segunda-feira, 7 de agosto de 2017

La Baguette

À passagem por Montmartre, ele passou pelo cemitério e entrou. Pegou no mapa, seguiu as áleas do enorme cemintério com os seus granitos escuros. A dada altura passou, e viu, Henri-Beyle. Seguiu e saiu. Comprou duas flores, uma vermelha e outra preta. Na taberna do Lúcio comprou uma baguette com presunto (de Parma). Ouviu Pink Floyd sentada num manto de verde relva. O tempo passou devagar... tanto a comer a baguette lenta ou a música que seguia ao ritmo de adágio... No dia seguinte, alguém passou por Montmartre à frente do amigo Henri-Beyle e segui sem grandes demoras. Comprou também uma baguette no Lúcio. Encontrou-a sentada na relva de sempre a ouvir Pink Floyd e a comer a baguette. Falaram. Ficaram amigos. Ouviram PInk Floyd, e ele passou a comer a mesma baguette que ela comia no Lúcio. Um dia, ele comprou duas flores, uma vermelha e outra preta. Ela então percebeu que ele também já pinha percebido.

Começou

Começou hoje e começou mal. Algo vai ter de melhorar, espero, e julgo que vai melhorar.

terça-feira, 28 de março de 2017

Being Portuguese

I have no idea of what being Portuguese is or means. But there a verse in a song that I think gives an answer that I like. 'Lusitana' by Fausto: 'Cuida da nossa alma errante nós só queremos teu consolo.' Quite on spot.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Douro, melancholy and Portugal

I went to Douro. Douro is beautiful of course, as many places in Portugal. It has melancholy. Everything in Portugal has melancholy. I like from time to time. The trip to Douro was good to me. It had and effect. It vanished a bit since then. I feel more or less in the same mood back again. I was wondering if this was something Portuguese. If I could identify something in this as portugueses, aparte from the fact that I am portuguese. I think it can be done. there is a kind of sentimental heritage and profile that I think as portuguese. I think I am an average portuguese in relation with that profile. Perhaps, better than average, I think I fulfill a lot of characteristics in that profile. the main one is melancholy. I have very extended periods of melancholy. going back to Douro puts in me what I think as the good melancholy. When you hear the silence of the countryside. That is the good melancholy. The melnacholy in a city is much more unbearable. And I am under attack by that kind of melancholy and my legendary difficulty in relationships with people. Let's see....

terça-feira, 14 de março de 2017

This short prose will look like a confession. Perhaps it is. In english, I have no guts to write it in Portuguese. The melancholy would be unbearable. I would take three days to write just to choose the right words. Things are not going very well. Not about the Mathematics. My math is going relatively well I would say. Something else. I must confess, in the last few months, I don't feel happy. I feel sad and unhappy, and lonely. I have some flushes of happiness. Yesterday I had one, in football. Or better, three. But I am alienated from something. I don't know what or who. I felt the necessity of bringing an empty paper and a pencil for the football match. Just to have something to do, because I knew I wouldn't be capable of watching the whole match without my mind slipping to somewhere else and not getting into the excitement of the match. It kept me busy. Football wasn't capable of doing it by itself, not very much after we scored three goals, not even when one of our players was struck in the head by the elbow of another player and the ref did nothing. I walked home fast. 3Km in half an hour. During the walk I almost forgot that we've won. Normally, a win uplifts me for the whole day. Not this time. It would be the same if we had lost, I think. I felt empty during that half an hour as I feel for greater periods. The same happens when I read. I've always loved to read. I feel happy when I do it. Then I forget the books very quickly, as if I haven't read them. I can't watch a movie without disconnecting from it in less that 15 minutes because I feel I am somewhere else. It only gets better when I am among friends. It really uplifts me. But our lives are different. They have their jobs and I have mine. I feel solitude and, what I would call disquiet. I think about people I love and are not here anymore. And sometimes, less often, I kind of imagine someone I would love. What I would imagine I almost instantly discard. I was never very good at building a relationship with someone. Any kind of relationship, starting with friendships. Not mentioning girls. I always was very timid and shy. Everytime I meet someone I don't know, I feel this shyness controls my actions. Or better, my inactions. In fact, I clearly feel I am getting more and more shy and timid, and not the opposite. It makes feel worse, and I don't know how to deal with that. My eyes are wet. They don't get into tears so that the eyes don't dry. They just keep wet.

Next weekend we're going to the Douro valley. I know Douro quite well. It can change something in a person's life with just a moment of silence and a panoramic view. Let's see what it brings.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sobre a Economia

Tenho trabalhado em Matemática Aplicada, o que, não inevitavelmente, mas com naturalidade me levou a trabalhar em assuntos de certo modo relacionados com Economia. Claramente que há essencialmente duas maneiras típicas de uma pessoa com formação em Matemática trabalhar em assuntos mais económicos: ou algo de certo modo empírico, que possa envolver alguma estatística, como por exemplo econometria (que lamentavelmente, não poucas vezes é invadida por horrível estatística cuja metodologia é falseada), ou algo que envolva modelos, como por exemplo algo mais de teoria de jogos, equilíbrio geral etc..

Em condições normais, para aprender economia para poder trabalhar nestas coisas uma pessoa estuda esses modelos. A fundamentação e capacidade matemática já a tem da Matemática. É esta a melhor maneira de aprender economia? Tenho sérias dúvidas.

Cada vez mais me convenço, e este convencimento surgiu-me destacadamente nos últimos meses, que há duas coisas porventura muito mais essenciais para aprender economia. A primeira delas é estudar história económica. A segunda parece-me ser o estudo da história do pensamento económico. 

Estas duas coisas devem de ser coadjuvadas por aquilo que geralmente era designado por Economia Política, um termo que de certo modo caiu em desuso. Existe uma relação entre estas três coisas. A economia política é também uma ciência (vamos chamar-lhe ciência por momentos) histórica, cujo objecto de estudo é material histórico, e cujo método também deve algo à historiografia. Assim sendo, a economia política também envolve a história do pensamento económico. Quem estuda a história económica também está a estudar aquilo que fundamenta a economia política, e se a isso juntarmos o pensamento económico num dado período histórico já estamos a entrar naquilo que é a teorização da economia (política nesta caso). Convém neste momento relembrar que até ao século XVIII a economia não era vista como algo independente da filosofia. Isso apenas aconteceu a partir mais ou menos da revolução industrial, com o Adam Smith e outros, o mais relevante talvez seja o David Ricardo. 

É por isso que eu julgo estes pontos são talvez os mais essenciais para uma compreensão daquilo que é a economia, como um todo, e o fundamental da economia no mundo actual. É que estes pontos que citei têm em comum o facto de imporem um carácter altamente crítico a quem estuda e tenta aprender economia através deles. Enquanto a economia se chamou Economia Política, preservou grande parte carácter crítico, que se foi desvanescendo em favor da visão da economia como uma ciência como a matemática ou a física. Continuo a considerar esta visão crítica absolutamente fundamental para compreender a economia no mundo moderno, economia política, claro está, pois os assuntos (quase todos eles com forte componente política) por ela abordados enquanto assim foi designada continuam a ser os mais relevantes e os que operam na esfera mais influente na actualidade. Creio que a história da economia e do pensamento económico são fundamentais para esta visão crítica da economia, que acaba sendo aquela em que aprendemos mais e melhor. E é através dela que ficamos muito mais próximos de atingir aquele que para a Joan Robinson (uma das mais relevantes economistas do século XX) é o propósito, eminentemente crítico, aliás como o são todas as formas de combate à pseudo-ciência, de estudar economia:

"The purpose of studying economics is not to aquire a set of ready-made answers to economic questions, but to learn how to avoid being deceived by economists.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A propósito do jogo de ontem

Ontem assisti finalmente a uma vitória em casa do Boavista, já não ganhávamos em casa desde o tempo do Sánchez, no início de Outubro.
Fiquei contente, jogámos bem, poderíamos ter marcado mais um e decidir o jogo mais cedo. Creio que sinceramente a vitória não tem contestação.
Mas o intento principal deste meu post, tem que ver com o jogador Zé Manuel, que agora representa o Vitória F. C. de Setúbal, por empréstimo do F. C. Porto. A atitude do F. C. Porto é lamentável, como o foi muitas vezes, visando enfraquecer o Boavista, pois, e todos os Boavisteiros o sabiam, o Zé Manuel é um bom jogador para o Boavista, mas dificilmente teria lugar no plantel do F. C. Porto, e assim sendo, o empréstimo seria a solução mais natural. Empréstimo que se consumaria na ida para um rival directo do Boavista F. C.. Quanto ao jogador, foi fortemente assobiado e insultado (inclui-me neste coro) quando entrou no terreno de jogo por volta do minuto 60 e tal. Infelizmente, quando eu vejo um jogo de futebol que envolve uma equipa que geralmente equipa de xadrez preto e branco, eu costumo adorar e exultar pelos que assim estão vestidos, e quase que abomino os que estão com cores diferentes. É uma das minhas irracionalidades, que não consigo superar. Daí de certo modo aprovar o tratamento que foi dado ao Zé Manuel (e de tal modo aprovo que me juntei a ele). Mas, eu pus um infelizmente na frase, porque lamento esta irracionalidade. Se o Zé passasse por mim na rua, provavelmente agradecia-lhe o que fez pelo meu clube, nas três épocas desportivas em que esteve por cá. Mas quando ele entrou em campo, aí é pedir de mais, simplesmente não consigo. Concluo esta espécie de Mea Culpa, com um lamento, que é o seguinte: há uma coisa que não perdoo ao Zé Manuel. Ele podia, e creio até que deveria ter renovado contrato com o Boavista, provavelmente por uma época só (não pretendo que ele passasse a ser um monge que passasse toda a vida cá, claro), de modo a proporcionar alguma coisa a nível financeiro ao Boavista, que poderia lucrar com a sua transferência (e sabe-se que o Zé Manuel tinha mercado). Convém ele lembrar-se que foi do Cinfães para o Boavista, quando estávamos no terceiro escalão. Se não fosse o Boavista, não sei por onde andaria ele, provavelmente pelas ruas da amargura. Lamento esta falta de gratidão, apesar de, como disse, se tivesse com ele, agradecia-lhe. Mas quando se está dentro de campo, não consigo...