segunda-feira, 18 de abril de 2016

Boavista

O Boavista tem que estar na primeira divisão. O Boavista foi jogar ao Estoril. Os bilhetes e deslocação foram baratos, claro. Mas estava mais gente a ver o jogo do que no Estoril-Porto, por exemplo. E muitos mais do que as setecentas pessoas que o Estoril chegou a ter num qualquer jogo deste campeonato. Este país só teve cinco campeões nacionais. Se o Boavista não é um clube de primeira, então ninguém o será, à excepção dos três do costume, os que têm mais títulos do que nós. Por isso não entendo aquilo que se anda a tramar para ver se o Boavista vai parar à segunda. Não entendo, e o que acontecido ultrapassa-me e transcende a minha compreensão. Parece que ainda estamos a pagar qualquer coisa. Não sei é o que essa coisa é, nem quem a está a cobrar. Não sei. Podem-se citar diversos exemplos do que tem acontecido este ano. Mas a verdade é que nem vale a pena citá-los a todos. Basta talvez um, um em que as decisões tivessem sido correctas, e estaríamos já praticamente a salvo, tal como na época passada. Um só, por exemplo o Boavista-Académica no Bessa. Já nem era preciso falar nos dois jogos do Estoril, ou a rábula de Arouca, ou o jogo do Tondela lá, em que se operou um pequeno milagre e ganhámos depois de mais um episódio estranho. Se fizéssemos a contabilidade assim já estaríamos mais do que a salvo. Mas eu só digo UM. UM SÓ. Uma vez ou duas estas coisas podem acontecer. No ano passado, toda a gente se lembra: houve um ou dois jogos infelizes dos árbitros contra nós (Benfica em casa por exemplo), e houve um ou dois em que até fomos beneficiados (por exemplo o Boavista-Gil Vicente no Bessa em que arbitragem de facto nos ajudou ao anular um golo limpo ao adversário). O que é normal face ao nível fraco dos nossos árbitros, que erram muitas vezes. Mas tantas e tantas vezes, como aconteceu este ano? Torna-se difícil de compreender. E pior, pois se um ou dois é normal, podendo também acontecer um ou dois ao contrário como na época passada, quando ocorre sempre torna-se difícil de achar isto normal. Porquê?? Estamos vivos e isto ainda não acabou. Vamos em frente!

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Banda Sonora de uma cidade

Às vezes pergunto-me se uma cidade tem uma banda sonora. Acho que sim. Cada qual pode ter uma banda sonora para uma cidade. Às vezes pode é ser mais difícil descobri-la. Começo pelo Porto, tinha que ser, o que conheço melhor. O Porto tem diversas coisas que se podem servir como banda sonora. Algumas mais antigas outras recentes. Algumas delas já falei aqui. Pode ser claro o Rui Veloso, o Pedro Abrunhosa os Jáfumega. Há dentro das músicas referências óbvias ao Porto. Por exemplo, ainda agora estava a ouvir Kasbah, onde, numa letra de Carlos Tê, os Jafumega cantam que numa noite de lua cheia em que o Vimara Peres estava a espreitar, alguém foi para à Rua Escura. Esta é a parte óbvia, tal como quando se fala da Cantareira do Chico Fininho, ou do Pedro Abrunhosa que na música 'Socorro' do grandíssimo 'Viagens', diz 'vi-te na Indústria a dançar ao som do Prince'. Mas há outra menos óbvia. Que é que mesmo quando não se fala explicitamente no Porto, ele parece estar lá de alguma maneira. Isto para mim é perfeitamente claro quando oiço o Pedro Abrunhosa, ou quando oiço Jáfumega, ou as letras do Carlos Tê. O Porto quase que está lá sem o estar explicitamente. Concluo algo que me parece razoável: esta mesma sensação de se ouvir o Porto nas letras destes e outros artistas deve-se ao facto de essas mesmas letras terem lá bem dentro delas algo que creio ser a 'Cultura do Porto'. A cultura do Porto de dizer 'Galinheiro' em vez de 'Geral' quando se vai ao Coliseu, e outras coisas que tais. Por vezes não só na gramática e nas palavras usadas, mas também na maneira como se escolhem essas palavras para fazer um quadro desta ou daquela situação, quadros frequentemente sombrios, tal como o Porto ele mesmo. Algo mais subtil do que uma referência chapada, se calhar mais na onda dos 'Dias Atlânticos' dos BAN, 'brisas e amor, prazer pelo prazer'. Os dias de que essa música fala são claramente dias do Porto. Cada vez mais me convenço, e digo isto muitas vezes, que o Porto é uma cidade completamente Atlântica, e Lisboa é mediterrânica, e esta é a maneira mais fácil de estabelecer uma distinção não muito redutora (como a maior parte deste tipo de distinções tem tendência para ser) entre as duas cidades.  

Musicalmente falando, também às vezes sinto que algo semelhante se passa. O Porto tem de facto uma cultura musical forte, e às vezes parece-me que também a música tem algo lá dentro relacionado com essa cultura do Porto que já referi. De resto, se calhar não é assim tão de admirar numa cidade que tem mais grupos musicais por metro quadrado que qualquer outra em Portugal. Talvez seja assim que se faz uma banda sonora de uma cidade...