser comprados usados na internet a preço bastante mais baixo, isto se uma pessoa tiver paciência para esperar. E tudo isto é porque edições novas têm preços absolutamente inacreditáveis, particularmente quando se faz uma tradução de algo, que ou nunca foi traduzido ou estava esgotado. Por exemplo, se eu quiser ler, (e gostaria de o fazer), 'O Homem Sem Qualidades', de Musil, teria de gastar, em três volumes, imagine-se, quase 80 euros, mais de 25 euros em cada livro. Em inglês compraria esta obra, num volume único e custava-me nem 25 euros, parperback claro, letra que nos obriga a nos munirmos de uma lupa do carago, mas acessível. Isto porque, depois de muitos anos o livro esgotado e desaparecido (havia sido editado pela colecção 'Dois Mundos', Livros do Brasil), fez-se uma nova tradução e foi editado novamente. Claro que teria de ser um livro caro, é uma obra gigante. Claro que estava indisponível. Pois bem, tornaram-na disponível da maneira mais cara possível, e tão cedo não a irei ler: até há algum tempo atrás seria porque não tinha dinheiro para isso. Agora, até poderia comprar, mas é absurdo com este preço. Não era possível simplesmente comprar os direitos da edição que estava esgotada? Seria logo mais barato pois não necessitaria de nova tradução. Não era possível uma edição mais barata, tipo bolso, em vários volumes ou num só? Assim não, não a comprarei, acho ridículo. Esperarei pelo dia em que num alfarrabista me apareça à frente o livro, (costumo ter sorte nestas coisas), e comprá-lo-ei na altura. A mesma coisa acontece em muitas mais obras. Outro exemplo: gostava de ler Proust, 'Em Busca do Tempo Perdido'. Comprar os sete volumes da tradução da Relógio D'Água custará 150 euros! (Estou a rir e a chorar por dentro). Por que não fazer uma reedição mais em conta destes sete volumes? Repare-se no modo como isto dificulta quem quer ler os clássicos, aqueles que os intelectuais dizem que são livros que toda a gente deveria de ler. Se essa pessoa os tiver em casa, tem. E eu tenho muitos. Se os não tiver, e quiser lê-los, azar, abra os cordões à bolsa. Acho lamentável.

Em suma, era isto a que eu me referia quando disse não entender o mercado livreiro em Portugal. Quando se trata de editar alguma coisa com uma nova tradução, por exemplo quando a anterior está, ou esgotada, ou difícil de encontrar, impreterivelmente, a opção editorial que é tomada pelas editoras é a mais cara, e por conseguinte, a mais inacessível aos leitores. Ocorrendo isto com os clássicos que se pretendem universais, estamos numa contradição de palavras e actos difícil de levantar. Felizmente que com uma visita ao alfarrabista isto se vai resolvendo, se bem que não se pode ir com uma ideia fixa neste ou naquele: a experiência diz-me que é má estratégia. Vai-se e vê-se o que há, e há-de haver algo interessante. E vão-se resolvendo estes dilemas à nossa maneira.

domingo, 20 de setembro de 2015

Episódios

Não vi o jogo hoje. Tive um baptizado em Fátima. Ao voltar para cima, por volta das duas da tarde, indo a caminho da Mealhada para os leitões, eis que passa a nossa camioneta axadrezada indo para baixo, com destino a Coimbra. Pedi a alguém um telemóvel com internet ao intervalo para ver o resultado do jogo. E pedi-o outra vez no final para ver resultado definitivo. E fiquei contente. Não vi o jogo, mas depois da derrota injusta da última jornada, já merecíamos uma vitória. Vamos em frente pá!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Eleições

As eleições aproximam-se e ainda não sei bem em quem irei votar. Confesso que contemplo mais do que nunca a possibilidade de votar e branco, se bem que isso não serve de muito. O melhor seria mesmo não votar, mas também devo confessar que isso me traz um certo remorso ao pensar num povo que não pode votar durante tantos anos, e por isso não o farei e irei votar. Essa possibilidade de votar em branco passa-me cá dentro do meu espírito com cada vez mais frequência. Não voto nem na coligação dos pifs ou pafs nem no ps, que enterraram Portugal. Tirando isso, só me resta o voto à esquerda, protestando, no pc ou no moribundo bloco, que até me traz mais simpatia agora do que há algum tempo atrás em que alinhava numa esquerda apatriótica, com a qual eu não me identifico, e me fez tender para o voto no pc, tirando uma vez, em que votei bloco, e a última eleição para a câmara do Porto, uma eleição bastante específica, em que fruto das circunstâncias votei em duas candidaturas diferentes nos três órgãos a eleger. Ora bem, ainda faltam algumas semanas, a ver vamos se a ideia do voo em branco cresce na minha cabeça e se não será mesmo essa a minha decisão final.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Injustiça

O futebol é injusto muitas vezes, tal como a vida também o é para certas pessoas muito frequentemente. Não merecíamos empatar, quanto mais perder. Controlámos e praticámos o melhor futebol mesmo jogando com 10, com empenho total, determinação, futebol bem jogado, objectivo para tentar chegar à baliza adversária. Os erros no futebol às vezes no futebol transformam-se em grandes injustiças, a começar por um certo desperdício que nos impediu de ganhar o jogo. É injusto para nós todos, boavisteiros, mas ainda mais injusto será para os jogadores, pois eles, melhor do que ninguém, sentiram que estavam por cima do jogo, que jogaram melhor e que mereciam ganhar, e, em última instância, são eles que mais sentem a derrota e a tristeza associada a uma derrota destas, totalmente injusta. Por isso merecem apoio total, com a certeza de continuarem a trabalhar, que a injustiça não dura sempre. Coragem, vamos em frente.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ser Solidário

Hoje decidi voltar a um dos grandes discos de sempre, na minha opinião, da música portuguesa: 'Ser Solidário', José Mário Branco, de 1982. Um dos maiores cantautores portugueses com uma das suas melhores criações. Um álbum incrivelmente ecléctico, conforme se pode constatar desde logo pela primeira música, intitulada 'Travessia' que começa de modo muito acústico e rapidamente se transforma num rock/blues soberbo. Este álbum é mesmo de uma variedade impressionante, com o quase jazzístico 'Inquietação', com fado, a marcha popular 'Qual é a tua, ó meu?, e muito mais. Um álbum excepcional.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A Ouvir...

O meu estilo preferido no Jazz é seguramente aquilo que se costuma chamar de Bebop ou Hard Bop. E este é um dos clássicos maiores do género: "Moanin' ", Art Blakey and the Jazz Messengers (1959).

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Pictures from a St. John

Passou-se ontem mais um São João. Bebeu-se uns copos, andou-se por aí, encontrou-se algumas pessoas que já não se via há algum tempo. Começou-se pelas Fontaínhas, o grande local do São João, viu-se o fogo da ponte do infante. Antes disso já tinha encontrado uma pessoa que há alguns anos não via que me tinha dado aulas de música. Já depois em Alexandre Herculano, uma outra pessoa que sempre foi da minha turma, a Mariana, ainda nos vamos encontrando frequentemente, juntamente com o nosso grupinho que se manteve ao longo dos anos pós 2008. Alguns metros mais acima, o Sr. Hermínio, o sacristão da igreja, vindo do bairro Herculano brandindo um enorme martelo de São João. O facto de se encontrar algumas pessoas que já não via há algum tempo é sempre bom, e enche-me sempre de imensa alegria, pois são bons amigos, e apesar de não nos vermos assim tantas vezes. E assim se continuou por aí, foi-se aos Clérigos, bebeu-se uns copos e parou-se em Miragaia, em baixo do muro, perto de um palco com um grupo de baile que tocava bastante bem diga-se (até tocaram Creedence). Pronto, e assim foi. À vinda embora, houve uma rapariga que tentou pentear a minha franja, ou repa, muitas vezes despenteada e descaída, no caso devido a uma ligeira briza e a uma ligeira embriaguez, (os copos despenteiam, fazem o cabelo ficar desgrenhado, pois). Eu também penteei o cabelo dela (que não necessitava), colocando-o atrás das orelhas, e acabou resultando num único beijo, não me importava a mim, nem a ela julgo eu, de que tivessem sido mais. Assim se passou um São João. Sábado há um São Pedro, vamos tentar fazer igual. Mas este ano, São João, como diria o outro, já não há mais.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

The Shape of Jazz

Em 1959, o Ornette Coleman lançou um álbum de título 'The Shape of Jazz to Come', um dos primeiros marcos do que se começou a chamar de Free Jazz. O Ornette é um dos expoentes deste tipo de Jazz, que também se traduziu numa outra corrente algo relacionada do Jazz Avant-Garde. De resto, o termo Free Jazz nasce com um álbum do Ornette com o mesmo nome, lançado em 1960. A sua influência é notória em praticamente todo o Jazz Moderno, através de variadíssimos aspectos. Em 1959, lançou este 'The Shape of Jazz to Come', um álbum que mudou para sempre a história do Jazz. A secção rítmica, Billy Higgins na bateria, Don Cherry na corneta e Charlie Haden no baixo. A não presença de um piano vai também de acordo a uma certa tentativa de despojar a secção rítmica de alguma harmonia, permitindo outro tipo de improvisação, que se preocupa menos com a harmonia subjacente quando comparada com o Bebop ou o Jazz Modal, e que constitui também um ponto importante e paradigmático daquele Jazz que estava a aparecer. O Ornette usou o termo 'harmolodic' para descrever a sua improvisação. É um álbum algo tristonho, bluesy, com um certo lirismo em muitas passagens com o timbre característico do Ornette. Algo curioso é saber que o saxofone alto de onde esse timbre vem, o saxofone que ele segura na imagem de capa acima, era um saxofone de plástico Grafton, que ele usou em vários álbuns, e que na década de 60 custavam cerca de metade dos saxofones de metal, o que ele adquiriu depois do tenor dele se ter estragado. Comprei este álbum em vinil há alguns anos atrás, numa reedição de altíssima qualidade, e, volta e meia, ouço-o. 

Mais de 50 anos depois, o título está um pouco desactualizado, este Jazz não está para vir. De facto, já lá estava dentro daquele disco de vinil, e como qualquer disco clássico, este álbum passou também a ser The Shape of a Jazz, ou a forma de um Jazz, o Jazz do Ornette, intemporal, inesquecível.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A Flock of Seagulls

Há cerca de dois anos atrás comprei um álbum, em LP, dos A Flock of Seagulls. O primeiro álbum, que tem como título o nome da banda. O álbum não estava na melhor das condições, mas muito razoável. É um álbum típico dos anos 80, do ano de 1982, vê-se logo isso pela capa. tenho tentado manter abertos os meus horizontes musicais o máximo possível, daí que nos últimos dois anos tenha escutado este álbum repetidas vezes.

Os A Flock of Seagulls vêm de Liverpool, tal como vieram outras bandas que se tornaram marcos da música New-Wave dos anos 80, como os Echo and the Bunnymen, Frankie Goes to Hollywood, OMD (Orchestral Manoeuvres in the Dark), The Teardrop Explodes, China Crisis, etc.. Este é certamente um álbum pop, anos 80. Mas é movido à base de pequenos motivos e riff, sejam de guitarra ou de sintetizadores, movidos por uma bateria quase nada alterada com efeitos, o que faz com se trate de um pop muito rockeiro, podemos assim dizer. O grande exemplo disso é o grande hit 'I Ran (So Far Away)'. E para além disso, trata-se de um álbum mais ou menos conceptual, uma estrutura aproveitado dos anos 70 e das experiências progressivas. Os riffs/hooks deste álbum são memoráveis. Em quase qualquer faixa há um motivo de guitarra e sintetizador genial. Quanto ao penteado do vocalista, supostamente para ser tipo seagull, isso abstenho-me de comentar.

Este é sem dúvida, um dos meus álbums preferidos dos anos 80. Um álbum espectacular.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um assunto de Polícia

Aquilo que se passou ontem em Guimarães, falo da agressão inacreditável àquelas 2 pessoas, ao que parece, pai e avô de uma criança, trata-se de uma vergonha inqualificável por parte do Polícia envolvido, que seguramente deve de ser deficiente mental, para além de ser uma cavalgadura de palheiro. Ainda bem que alguém filmou, senão estaríamos aqui a levar com as histórias da carochinha do costume, uma imensa propaganda destinada a absolver o comportamento da polícia e ilibar os mesmos de qualquer uso de força excessiva. Ainda bem que se filmou, pois senão teríamos de ficar pelas testemunhas oculares, tal como aconteceu no mesmo estádio, num jogo com o Sporting, onde os polícias dormiam enquanto dois sportinguistas eram esfaqueados, ou o jogo do Boavista em que a brutal acção da polícia (falta saber se o mesmo energúmeno, ou algum dos seus discípulos lá do sítio) resultou num adepto do Boavista que perdeu a visão de um olho. Ainda bem que alguém filmou, pois agora passamos a perceber qual deve de ser o modus operandi da polícia daqueles sítios. Este vídeo, de facto, explica muita coisa... Só resta, agora, descobrir a alimária, e tomar providências para que a polícia daquela zona actue condignamente, pois senão, da próxima vez que lá houver algum incidente com a polícia, ninguém se deixará de lembrar destes lamentáveis episódios. Este é, seguramente, um assunto de polícia.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

B. B. King

Faleceu hoje um dos reis dos blues, o grande B. B. King. Já se sabia desde há algumas semanas que o estado de saúde dele não era o melhor. Ainda ontem estive a ouvir algumas músicas. Não sou o maior conhecedor dos Blues, (estou a esforçar-me por conhecer e gostar mais) mas se há alguém que me faz gostar mais e mais foi seguramente o B. B. King. Hoje, de manhã, depois de saber da notícia, fui outra vez ouvir, 'Kansas City, 1972', e 'King of the Blues Guitar', e acho que gostei mais ainda. O Blues devido a ele, será eterno, e ele também o será na história do género que praticou e da música universal.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A propósito do acordo ortográfico

Escrevi, há já alguns anos atrás, na verdade há mais anos do que a minha percepção me parecia indicar um texto sobre o acordo ortográfico. Esta frase foi só uma maneira de meter à força a palavra percepção como ele deve e merece ser escrita. Alguns anos passaram, e tenho mais ou menos a mesma opinião. Há no entanto mais um dado, bastante grave a meu ver, que tem que ver com efeitos fonológicos nocivos e altamente deletérios do novo ortográfico. Refiro-me ao modo como palavras como espectro, sector, corrector estão, cada vez mais, a ser pronunciadas. Confesso que, à época, não previa tal cenário de causalidade entre o novo acordo ortográfico e a maneira errada com que algumas palavras, estão, frequentemente, a ser pronunciadas, algo que me está a surpreender bastante, e que, com toda a sinceridade, duvidava de tal efeito do novo acordo. Sem mais assunto, deixo este facto que cada vez mais observo, e que, tristemente, cada vez mais me inquieta.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Já está!

Ontem festejei como em 18 de Maio de 2001! Como tinha dito que faria num qualquer post anterior. Não acompanhei o jogo no santuário do Bessa. Acompanhei como pude pela rádio, no caso a Antena 1, não consegui apanhar outra que estivesse a acompanhar o jogo. Quando entrou o primeiro eu estava a passar algures em Adorigo, Tabuaço. Quando entrou o segundo estava parado numa enorme bicha em frente à Régua, no acesso à ponte velha, devido a uma corrida de bicicletas, enorme festa, com apitos e afins. Estava uns 20 metros mais à frente quando o Moreirense marcou, e tremi um bocadinho. O terceiro foi quando passava na estrada nacional 222 na freguesia de Barrô. Aquando do final do jogo estava a passar em Massora e Passarro, mesmo antes de entrar em Resende, uma festa que as poucas pessoas que estavam na rua, vendendo a célebre cereja de Resende, debaixo de um temporal feroz e de um nevoeiro denso, certamente não perceberam muito bem. Já perto de Entre-os-Rios, a festa ainda foi maior depois de ouvir as declarações emocionadas do nosso grande treinador, presidente, e o do nosso presidente da SAD, Álvaro Braga Júnior, que merece um lugar eterno nas páginas da história do nosso clube como presidente do clube num dos seus momentos mais difíceis. Os adeptos ajudaram, e muito, e qualquer boavisteiro tem que fazer uma menção especial aos Panetras Negras, mas eles são os grandes responsáveis juntamente com os jogadores claro, os jogadores que não valiam nada, que no início iam ser bombo da festa, perder com todos, record de golos sofridos, menos pontos, etc., mas que evoluíram de maneira incrível, que lhes permite garantir os objectivos com três jogos ainda por jogar e que são quem mais merece este sucesso. Daqui a 40 anos ainda saberei dizer os nomes dos heróis que vestiram a camisola axadrezada no ano do regresso e que, contra a expectativa de toda um comunicação social que os esperava ver falhar e deixar o Boavista cair, conseguiram concretizar os objectivos. É a Brava Dança dos Heróis. Agora é tempo de pensar na próxima época, que será, novamente, muito difícil. Deixo isso para quem sabe, depois de uma época em que eles souberam, e muito bem, o que faziam.

VIVA O BOAVISTA! 


terça-feira, 24 de março de 2015

Herberto Helder

Faleceu hoje o poeta Herberto Helder. Confesso que não sou um grande conhecedor da obra. Li apenas o livro 'Photomaton & Vox'. Também tenho por aqui 'Os Passos em Volta', que nunca li. Sou capaz de o fazer um dia destes. O nosso país fica profundamente mais pobre sem esta grande figura da poesia portuguesa e mundial.

terça-feira, 17 de março de 2015

Maiden Voyage

Li nalgum sítio que passam hoje 50 anos sobre o lançamento de 'Maiden Voyage' do Herbie Hancock em 1965, possivelmente um dos maiores discos da história do Jazz, um dos vários momentos ímpares da carreira de um dos maiores teclistas Jazz de sempre. Tal como no excelente álbum 'Empyrean Isles' de 1964 o que nos é apresentado é um Modal Jazz bastante lírico, entrecortado nalguns sítios por traços típicos do Hard Bop. Daqui saiu um standard intemporal com o mesmo nome do álbum. Excelente. Um daqueles discos de Jazz ao qual se volta sempre passado algum tempo.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Álbum do dia - Miradouro de Júlio Pereira

Estou a escutar um álbum que nunca tinha ouvido antes, 'Miradouro' do Júlio Pereira, de 1988. Se não fosse a internet e o Youtube nunca o teria ouvido, possivelmente. Quanto ao álbum, tem mais coisas sintetizadas e variedade instrumental do que os mais conhecidos álbuns focados na exploração de um instrumento, como os anteriores 'Cavaquinho' e 'Braguesa', este 'Miradouro' é mais na linha de um outro álbum que eu já conhecia 'Os Sete Instrumentos' de 1986. Uma excelente obra da música tradicional portuguesa, por um dos seus maiores expoentes. Concluindo, achei excelente, gostei muito.

domingo, 8 de março de 2015

Mais uma Vitória

Somámos mais uma vitória, 3-1 ao Guimarães. A propósito das declarações do treinador do Vitória de Guimarães no fianl do jogo, tenho a dizer uma série de considerações que passo a enumerar. 2 das expulsões que foram assinaladas ao Vitória de Guimarães foram em tempo de compensação com o resultado decidido, já em 3-1. Uma delas, a última é completamente errónea, sendo que deveria apenas ter sido atribuído um cartão amarelo. Quanto à outra expulsão em tempo de compensação, o jogador do Vitória de Guimarães pisa ostensivamente um jogador do Boavista, levando segundo amarelo. O jogo, conforme disse, estava, a meu ver decidido, por isso até dou de barato que o árbitro não mostrasse esse cartão amarelo. Foquemo-nos então ao que aconteceu antes. O jogador Bernard, já tendo amarelo, empurra o Afonso na pequena lua da área. Claro que o Afonso se atira para o chão, mas está lá a mão nas costas, e a ser falta, tem que ser amarelo. O jogador Tomané, já tendo amarelo, pontapeia o Idris com uma stickada que tem de ser inequivocamente punida com cartão amarelo quando o jogo estava em 2-1. Quanto ao lance do 3-1, o Zé Manel domina efectivamente a bola com a mão, depois do André ter dado um ligeiro toque no Zé Manel, que o desequilibra e causa o toque com a mão. Eu gosto de quem deixa jogar, por isso até acho que a decisão acertada, pois a para o jogo, teria de ser falta do André e consequente expulsão, com o jogo ainda em 2-1. Por isso, não compreendo o que disse o treinador do Vitória de Guimarães. Até dou de barato as duas últimas expulsões, uma delas claramente errónea, outra talvez exagerada numa altura em que o jogo está nos acréscimos, e o penalty inequívoco que resultou no golo do Vitória de Guimarães, tal como a expulsão inequívoca do Bernard, que se pôs a jeito ao empurrar um jogador adversário dentro da meia-lua; mas não dou de barato uma expulsão clara perdoada quando o jogo estava 2-1, nem o facto de o nosso terceiro golo ser claramente mão mas apenas depois de um toque do André que causa esse toque com a mão conforme descrevi atrás. Quando o jogo esteve 11 contra 11, o jogo foi disputado, com uma vantagem injusta do Vitória, um jogo para 0 a 0. Com 11 contra 10, o Boavista foi claramente melhor, e mereceu a Vitória. Vamos em frente que para a sermana há mais. Em Maio espero festejar tal como festejei no dia 18 de Maio de 2001.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Edgar Froese

Soube-se há alguns dias atrás do falecimento de Edgar Froese, um dos principais nomes da música electrónica, o principal membro dos lendários Tangerine Dream. O meu nome preferido da música electrónica clássica é claramente o Jean-Michel Jarre, que tem, como acho que mencionei há alguns anos atrás num post a propósito de um dos seus álbuns, uma música muito orgânica, melódica, e muito terrena. Já os Tangerine Dream oferecem algo de bastante diferent, têm algo que a mim me parece cósmico, espacial. Gosto muito na mesma, por isso é que decidi ouvir um dos álbuns. Escolhi o 'Phaedra' de 1974.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Problema de expressão

Usurpo deliberadamente o título de uma música dos Clã para este post que dedico a um dos assuntos mais falados das últimas semanas, nomeadamente desde o atendado em Paris ao jornal satírico Charlie Hebdo. Incrível como um jornal desconhecido passa de 60000 cópias para cerca de cinco milhões. Mas essa é outra história que eu não consigo comentar ainda de modo satisfatório, tirando se beber uns copos, por isso, para já fico-me pela questão da liberdade de expressão.

Acontece que quando falamos do conceito de liberdade de expressão, há muitas posições que se podem adoptar, mas, no fundo, tudo se resume a apenas duas, a meu ver: a primeira, defender vigorosamente e energicamente a liberdade de expressão, e assim, defender o direito a todas as opiniões que podemos odiar, desprezar, etc., poderíamos acrescentar uma série enorme de verbos. Outra posição é rejeitar a liberdade a essas opiniões, geralmente aquelas que uma maioria muito significativa rejeita, uma posição algo coreana, diríamos. Há muitas variantes, mas estas são as duas únicas que verdadeiramente apresentam alguma diferença substancial. Tal foi apontado por algumas pessoas nas últimas semanas e já tinha sido apontada por muitas pessoas anteriormente, pois a segunda hipótese está vigente em alguns países da nossa grande Europa, o que deixa transbordar uma certa hipocrisia em alguns eventos que a seguir passo a descrever. Foquemo-nos no exemplo francês, onde o negacionismo do Holocausto é considerado um crime. É claro que isto vai de acordo à segunda posição das que listei atrás. Sob o mesmo prisma podemos enquadrar a prisão, em França, do 'humorista' Dieudonné M'bala, a propósito de atitudes e declarações anti-semitas, o que confirma mais uma vez o carácter anti-liberdade de expressão vigente em alguns países europeus. Nos Estados Unidos negar o Holocausto não é crime, mas, no entanto, tal posição, completamente abjectar, leva com aquilo que tal ideia deve levar numa sociedade que verdadeiramente defenda a liberdade de expressão, isto é, deixá-la estar, em liberdade, até ser engolida pela ignorância e desprezo de quem passa, que simplesmente não liga patavina a uma coisa absolutamente absurda sendo completamente ignorada como se fosse algo invisível, mesmo quando tal ideia é proferida por algumas alimárias que ocupam posições de relevo, com palanque e tempo para falar, cuja identidade a minha memória não guardou. Isto faz com que a meu ver seja difícil encontrar país com mais liberdade de expressão actualmente do que os Estados Unidos. Obviamente que as restrições deste tipo, por exemplo em França ou na Alemanha derivam de uma conjuntura histórica que bem conhecemos. Mesmo assim, essas restrições têm que ser fundamentadas, e esse fundamento é que tem de parir a conclusão de introduzir ou não tais restrições. Em modo simples diríamos que o ónus da prova da legitimidade de uma certa restrição à liberdade expressão tem de estar em quem as pretende introduzir. Esta é a maneira, classicamente chamada de libertária, que eu defendo para este assunto. Daí que me choque um pouco ver a hipocrisia e leviandade que veio à tona em tempos recentes no tratamento do conceito de liberdade de expressão, e daí o título que escolhi: temos um problema de expressão nas nossa Europa.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Primeiro de Janeiro

Escrevo este post a propósito de uma notícia que li a propósito do fecho de um jornal lendário da cidade do Porto. Acontece que o que acabou, ao que parece foi a versão papel. Menos mal. A versão internet ainda vai continuar, embora em formato reduzidíssimo. Depois do encerramento do Comércio do Porto em 2005, a cidade e o país perdem agora aquele que é o jornal mais clássico da cidade 'O Primeiro de Janeiro', fundado ainda no século XIX. De recordar o lugar histórico da sua redacção, no sítio onde agora se encontra o centro comercial Via Catarina. Este era com certeza o Jornal mais eclético da cidade do Porto, e o mais 'classy', digamos assim. Sem mais nada para dizer apenas concluo lembrando que a actual sede do Boavista Futebol Clube (originalmente localizada na Avenida da Boavista) e o Estádio do Bessa se situam numa rua que homenageia o lendário periódico da invicta. 

Mais Uma

Faz hoje uma semana que o Cristiano ganhou mais uma bola de Ouro. Serve este post para expressar o meu orgulho português por mais uma conquista muitíssimo relevante de um tipo que é um dos nossos. Em 24 anos de vida, já vi 4 vezes a bola de ouro ser entregue a um português. 4 em 24 não é mau diríamos. Uma conta rápida revela que é aproximadamente 17 por cento. Somos um pequeno grande país. Viva Portugal.

domingo, 11 de janeiro de 2015

A Arte de Marcar Livres

Ao ver este excelente golo de livre do Tanaka, do Sporting, não pude deixar de me lembrar de um outro grande batedor de livres, que também os batia de pé esquerdo, e que também jogou no Sporting, o André Cruz, um jogador de classe enorme quando se tratava de faltas nas imediações da área. E já agora, também não me posso esquecer de um outro grande jogador, uma lenda do meu Boavista, o grande Ion Timofte e o seu pé esquerdo. Lembro-me que quando havia livres ao jeito do pé dele o pessoal se exaltava logo nas bancadas, havia a sensação de que era meio-golo. E tantos desses festejei nas bancadas do antigo Estádio do Bessa. Podia continuar com outros grandes batedores de faltas, mas dado que este do Tanaka foi de pé esquerdo, os jogadores que imediatamente me vieram à cabeça foram esses dois, o André Cruz e o nosso Timofte.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sobre o Boavista

No seguimento de uma boa vitória ontem do meu Boavista sobre o Arouca, lembrei-me de escrever sobre um assunto. O assunto é a constante tentaiva de denegrir o clube, nomeadamente o seu futebol de 'bombo', assim baptizado pelo grande Jaime Pacheco, constantemente rotulado de cacetada. O Boavista, na gloriosa época de 2000-2001 marcou 63 golos, sofreu 22, à entrada da última jornada que não contou para nada, onde perdemos com o Porto por 4 a 0 (a derrota mais alegre da minha vida), tínhamos 18 sofridos e éramos a melhor defesa da Europa. O Super Sporting de Jardel foi campeão com menos pontos no ano seguinte. O Super Porto de Mourinho que foi campeão europeu em 2004 marcou também 63 golos no campeonato. O Benfica de Trapattoni marcou 51 golos, tal como o Porto campeão em 2005-2006. Os números não mentem. Se forem ver os jogos de 2000-2001 o que vêm é aquilo que estes números sugerem, uma equipa que procurava o golo em todos os jogos, com um futebol agressivo quando sem bola, e rápido com a bola. Aquilo que se costumava chamar de futebol de contra-ataque (que é o meu tipo de futebol preferido, a que gosto de chamar futebol de pedalada, e que é um dos grandes paradigmas do futebol moderno), que muitas equipas praticam. No entanto, algumas equipas, que elevam este tipo de futebol a patamares inimagináveis são fenomenais, outras, como o Boavista, que com menos argumentos tentam fazer o mesmo tipo de futebol ficam com o rótulo de caceteiros, quando comparativamente houve campeões que demonstraram menos argumentos ofensivos do que nós. Outras são organizadas e inteligentes a jogar ao tentarem defender bem e meter contra ataques. Já o Boavista é que era desorganizado e caceteiro. É a prova de que quem ganha geralmente atrapalha, no ano seguinte jogámos de maneira semelhante, mas como não ganhámos, não atrapalhámos, e, por conseguinte, já não houva tanta poeira a ser lançada acerca do nosso tipo de jogo. Estamos habituados. um dia deste tenho de me dedicar a fazer um post sobre o conceito de bom futebol, e o carácter pernicioso e perverso que algumas dialécticas moldam à volta deste conceito. Para terminar, haja algum pudor, e reconheçam o mérito que nos é devido.