sexta-feira, 26 de junho de 2015

A Ouvir...

O meu estilo preferido no Jazz é seguramente aquilo que se costuma chamar de Bebop ou Hard Bop. E este é um dos clássicos maiores do género: "Moanin' ", Art Blakey and the Jazz Messengers (1959).

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Pictures from a St. John

Passou-se ontem mais um São João. Bebeu-se uns copos, andou-se por aí, encontrou-se algumas pessoas que já não se via há algum tempo. Começou-se pelas Fontaínhas, o grande local do São João, viu-se o fogo da ponte do infante. Antes disso já tinha encontrado uma pessoa que há alguns anos não via que me tinha dado aulas de música. Já depois em Alexandre Herculano, uma outra pessoa que sempre foi da minha turma, a Mariana, ainda nos vamos encontrando frequentemente, juntamente com o nosso grupinho que se manteve ao longo dos anos pós 2008. Alguns metros mais acima, o Sr. Hermínio, o sacristão da igreja, vindo do bairro Herculano brandindo um enorme martelo de São João. O facto de se encontrar algumas pessoas que já não via há algum tempo é sempre bom, e enche-me sempre de imensa alegria, pois são bons amigos, e apesar de não nos vermos assim tantas vezes. E assim se continuou por aí, foi-se aos Clérigos, bebeu-se uns copos e parou-se em Miragaia, em baixo do muro, perto de um palco com um grupo de baile que tocava bastante bem diga-se (até tocaram Creedence). Pronto, e assim foi. À vinda embora, houve uma rapariga que tentou pentear a minha franja, ou repa, muitas vezes despenteada e descaída, no caso devido a uma ligeira briza e a uma ligeira embriaguez, (os copos despenteiam, fazem o cabelo ficar desgrenhado, pois). Eu também penteei o cabelo dela (que não necessitava), colocando-o atrás das orelhas, e acabou resultando num único beijo, não me importava a mim, nem a ela julgo eu, de que tivessem sido mais. Assim se passou um São João. Sábado há um São Pedro, vamos tentar fazer igual. Mas este ano, São João, como diria o outro, já não há mais.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

The Shape of Jazz

Em 1959, o Ornette Coleman lançou um álbum de título 'The Shape of Jazz to Come', um dos primeiros marcos do que se começou a chamar de Free Jazz. O Ornette é um dos expoentes deste tipo de Jazz, que também se traduziu numa outra corrente algo relacionada do Jazz Avant-Garde. De resto, o termo Free Jazz nasce com um álbum do Ornette com o mesmo nome, lançado em 1960. A sua influência é notória em praticamente todo o Jazz Moderno, através de variadíssimos aspectos. Em 1959, lançou este 'The Shape of Jazz to Come', um álbum que mudou para sempre a história do Jazz. A secção rítmica, Billy Higgins na bateria, Don Cherry na corneta e Charlie Haden no baixo. A não presença de um piano vai também de acordo a uma certa tentativa de despojar a secção rítmica de alguma harmonia, permitindo outro tipo de improvisação, que se preocupa menos com a harmonia subjacente quando comparada com o Bebop ou o Jazz Modal, e que constitui também um ponto importante e paradigmático daquele Jazz que estava a aparecer. O Ornette usou o termo 'harmolodic' para descrever a sua improvisação. É um álbum algo tristonho, bluesy, com um certo lirismo em muitas passagens com o timbre característico do Ornette. Algo curioso é saber que o saxofone alto de onde esse timbre vem, o saxofone que ele segura na imagem de capa acima, era um saxofone de plástico Grafton, que ele usou em vários álbuns, e que na década de 60 custavam cerca de metade dos saxofones de metal, o que ele adquiriu depois do tenor dele se ter estragado. Comprei este álbum em vinil há alguns anos atrás, numa reedição de altíssima qualidade, e, volta e meia, ouço-o. 

Mais de 50 anos depois, o título está um pouco desactualizado, este Jazz não está para vir. De facto, já lá estava dentro daquele disco de vinil, e como qualquer disco clássico, este álbum passou também a ser The Shape of a Jazz, ou a forma de um Jazz, o Jazz do Ornette, intemporal, inesquecível.