terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Edgar Froese

Soube-se há alguns dias atrás do falecimento de Edgar Froese, um dos principais nomes da música electrónica, o principal membro dos lendários Tangerine Dream. O meu nome preferido da música electrónica clássica é claramente o Jean-Michel Jarre, que tem, como acho que mencionei há alguns anos atrás num post a propósito de um dos seus álbuns, uma música muito orgânica, melódica, e muito terrena. Já os Tangerine Dream oferecem algo de bastante diferent, têm algo que a mim me parece cósmico, espacial. Gosto muito na mesma, por isso é que decidi ouvir um dos álbuns. Escolhi o 'Phaedra' de 1974.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Problema de expressão

Usurpo deliberadamente o título de uma música dos Clã para este post que dedico a um dos assuntos mais falados das últimas semanas, nomeadamente desde o atendado em Paris ao jornal satírico Charlie Hebdo. Incrível como um jornal desconhecido passa de 60000 cópias para cerca de cinco milhões. Mas essa é outra história que eu não consigo comentar ainda de modo satisfatório, tirando se beber uns copos, por isso, para já fico-me pela questão da liberdade de expressão.

Acontece que quando falamos do conceito de liberdade de expressão, há muitas posições que se podem adoptar, mas, no fundo, tudo se resume a apenas duas, a meu ver: a primeira, defender vigorosamente e energicamente a liberdade de expressão, e assim, defender o direito a todas as opiniões que podemos odiar, desprezar, etc., poderíamos acrescentar uma série enorme de verbos. Outra posição é rejeitar a liberdade a essas opiniões, geralmente aquelas que uma maioria muito significativa rejeita, uma posição algo coreana, diríamos. Há muitas variantes, mas estas são as duas únicas que verdadeiramente apresentam alguma diferença substancial. Tal foi apontado por algumas pessoas nas últimas semanas e já tinha sido apontada por muitas pessoas anteriormente, pois a segunda hipótese está vigente em alguns países da nossa grande Europa, o que deixa transbordar uma certa hipocrisia em alguns eventos que a seguir passo a descrever. Foquemo-nos no exemplo francês, onde o negacionismo do Holocausto é considerado um crime. É claro que isto vai de acordo à segunda posição das que listei atrás. Sob o mesmo prisma podemos enquadrar a prisão, em França, do 'humorista' Dieudonné M'bala, a propósito de atitudes e declarações anti-semitas, o que confirma mais uma vez o carácter anti-liberdade de expressão vigente em alguns países europeus. Nos Estados Unidos negar o Holocausto não é crime, mas, no entanto, tal posição, completamente abjectar, leva com aquilo que tal ideia deve levar numa sociedade que verdadeiramente defenda a liberdade de expressão, isto é, deixá-la estar, em liberdade, até ser engolida pela ignorância e desprezo de quem passa, que simplesmente não liga patavina a uma coisa absolutamente absurda sendo completamente ignorada como se fosse algo invisível, mesmo quando tal ideia é proferida por algumas alimárias que ocupam posições de relevo, com palanque e tempo para falar, cuja identidade a minha memória não guardou. Isto faz com que a meu ver seja difícil encontrar país com mais liberdade de expressão actualmente do que os Estados Unidos. Obviamente que as restrições deste tipo, por exemplo em França ou na Alemanha derivam de uma conjuntura histórica que bem conhecemos. Mesmo assim, essas restrições têm que ser fundamentadas, e esse fundamento é que tem de parir a conclusão de introduzir ou não tais restrições. Em modo simples diríamos que o ónus da prova da legitimidade de uma certa restrição à liberdade expressão tem de estar em quem as pretende introduzir. Esta é a maneira, classicamente chamada de libertária, que eu defendo para este assunto. Daí que me choque um pouco ver a hipocrisia e leviandade que veio à tona em tempos recentes no tratamento do conceito de liberdade de expressão, e daí o título que escolhi: temos um problema de expressão nas nossa Europa.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Primeiro de Janeiro

Escrevo este post a propósito de uma notícia que li a propósito do fecho de um jornal lendário da cidade do Porto. Acontece que o que acabou, ao que parece foi a versão papel. Menos mal. A versão internet ainda vai continuar, embora em formato reduzidíssimo. Depois do encerramento do Comércio do Porto em 2005, a cidade e o país perdem agora aquele que é o jornal mais clássico da cidade 'O Primeiro de Janeiro', fundado ainda no século XIX. De recordar o lugar histórico da sua redacção, no sítio onde agora se encontra o centro comercial Via Catarina. Este era com certeza o Jornal mais eclético da cidade do Porto, e o mais 'classy', digamos assim. Sem mais nada para dizer apenas concluo lembrando que a actual sede do Boavista Futebol Clube (originalmente localizada na Avenida da Boavista) e o Estádio do Bessa se situam numa rua que homenageia o lendário periódico da invicta. 

Mais Uma

Faz hoje uma semana que o Cristiano ganhou mais uma bola de Ouro. Serve este post para expressar o meu orgulho português por mais uma conquista muitíssimo relevante de um tipo que é um dos nossos. Em 24 anos de vida, já vi 4 vezes a bola de ouro ser entregue a um português. 4 em 24 não é mau diríamos. Uma conta rápida revela que é aproximadamente 17 por cento. Somos um pequeno grande país. Viva Portugal.

domingo, 11 de janeiro de 2015

A Arte de Marcar Livres

Ao ver este excelente golo de livre do Tanaka, do Sporting, não pude deixar de me lembrar de um outro grande batedor de livres, que também os batia de pé esquerdo, e que também jogou no Sporting, o André Cruz, um jogador de classe enorme quando se tratava de faltas nas imediações da área. E já agora, também não me posso esquecer de um outro grande jogador, uma lenda do meu Boavista, o grande Ion Timofte e o seu pé esquerdo. Lembro-me que quando havia livres ao jeito do pé dele o pessoal se exaltava logo nas bancadas, havia a sensação de que era meio-golo. E tantos desses festejei nas bancadas do antigo Estádio do Bessa. Podia continuar com outros grandes batedores de faltas, mas dado que este do Tanaka foi de pé esquerdo, os jogadores que imediatamente me vieram à cabeça foram esses dois, o André Cruz e o nosso Timofte.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sobre o Boavista

No seguimento de uma boa vitória ontem do meu Boavista sobre o Arouca, lembrei-me de escrever sobre um assunto. O assunto é a constante tentaiva de denegrir o clube, nomeadamente o seu futebol de 'bombo', assim baptizado pelo grande Jaime Pacheco, constantemente rotulado de cacetada. O Boavista, na gloriosa época de 2000-2001 marcou 63 golos, sofreu 22, à entrada da última jornada que não contou para nada, onde perdemos com o Porto por 4 a 0 (a derrota mais alegre da minha vida), tínhamos 18 sofridos e éramos a melhor defesa da Europa. O Super Sporting de Jardel foi campeão com menos pontos no ano seguinte. O Super Porto de Mourinho que foi campeão europeu em 2004 marcou também 63 golos no campeonato. O Benfica de Trapattoni marcou 51 golos, tal como o Porto campeão em 2005-2006. Os números não mentem. Se forem ver os jogos de 2000-2001 o que vêm é aquilo que estes números sugerem, uma equipa que procurava o golo em todos os jogos, com um futebol agressivo quando sem bola, e rápido com a bola. Aquilo que se costumava chamar de futebol de contra-ataque (que é o meu tipo de futebol preferido, a que gosto de chamar futebol de pedalada, e que é um dos grandes paradigmas do futebol moderno), que muitas equipas praticam. No entanto, algumas equipas, que elevam este tipo de futebol a patamares inimagináveis são fenomenais, outras, como o Boavista, que com menos argumentos tentam fazer o mesmo tipo de futebol ficam com o rótulo de caceteiros, quando comparativamente houve campeões que demonstraram menos argumentos ofensivos do que nós. Outras são organizadas e inteligentes a jogar ao tentarem defender bem e meter contra ataques. Já o Boavista é que era desorganizado e caceteiro. É a prova de que quem ganha geralmente atrapalha, no ano seguinte jogámos de maneira semelhante, mas como não ganhámos, não atrapalhámos, e, por conseguinte, já não houva tanta poeira a ser lançada acerca do nosso tipo de jogo. Estamos habituados. um dia deste tenho de me dedicar a fazer um post sobre o conceito de bom futebol, e o carácter pernicioso e perverso que algumas dialécticas moldam à volta deste conceito. Para terminar, haja algum pudor, e reconheçam o mérito que nos é devido.