quinta-feira, 18 de junho de 2015

The Shape of Jazz

Em 1959, o Ornette Coleman lançou um álbum de título 'The Shape of Jazz to Come', um dos primeiros marcos do que se começou a chamar de Free Jazz. O Ornette é um dos expoentes deste tipo de Jazz, que também se traduziu numa outra corrente algo relacionada do Jazz Avant-Garde. De resto, o termo Free Jazz nasce com um álbum do Ornette com o mesmo nome, lançado em 1960. A sua influência é notória em praticamente todo o Jazz Moderno, através de variadíssimos aspectos. Em 1959, lançou este 'The Shape of Jazz to Come', um álbum que mudou para sempre a história do Jazz. A secção rítmica, Billy Higgins na bateria, Don Cherry na corneta e Charlie Haden no baixo. A não presença de um piano vai também de acordo a uma certa tentativa de despojar a secção rítmica de alguma harmonia, permitindo outro tipo de improvisação, que se preocupa menos com a harmonia subjacente quando comparada com o Bebop ou o Jazz Modal, e que constitui também um ponto importante e paradigmático daquele Jazz que estava a aparecer. O Ornette usou o termo 'harmolodic' para descrever a sua improvisação. É um álbum algo tristonho, bluesy, com um certo lirismo em muitas passagens com o timbre característico do Ornette. Algo curioso é saber que o saxofone alto de onde esse timbre vem, o saxofone que ele segura na imagem de capa acima, era um saxofone de plástico Grafton, que ele usou em vários álbuns, e que na década de 60 custavam cerca de metade dos saxofones de metal, o que ele adquiriu depois do tenor dele se ter estragado. Comprei este álbum em vinil há alguns anos atrás, numa reedição de altíssima qualidade, e, volta e meia, ouço-o. 

Mais de 50 anos depois, o título está um pouco desactualizado, este Jazz não está para vir. De facto, já lá estava dentro daquele disco de vinil, e como qualquer disco clássico, este álbum passou também a ser The Shape of a Jazz, ou a forma de um Jazz, o Jazz do Ornette, intemporal, inesquecível.

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